É quando estás de joelhos
que és toda bicho da Terra
toda fulgente de pêlos
toda brotada das trevas
toda pesada nos beiços
de um barro que nunca seca
nem no cântico dos seios
nem no soluço das pernas
toda raízes nos dedos
nas unhas toda silvestre
nos olhos toda nascente
no ventre toda floresta
em tudo toda segredo
se de joelhos me entregas
sempre que estás de joelhos
todos os frutos da Terra.
Francisco Simões - Escultura
David Mourão-Ferreira - Poesia
Nota- Imagem e texto do catálogo "EXPOSIÇÃO 1995", publicação da LIVRARIA-GALERIA VERNEY, OEIRAS - C.M.O.