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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Um bolo e um ramo de flores

No Dia Internacional da Pessoa Idosa a CMO mandou um bolo e um ramo de flores a todas as IPSS do concelho para louvar os seus idosos. Faltou a caixa de charutos, mas isso era ser-se politicamente incorrecto, embora as flores murchem e o bolo seja pernicioso para a diabetes .

Mas, ficar por aqui era pobre e vai daí nesse dia solene, anunciaram com pompa e circunstância, a criação de um serviço que se chama "Teleassistência" que chegou direitinho às mãos da Lusa para que a notícia corresse veloz.

Mas deixem-me fazer umas perguntinhas doces, porque eu não percebo nada disto, mas perguntar não ofende .


  1. O projecto "Teleassistência domiciliária" é em tudo semelhante ao criado pela Segurança Social (SS) em 96/97 de nome “Telealarme" e financiado com dinheiros dos jogos sociais.

  2. Claro que no "reinado" do sr. Pinto de Sousa, suspenderam-no, nos anos idos de 2006, porém como gostam da propaganda o programa está formalmente em avaliação (eufemismo para suspenso).

  3. O preço do serviço, daí estar "em avaliação", era: Instalação e assistência técnica gratuita, vários escalões consoante os rendimentos, sendo o preço máximo mensal de €12,47 e mínimo de € 7,50. Ficava anualmente entre €149,64 e €90, consoante o escalão.

  4. A CMO, nunca antes considerou adequado aderir ao projecto da SS, como muitos outras Câmaras fizeram. Porquê ? Não sei. Responda-me quem souber.

Em 2008, reconhece a necessidade do serviço no concelho recria-o, de forma igual mas diferente, e como já passaram uns anitos, anuncia assim o projecto:

  1. O valor da instalação - € 204 ?

  2. Na aquisição do equipamento, este projecto é comparticipado pela Segurança Social durante um ano, em situações de comprovada carência sócio-económica. ver aqui comunicado

  3. Não criaram mensalidade para o serviço prestado.

Mas, há perplexidades que eu gostava de perceber :

  1. Há empresas privadas que prestam o mesmo serviço. A instalação do equipamento custa sensivelmente € 50 e a mensalidade € 21,50. Se assinar contratos anuais fica em € 232,00.

  2. Tirando o facto da SS comparticipar aqueles que mais precisam, os valores envolvidos são quase os do mercado .

  3. Mais, não foi devidamente esclarecido o que se considera carência sócio-económica. Isto quer dizer, que rendimentos são contabilizados nessa avaliação. Os do utente ou os de outros familiares, estejam estes ou não, em coabitação. E desconfio que são muito poucos os utentes a beneficiar da comparticipação da Segurança Social .

  4. Não foi devidamente esclarecido o que acontece ao fim de um ano, a todas as situações que ainda necessitam do serviço.

  5. Na privada paga a instalação do equipamento e a mensalidade durante o tempo que necessitar do serviço. Este projecto, pressupõe o pagamento do equipamento, independentemente do tempo de serviço prestado. Se precisar um mês custa € 204, na privada € 71,50.

  6. Não esclarecem se, todos os anos eu tenho de pagar mensalidade, ou se esta é paga apenas uma única vez.

  7. Não esclarecem se é paga a chamada telefónica cada vez que se carrega no "botão".

  8. Não esclareceram a quem e ao que se destina o financiamento da CMO de € 7200 (€ 600/mês).

  9. Mais, se é um projecto no âmbito do apoio social eu gostava de saber, quanto custa o equipamento para a SS/CMO e que empresa, publica ou privada, o fornece.


E querem que eu vos diga mais: Devem fazer as continhas antes de aderirem a um serviço e tentarem descobrir os critérios de avaliação... mas já vão tarde. É que segundo o comunicado da CMO, teria de se informar a SS até 30 de Setembro, do número de idosos que se encontram nas situações de carência, e que desejavam aderir ao serviço. Ouviram falar de alguma coisa?

Bolas, que para pedirem o voto e fazerem promessas o céu é o limite. Para serem transparentes e esclarecer o cidadão... ops.. é preciso ter calma.

E eu gosto de transparência quando estão envolvidos dinheiros públicos. Sou muito curiosa. E mais, esta do bolo e do ramo de flores ficou-me no goto...