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segunda-feira, 19 de março de 2012

Sócrates cercado - Opinião - Sol

Sócrates cercado - Opinião - Sol

19 de Março, 2012 
por José António Saraiva



Quando José Sócrates ainda era primeiro-ministro escrevi um artigo dizendo que ele me fazia lembrar Vale e Azevedo.


Conheci ambos pessoalmente – e os dois revelavam a mesma megalomania, a mesma obstinação, a mesma falta de consciência dos seus defeitos, a mesma irresponsabilidade em relação aos seus erros, a mesma desfaçatez, a mesma ideia de que os fins justificam todos os meios.


A par disto revelavam, cumpre dizê-lo, perseverança, energia, capacidade de persuasão e, até, um certo poder de sedução – que explicam, aliás, a corte de admiradores e defensores que ainda hoje ambos têm.


No caso de Sócrates, a megalomania virá do pai.


Quem se lembraria de pôr a um filho o nome Sócrates?


E ele assumiu-o – e até recentemente lhe quis dar mais conteúdo, dizendo ir para Paris estudar Filosofia na Sorbonne.

(...)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

As palavras certas - Opinião - Sol

As palavras certas - Opinião - Sol



16 de Maio, 2011 por José António Saraiva



Por uma vez nesta crise política, Passos Coelho encontrou as palavras certas.

Na apresentação do programa eleitoral do seu partido, disse o que era preciso dizer.

Numa altura em que, do PS ao CDS, se fala disparatadamente em «compromisso», Passos Coelho disse que não quer ir para o Governo «a qualquer preço», que as eleições são uma «escolha», que para haver escolha é necessário haver «propostas diferentes» – e, finalmente, apresentou as suas próprias propostas.

Que podem arrumar-se em duas grandes categorias: pôr as contas do país em ordem e pôr a economia a crescer.

É claro que tanto uma coisa como outra são tarefas gigantescas – mas, para se atingir um objectivo, é preciso começar por enunciá-lo; caso contrário, jamais se alcançará.

PASSOS Coelho escolheu o caminho que sempre defendi: falar verdade aos portugueses.

Nestas eleições, algum partido teria de assumir corajosamente a ruptura e dizer ao país, cara a cara, quais as medidas que vai tomar para equilibrar as finanças.

E, aí, o país escolherá o caminho que prefere: fazer sacrifícios ou continuar a assobiar para o ar.

Marcelo Rebelo de Sousa classificou esta atitude como um «risco», dizendo ser difícil ganhar eleições com a franqueza revelada por Passos Coelho.

Ora eu digo o contrário: é inútil ganhar eleições não dizendo a verdade.

O país está num buraco – e precisa de saber que não sairá dele sem um grande esforço.

Dão-me vontade de rir aqueles que dizem: «Fizemos um bom acordo», como quem diz: «Não temos de fazer grandes sacrifícios».

Mas esta gente ainda não acordou?

Não percebe que sem sacrifícios não iremos a parte nenhuma?

E O ESTADO tem de dar o exemplo, emagrecendo e gastando menos.

Neste sentido, as propostas de Passos Coelho de redução do número de deputados e extinção dos governos civis, não representando uma excepcional poupança, são um bom sinal.

São sinal de que o Estado também está disposto a fazer dieta e a participar nos sacrifícios.

E os sinais que o Estado dá à sociedade são importantíssimos.

MAS quem fala de sacrifícios tem de ser capaz de transmitir, ao mesmo tempo, sinais de esperança.

Ninguém está disposto a sacrificar-se se não acreditar que o esperam dias melhores.

Foi isto que Manuela Ferreira Leite, com o seu perfil austero, não quis perceber – e é isto que Passos Coelho parece ter percebido.

O líder do PSD sabe que tem de prometer alguma coisa.

Não falsas promessas de menor austeridade.

Mas promessas de que é possível mudar o rumo da economia e pôr o país a crescer.

SÓCRATES e o PS acreditaram que poderiam fazê-lo através do Estado.

Daí a aposta nas ‘grandes obras’, que serviriam de motor.

Mas o dinheiro faltou e os projectos ficaram na gaveta.

O PSD aponta agora outra via, que está aliás de acordo com a sua matriz: apostar na sociedade civil, libertar a sociedade civil, dar asas à sociedade civil.

Defendo há muitos anos que a falta de dinamismo da sociedade civil e a sua dependência histórica do Estado é a primeira razão do nosso atraso.

Todos os países ricos têm sociedades civis fortes – e são elas as principais responsáveis pela criação de riqueza.

Por isso, acho que é este o caminho certo.

UMA palavra final para a afirmação de Passos Coelho de que não quer ser poder a qualquer preço.

