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A campanha eleitoral já começou.
Em ano de três eleições, pensar em Portugal tornou-se desagradável, desencantado, triste e perigoso. Criou-se entre os portugueses uma leve sensação, incómoda, que nada irá mudar. Estamos condenados a sermos medíocres, pobres, corruptos, megalómanos e fatalistas.
Os políticos, esses alvos da nossa desconfiança, vão-nos dando razões para alimentar essa sensação. Mas, também quem nos mandou delegar apenas neles o nosso destino?
O PS mostra-se como um poço de virtudes e um reservatório de homens honestos e bons sempre a pensar no melhor para Portugal, dedicados à causa pública e prontos a servir. Uma “ alegre” poesia tecida no interesses dos mesmos.
O PSD fala verdade a mentir, e quer ser alternância para que tudo fique na mesma usando os mesmos de sempre.
O CDS é PP, é Portas desde as feiras até aos submarinos.
O PCP mantêm - se igual a si próprio e fiel às suas cassetes.
O BE consegue o milagre de o Zé não fazer falta a não ser ao Costa.
E aquilo que vemos que nos deixa estupefactos, é que nesta crise que nos assola, com o desemprego a aumentar em flecha, nenhum deles quer efectivamente discutir Portugal as soluções, os caminhos e as éticas.
Prendem-se como sempre no “sound-byte” no cartaz propagandístico, como se o político fosse um sabonete. Prendem-se nas minudências colaterais e fúteis que na realidade só servem para manipular.
Porém, aquilo que nos é dado observar, cada vez mais, é a capacidade de os “políticos” se orientarem utilizando os cargos públicos como trampolim da sua ambição.
O Silva Lopes mesmo com 77 anos, sempre a pedir a baixa dos salários, junta agora às suas reformas e indemnização por sair de um Banco, a nomeação como administrador da EDP - Renováveis. Nós, pobres cidadãos de segunda juntamos a factura da electricidade mais cara da Europa.
O Vítor Constâncio mantém-se de pedra e cal mesmo sabendo que falhou nas funções de supervisão do sistema financeiro sendo principescamente bem pago. O trabalhador mais competente e zeloso é premiado com o desemprego e muitas vezes sem direito ao respectivo subsídio.
O Dias Loureiro continua impune como Conselheiro de Estado sendo que o PR diz que nada pode fazer. Claro que pode. Pode dizer que não confia nele. Ser claro transparente. Mas eles lá continuam a justificar o injustificável e todos nós a pagar a fraude do BPN. Mas não há dinheiro para alterar o cálculo do subsídio de Desemprego de modo abranger mais pessoas.
O caso “Freport” continua a corroer o Primeiro-ministro, o PS e o sistema Judicial. Quatro anos de inoperância da investigação tendo sido preciso uma polícia estrangeira alertar para o facto. Mas, o PM mantém a tese da cabala e arrasta a situação quando podia resolver em três dias o assunto dando luz verde às suas contas bancárias e dizendo “quem não deve não teme”.
A imoralidade da unanimidade do acordo que os deputados conseguiram em relação ao valor do financiamento dos partidos com dinheiro vivo, é absolutamente pornográfica. Quando toca ao vil metal a dialéctica torna-se unânime e o consenso um bem democrático.
Mas, os nossos pequeninos partidos, cheios de políticos pequeninos, acham que política é esgrimir frases publicitárias sonantes e isso basta para serem eleitos. Foi o bastante no passado... Porque carga de água se há-de mudar, pensará o mais inocente?
Pois pensem que devemos mudar porque em 35 anos de democracia apenas nos foi devolvido a hipocrisia, a mediocridade, a dissimulação e o aumento da pobreza. Esperança passou a ser apenas uma palavra vã em desuso, honestidade um comportamento disfuncional e a integridade uma excentricidade.
Devemos mudar porque este vosso comportamento é insustentável.
E quem de vós nos devolve a esperança?
Quem de vós nos devolve a capacidade de acreditar e contribuir para um projecto? Nenhum de vós, por mais duro que seja reconhecer esta afirmação aos olhos dos fundamentalistas partidários.
Está na altura de perceberem que se vos acabou a impunidade e a imunidade.
Nós habitamos o mundo e o mundo é a nossa tarefa. Recusamos que a solidariedade fique circunscrita às poeiras da memória, os sonhos restritos a bens de consumo e os afectos aquecidos no micro-ondas.
E sabem que mais, devolve-me a esperança acreditar que nas nossas mãos está o nosso futuro. Se não houver futuro, se não tivermos futuro, seremos como dizia o outro, "cadáveres adiados que procriam". Nós precisamos do futuro como do ar que respiramos. Transforma-se o mundo em nós e fora de nós. E nesta mudança dos tempos e das vontades temos de participar.
Não podemos participar apenas através do voto de 4 em 4 anos e/ou da militância partidária. A nossa cidadania pode-se exprimir de muitas formas independente da vossa oligarquia politico-partidária incontrolável.
"Às vezes lavando as mãos sujamos a consciência ".