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quarta-feira, 2 de maio de 2012

O novo dia 1.º de Maio



Correio Directo

O novo dia 1.º de Maio

 

 

Ontem aconteceu qualquer coisa ‘nova’ no País. Nas ruas, as centrais sindicais assinalaram o 1º de Maio com ainda menos gente do que o habitual.


Por: Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto


No Pingo Doce, foi ignorado o Dia do Trabalhador e as lojas abriram com uma promoção que atraiu milhares. Nas ruas, protestou-se com pouco eco contra o Governo, no ‘hiper’ as pessoas acotovelaram-se contra a crise. Com zaragatas, pancada, protestos, caos. 


Uma dupla amostra, esmagadora, do habitual conformismo face à mobilização cívica e política versus a fúria açambarcadora quando se trata da barriguinha. Um aviso à navegação, este triunfo do capital sobre a política. A faísca certa pode mesmo incendiar a nossa pequena pradaria. 


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Desporto cerebral

Desporto cerebral

Dia a dia

A ministra da Educação é uma pessoa que não está a leste do sector. Tem um passado profissional que lhe dá um valor e um conhecimento específicos da área que tutela.

0h30
Por: Eduardo Dâmaso, director-adjunto


Isabel Alçada está ligada à arquitectura do ensino democrático saído da revolução de 1974 e a muitos aspectos positivos de uma visão mais ampla do processo educativo. Quando iniciou funções, teve o grande mérito político de descomprimir a tensão entre professores e Governo e lançar as bases de um diálogo mais construtivo. Daí para cá, tem tido altos e baixos.

Fechou escolas, agravando a desprotecção de populações já muito abandonadas por este ‘estado social’ que o PS tanto diz defender, aprovou ‘aumentos’ ofensivos para o apoio social escolar, mas não teve, até hoje, um momento ridículo como o que perpassa do vídeo de boas-vindas que o Ministério da Educação pôs no site. Gastar tempo e recursos públicos para gravar um vídeo a dizer que estudar "é o desporto do cérebro" e que uma boa parte do dia é "mêmo só para estudar" é ‘mêmo’ de um ridículo atroz. Podia ter aproveitado, por exemplo, para pedir desculpa aos portugueses que dependem do apoio social escolar para comprar os livros dos filhos por este, em alguns casos, ter aumentado apenas 3o ou 50 cêntimos. Isso é que era ‘mêmo fixe’.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Carlos Queiroz



Carlos Queiroz - Eduardo Dâmaso - Correio da Manhã

Dia a dia


Sejamos claros: a Selecção não sai com honra do Mundial; Carlos Queiroz provou não ter as necessárias qualidades de liderança e em mentalidade e organização regredimos ao tempo das vitórias morais. Portugal perdeu, mas principalmente destruiu a matriz do seu próprio futebol. O jogo que a Espanha apresenta é a ba-se de uma arte tipicamente nossa agora dominada por Villa e Xavi.

0h30
Por:Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto


Eles hoje jogam maravilhosamente e nós passámos a jogar como há vinte anos: cheios de medo, acantonados na defesa, sem espaço para o talento. O grande responsável por isso é Queiroz, que sendo um profissional decente não tem a agilidade e a cultura táctica suficientes para se adaptar às contingências do jogo.

A Selecção atingiu um patamar de exigência que a obriga a conquistar resultados mas também a dar espectáculo, a oferecer o sonho. Queiroz não obteve nada disso e, pior, saiu do Mundial com um motim no balneário que agora tentam apagar exigindo declarações de conveniência a Ronaldo e outros. Podemos achar inadequado, mas Ronaldo tem razão no que disse. Tal como Hugo Almeida no desmentido a Queiroz. Agora, vão todos ter de superar o impossível e chegar a uma trégua que não acontecerá. Pelo menos em termos que a tornem uma vantagem para a Selecção, que é algo que ninguém está a pôr em primeiro lugar.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Brincar com coisas sérias


Brincar com coisas sérias - Opinião - Correio da Manhã


Dia a dia
00:30

Uma das coisas cada vez mais insuportáveis desta conjuntura sinistra que vivemos está na destruição do pouco que ainda funciona. A forma como Mota Amaral comparou o trabalho da Polícia Judiciária ao da PIDE, no encerramento da comissão de inquérito PT-TVI, é disso um lamentável exemplo.


