Caros amigos,
Segue em anexo um arquivo contendo um artigo de jornal e várias imagens de maquetas e desenhos do projectado loteamento da Fundição de Oeiras, que vos peço o favor de publicarem no blogue.
Este projecto está a consulta pública até dia 12 de Junho, Espero que esta informação possa contribuir para tornar ainda mais clara o carácter monumental e desajustado deste projecto e para que se possa perceber o efeito, que eu diria devastador, que este irá ter nas nossas vidas, caso não consigamos impedir a sua implementação nos moldes aqui apresentados.
Moro em Nova Oeiras desde que nasci e sinto este projecto como uma verdadeira descaracterização desta área e de toda a paisagem envolvente.
Para além da demolição da fundição e da construção de prédios e torres de grande volumetria (2 delas com 25 andares) bem documentada nas imagens, o projecto prevê o arranjo das zona envolventes com viadutos de atravessamento da linha férrea - um deles a começar no acesso Sul da Alameda Conde de Oeiras e outros a passar por baixo da ponte do comboio - um silo auto a implantar no velho picadeiro com - entre outras nefandas consequências - o abate de um enorme plátano, quiçá já centenário, a destruição da pequena ponte que atravessa a ribeira da laje junto à entrada principal do parque de Oeiras e que liga duas rotundas menores - cada qual do seu lado da ribeira - para dar lugar a uma majestática e hiperbólica rotunda, entre outras pequenas-grandes alterações e inovações.
Parece-me que este projecto, a ir avante, representa por um lado a destruição de uma memória importante do que foi e do que é Oeiras, de uma paisagem característica de horizontes relativamente desafogados, de um certo modo de estar que contribui para enformar as vivências, a história, o modo de olhar as coisas, o carácter de quem aqui vive sendo portanto um bem moral, interior de cada um – pelo que será aqui infligido um importante dano não patrimonial -, mas, também e objectivamente, representa uma marcada degradação da qualidade de vida das pessoas que aqui vivem e das que poderão para aqui vir viver, com a deterioração da qualidade ambiental resultante do aumento do fluxo automóvel e de pessoas, uma vez que partimos de uma situação em que já ultrapassámos o limite do número de pessoas e tráfego que esta área pode comportar para que se possa viver com qualidade de vida.
Por estas razões penso que é importante que todos façam ouvir a sua voz, dirigindo-se à Câmara Municipal de Oeiras, até dia 12 do corrente, e inscrevendo o que se lhes aprouver dizer sobre este assunto, para que tal possa ser tomado em consideração no momento da apreciação do projecto pela Assembleia Municipal.
Julgo mesmo que teria todo o cabimento a formação de um grupo de acompanhamento deste projecto com o objectivo de impedir a sua realização nos moldes expostos e de minimizar os impactos sobre a zona, sempre numa perspectiva positiva e construtiva sem, no entanto, esquecer os fins em vista. Sabem, por acaso se já existe um grupo com estas características? Caso já exista semelhante grupo de pessoas eu teria muito gosto em integrá-lo. Caso contrario tentarei eu mesmo essa iniciativa.
Parabéns pelo blogue e obrigado pela vossa atenção.
Cumprimentos,
João Carlos Neves