Como o compreendo!

Não vale a pena integrar um Governo que não tenha condições para mudar – e um Governo onde estejam o PSD, o PS e o CDS, como muitos defendem, será um Governo tolhido por dentro, obrigado a compromissos constantes, sem capacidade de fazer as rupturas necessárias.

Ao contrário do que muitos dizem, será um Governo fraco e não um Governo forte – porque será atravessado por divisões e disputas insanáveis.

HÁ ALTURAS em que é preciso saber dizer ‘Não’.

E Passos Coelho disse-o claramente: se me quiserem e concordarem com estas propostas votem em mim, caso contrário passem bem.

Percebe-se que os socialistas estejam disponíveis para um Governo a três: isso corresponde ao seu desejo desesperado de não sair do poder.

Mas ninguém com juízo aceitará governar com a equipa que trouxe o país até aqui.

Portugal precisa de clareza e águas limpas – e não de empastelamento e águas turvas.

Portugal precisa de um Governo coeso e com uma liderança clara – e não de uma capoeira com três galos guerreando-se constantemente.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Director do "Sol": "A cúpula da justiça tentou camuflar escutas”


José António Saraiva diz-se “orgulhoso” do “jornalismo de fechadura”: “Põe a nu actuações ilegítimas e a cumplicidade do poder judicial”

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Não falimos por um milagre”

22 Novembro 2009 - 00h30

Entrevista: José António Saraiva

José António Saraiva, director do semanário ‘Sol’, revela ao CM que o Governo o pressionou para não publicar notícias do Freeport e que depois passou aos investidores.


Correio da Manhã – O ‘Sol’ foi coagido pelo Governo para não publicar notícias do Freeport?

José António Saraiva – Recebemos dois telefonemas, por parte de pessoas próximas do primeiro-ministro, dizendo que se não publicássemos notícias sobre o Freeport os nossos problemas se resolviam.

– Que problemas?

– Estávamos em ruptura de tesouraria, e o BCP, que era nosso sócio, já tinha dito que não metia lá mais um tostão. Estávamos em risco de não pagar ordenados. Mas dissemos que não, e publicámos as notícias do Freeport. Efectivamente uma linha de crédito que tínhamos no BCP foi interrompida.

– Depois houve mais alguma pressão política?

– Sim. Entretanto tivemos propostas de investimentos angolanos, e quando tentámos que tudo se resolvesse, o BCP levantou problemas.

– Travou o negócio?

– Quando os angolanos fizeram uma proposta, dificultaram. Inclusive perguntaram o que é que nós quatro – eu, José António Lima, Mário Ramirez e Vítor Rainho – queríamos pa-ra deixar a direcção. E é quando a nossa advogada, Paula Teixeira da Cruz, ameaça fazer uma queixa à CMVM, porque achava que já havia uma pressão por parte do banco que era totalmente ilegítima.

– E as pressões acabaram?

– Não. Aí eles passaram a fazer pressão ao outro sócio, que era o José Paulo Fernandes. E ainda ao Joaquim Coimbra. Não falimos por um milagre. E, finalmente, quando os angolanos fizeram uma proposta irrecusável e encostaram o BCP à parede, eles desistiram.

– Foi um processo longo...

– Foi um processo que se prolongou por três ou quatro meses. O BCP, quase ironicamente, perguntava: "Então como é que tiveram dinheiro para pagar os salários?" Eles quase que tinham vontade que entrássemos em ruptura financeira. Na altura quem tinha o dossiê do ‘Sol’ era o Armando Vara, e nós tínhamos a noção de que ele estava em contacto com o primeiro-ministro. Portanto, eram ordens directas.

– Do primeiro-ministro?

– Não temos dúvida. Aliás, neste processo ‘Face Oculta’ deve haver conversas entre alguns dos nossos sócios, designadamente entre Joaquim Coimbra e Armando Vara.

– Houve então uma tentativa de ataque à liberdade de imprensa?

– Houve uma tentativa óbvia de estrangulamento financeiro. Repare--se que a Controlinveste tem uma grande dívida do BCP, e portanto aí o controlo é fácil. À TVI sabemos o que aconteceu e ao ‘Diário Económico’ quando foi comprado pela Ongoing – houve uma mudança de orientação. Há de facto uma estratégia do Governo no sentido de condicionar a informação. Já não é especulação, é puramente objectiva. E no processo ‘Face Oculta’, tanto quanto sabemos, as conversas entre o engº Sócrates e Vara são bastante elucidativas sobre disso.

– Os partidos já reagiram e a ERC vai ter de se pronunciar. Qual é a sua posição?

– Estou disponível para colaborar.


Teresa Oliveira
Correio da Manhã