Mais lamentável ainda foi a forma como este PS rejubilou com a ‘blague’, transformando Amaral num inesperado antifascista por ter pertencido, imagine-se a ousadia, à ala liberal da primavera marcelista que queria uma evolução do regime mas não o seu fim. O desnorte é total quando o pragmatismo político, caso do PS, prevalece sobre os valores e ofende o trabalho sério de profissionais que nunca olharam a sacrifícios para cumprir a sua missão de serviço público.

De uma vez por todas, os partidos têm de decidir o que querem da Justiça. São capazes de suportar uma verdadeira separação de poderes e uma investigação criminal independente, condicionada apenas pela lei, ou preferem criar uma mera extensão do poder de cada maioria parlamentar? Em vez de andarem a brincar com coisas sérias, é melhor que se definam. E, já agora, que clarifiquem: as escutas servem para investigar o terrorismo e a droga mas não o crime económico e político? Como eleitores e contribuintes, os portugueses precisam de saber.


Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Estado de má-fé

Estado de má-fé - Opinião - Correio da Manhã


Paulo Portas quer unir a oposição contra a retroactividade da legislação fiscal que o Governo aprovou e faz bem. É uma boa luta e uma boa escolha de combate político.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quanto vale um curso?


0:30

Setenta por cento dos funcionários da nova loja do IKEA, em Loures, são licenciados. Todo o trabalho é digno, sobretudo nos tempos que correm, mas setenta por cento daqueles jovens andaram a estudar para se especializar noutras profissões. Investiram dinheiro, tempo, expectativas de uma vida profissional próxima daquilo que sonharam sem que a economia real os consiga enquadrar em função dos conhecimentos que adquiriram.


Tiveram a sorte de conseguir emprego, é certo, por entre um vastíssimo leque de candidatos, mas engrossam uma fileira estatística que mostra o fosso cada vez maior entre o ensino e a vida activa. Não é só o número de jovens licenciados no desemprego que todos os dias cresce. É também o número de jovens licenciados que não arranja trabalho na área dos seus cursos. É este divórcio entre ensino e economia, este sinal tremendo de uma economia com baixa incorporação de conhecimento, sem inovação tecnológica e sem competitividade, que nos liquida a esperança de sair do buraco em que entrámos nos últimos dois anos. O problema não está só no déficit das contas públicas. Está nesta economia anémica que desvia a sua juventude para um patamar de ambição que se limita à mais elementar das sobrevivências. O sonho, esse, tornou-se proibido!



Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O caso dos gravadores



O caso dos gravadores - Opinião - Correio da Manhã


Dia a dia
0:30


O deputado Ricardo Rodrigues é homem de muitos talentos aos quais deve, agora, ser acrescido o de transformar uma subtracção de gravadores a jornalistas num queixume sobre as malfeitorias destes ao Estado de Direito.


O Estado de Direito, aliás, na boca do deputado Rodrigues e de outros apaniguados, só funciona num único sentido: o que lhes interessa. Não é de hoje nem de ontem que o deputado Rodrigues usa e abusa do Estado de Direito para tentar criar um Estado de excepção para dirigentes políticos. Tentou, e nalguns casos conseguiu, durante toda a legislatura passada, moldar o Código Penal e de Processo Penal com artigos de protecção inter-pares em matéria de investigação criminal a políticos.

Este homem, que faz parte do Conselho Superior do Ministério Público e foi nomeado para consultor do primeiro-ministro em matéria de segurança interna, foi o verdadeiro centro de poder na área da justiça, num quadriénio que passará à história como o mais desastrado de sempre para o sector. Rebentou com um ministro da Justiça fraco e transferiu o poder para S. Bento, de onde foi conduzida uma sistemática tentativa de domesticação da investigação criminal. Este é o homem que manda calar Maria José Morgado quando esta colabora com uma comissão parlamentar. Este é um homem perigoso para o Estado de Direito.



Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto