Morais pega da sua caneta Montblanc, comprada na Feira de Carcavelos, uma oferta de quem gostava dele, e exarou o seguinte despacho, no canto superior direito da folha de rosto do estudo que a Comissão Independente do SATU (sem aumento tamos uixados) lhe apresentara: "Concordo. Façam o Edital e afixe-se nos sítios do costume". Ainda com o charuto na boca, avisou decidido na sua brandura doce mas precavida - "Desta vez ponham que sou licenciado em Direito. Magistrado reformado do Ministério Público é só para o Tribunal ".
Nem nos seus momentos de maior fraqueza, nunca Morais, confessaria que estava a condescender, embora com as eleições à porta todos os cuidados fossem poucos.
No sombrio e triste momento que se seguiu pensou para com os seus botões: "Ninguém anda lá, também se aumentarmos o preço dos bilhetes não perco votos".
E foi assim que a ideia fatal lhe ocorreu, mesmo sabendo que desde o início o SATU era um fiasco e um sorvedouro de dinheiro. No meio da pêra aparada apareceu um leve sorriso enternecedor, e disse num murmúrio: "Eu não me chame Morais se não encho ainda o SATU com o pessoal de Cabo Verde que vem testemunhar a Tribunal e tiro umas fotos para pôr no Oeiras Actual.