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sábado, 26 de junho de 2010

Roubar para a estrada

Roubar para a estrada - Joana Amaral Dias - Correio da Manhã

Pensar Alto


Independentemente dos prós e contras das SCUT e antes que o governo volte a mudar de opinião, agradeciam-se algumas respostas (a remeter para o Ministério):

0h30
Por: Joana Amaral Dias, Docente Universitária


1) Se grande parte das receitas arrecadadas com as portagens nas SCUT viriam dos utilizadores regulares, para que serve isentar esses mesmos casos?

2) Se essas verbas deixam de ser significativas, não seria melhor renegociar os contratos com os privados? Ou cobrar impostos temporários aos concessionárias das auto-estradas?

3) Tal como a via verde, o chip só tem utilidade para quem circula habitualmente em algumas estradas. Mas se os utilizadores regulares são isentos, a quem interessa esse dispositivo, para além da empresa que o produz?

4) Por que motivo a condição de ‘residente’ não é também aplicada aos utilizadores regulares da ponte sobre o Tejo, por exemplo?

5) E os ‘utilizadores excepcionais’ como os turistas? Também serão obrigados a comprar um chip?

6) Os milhões que o Estado gastou com as SCUT e com os sistemas electrónicos de cobrança não pagariam boas estradas alternativas?

7) Será que este Governo não pode também fazer-se à estrada, instalando previamente um chip, um que apite sempre que tentar entrar no País?

pensaalto@ gmail.com

sábado, 8 de agosto de 2009

Ao Deus Dará



CM 08 Agosto 2009 - 00h30

Pensar Alto

Este governo sofre do complexo-lantejoula. Muito baile tecnológico, deslumbre Magalhístico, salões Simplex’s. Poucas reformas transformadoras. Essas não enchem o olho. Demoram e são laboriosas. A justiça é um exemplo. A saúde mental é um caso.


O executivo anunciou, com o habitual lustre, que retiraria os doentes mentais dos hospitais psiquiátricos e reinseri-los-ia na sociedade, seguindo as melhores práticas. Agora, revelam-se as reais intenções. Dezenas desses desinstitucionalizados, muitos incapazes, foram largados num lar com 40 pessoas de lotação e que albergava 142. Várias na cave. Cuidadas por pessoal sem formação. Idosos e doentes crónicos amontoados tipo aviário. Enfim, mais um lobo vestido de cordeiro: esta reforma diz-se moderna mas visa poupar à custa dos mais frágeis. Entretanto, persiste a ausência de respostas para maioria das pessoas com doença mental grave.

O melhor barómetro duma civilização é a forma como lida com os que não conseguem reclamar. Aliás, o século XX travou o "tratamento" de doentes mentais como animais, até então vistos como destituídos da essência humana (razão ou alma). Mas o governo recua para a Idade Média ao mandar os sem-voz para as trevas e caves. E, nesses quartos-escuros, pouco ilumina o cintilar das lantejoulas.

Joana Amaral Dias, Docente universitária (pensaalto@gmail.com)