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domingo, 4 de junho de 2006

Onan


Meus caros visitantes, este nosso/vosso Oeiras Local é um espaço livre e democrático para, sobretudo, falar de Oeiras.
Na verdade tanto há a dizer sobre esta maravilhosa terra, que há 36 anos me acolheu no seu seio como filho adoptivo, após uma longa jornada por montes e vales, campos e praias de Portugal, que por vezes a dúvida está na escolha.
Esta é para mim e sempre uma tarefa que considero primeira, isto é, colocada no topo da pirâmide de prioridades. Seja para enaltecer as boas obras, seja para criticar as menos boas, seja mesmo para, na minha ignorância, fazer sugestões para melhorar a qualidade de vida dos Munícipes (os técnicos, na sua imensa sapiência, que depois digam da viabilidade prática), ou apenas para falar da história de Oeiras, das minhas vivências e experiências, na esperança de que aproveitem a alguém para algo de positivo.
Oeiras está aqui e sempre estará em primeiro lugar. Para falar de outros assuntos existem 'milhentos' espaços na Internet, hoje fácil e felizmente tão acessíveis.

Contudo aqueles que me conhecem sabem que sou um espírito arrevesado. Sabem que sou um homem de apetites, que só faz aquilo que quer à revelia de qualquer comando ou instrução, tenha ela a origem que tiver. Talvez por isso sou partidariamente 'desalinhado' e não advogo ideologia nenhuma, excepto a minha própria, fruto das minhas reflexões.
Podem-me dizer que aqui é de tomates que falamos, mas se eu desejar falar de alfaces, pois é de alfaces que falo, torçam as pessoas o nariz como torcerem. Compete-me a mim a decisão sobre o que considero ser importante e pedagógico dizer, esteja ou não de 'acordo' com o que os outros entendem que é o âmbito deste ou daquele espaço. E é sobre aquilo que entendo desejável que discorro. Quem gosta, gosta. Quem não gosta, passa à frente que a estrada é longa. Se não me quiserem, basta indicarem-me a porta...
Esta introdução serve apenas para alertar que nesta prosa não vou falar de Oeiras. Pelo menos, directamente.

Hoje apetece-me discorrer sobre outra coisa. A saber, o ONANISMO.
Biblicamente, sintetizado de modo muito breve, Onan era o segundo filho de Judah. Por morte de seu irmão Er, de acordo com a lei, teve que casar com a cunhada/viúva Tamir. É, eram estranhos tempos aqueles. Mas ainda há poucas décadas, não sei se ainda é assim, na Turquia um homem tinha por obrigação tomar conta da família, mulher e filhos, de um seu irmão que falecesse.
Seja como for, a lei obrigava a que Onan não só casasse mas penetrasse a cunhada e a engravidasse, para que houvesse descendência (p.f. deixem-se de piadas ordinárias.)
Onan cumpriu a lei até onde lhe foi possível, mas no último instante cometeu o terrível e sofrido pecado de 'tirar fora' e ejacular fora do corpo da cunhada, por achar que a criança que concebesse seria considerada filha do seu falecido irmão e não sua.
Ora Deus não gostou do feito e como paga simplesmente matou Onan.
Pobre do Onan, que assim se tornou sinónimo de 'coitus interruptus'.
A questão ficaria por aqui se interpretações erróneas deste episódio bíblico não lhe tivessem também atribuído o significado de 'contracepção', sob qualquer forma, e mesmo de 'masturbação'. Entenda-se aqui 'masturbação' não só no sentido sexual mas em todos os significados que o conceito pode ter, como na expressão "masturbação intelectual", p.ex.

E é isto que, após este périplo pelo Génesis, cap. 38, nos traz de volta ao Oeiras Local.
Perguntarão muitos: mas o que é que isto tem a ver com o blog?
Apetecia-me responder: Leiam os posts e os comentários, ajuizem e consultem as enciclopédias. Mas não vos vou dar essa trabalheira. Poupo-vos o trabalho e dou eu mesmo a resposta.
Apesar de a generalidade de prosas submetidas neste blog, quer de redactores da equipa, quer as que chegam por mail, quer de comentadores, serem normalmente pautadas pelo bom senso e espírito de correcção, não insultuosas nem ofensivas, independentemente da concordância ou discordância de cada um, ou das preferências político-partidárias, como aliás se pretende que este blog seja, ideia que me parece partilhada pelos próprios visitantes, pelo menos a julgar por muitos comentários, não sendo eu psicólogo ou psiquiatra, nestes últimos tempos alguns comentários anónimos têm surgido que, pelo tom agressivo, pela provocação desinteligente, fundamentalista e de laivos hipócritas, me levam a pensar terem sido escritos por alguém frustrado e ONANISTA (sem ofensa). Onanista no sentido psicológico, de alguém que se masturba (goza) por via da agressão verbal/oral/textual, e que, obviamente, se oculta no anonimato, o que é uma característica desta tipologia onanística.
Se estou errado, alguém que mo demonstre, como e porquê. Humildemente saberei aceitar e certamente aprenderei a melhor avaliar carácteres por via da escrita.

Enfim, aqui fica a minha opinião sobre um certo tipo de comentários (anónimos.)
E como estes são livres, aproveitem para dizerem de Vossa justiça. Concordem, discordem, mas tenham opinião. Sobretudo participem. A Vossa participação é fundamental para dar a este blog o sentido que todos, maioritariamente, lhe querem dar, contra a voz do "Velho do Restelo".

P.S.: Já passei pela feira no Jardim, mas ainda não provei as ditas farturas. Terei que lá voltar, o que não vai ser nenhum sacrifício :)

José António.