terça-feira, 17 de novembro de 2009

APCA - Associação de Protecção aos Cães Abandonados

Bulletin
by Ana Pino


Caros sócios, padrinhos e amigos da APCA,

É com muito prazer que vos endereçamos este convite para o almoço anual da APCA que terá lugar no Centro Cultural de Cascais, no próximo dia 22 de Novembro (Domingo), pelas 13h. O almoço tem um preço por pessoa de €30 e as receitas revertem para os cerca de 200 cães albergados no nosso canil. O convite é extensível aos v/ familiares e amigos.

Teremos um buffet de frios e quentes que será certamente do v/ agrado. Teremos rifas, algumas surpresas e prometemos bom convívio e muita conversa sobre cães, esses nossos grandes amigos.

As inscrições poderão ser feitas por telefone ou email para os seguintes contactos até ao dia 20 de Novembro:

934738758 – 214690075 ou para info@apca.org.pt

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Uma questão de honra

Opinião







JN 00h30m

Mark Felt foi um daqueles príncipes que o sólido ensino superior norte-americano produz com saudável regularidade. Tinha uma licenciatura em Direito de Georgetown e chegou a ser uma alta patente da marinha dos Estados Unidos. Com este formidável equipamento académico desempenhou missões complexas no Pentágono e na CIA.

Durante a guerra do Vietname serviu no Conselho Nacional de Segurança de Henry Kissinger. Acabou como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda. Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate. Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão. Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra. Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. Felt começou a orientar em segredo os repórteres do Washington Post quando constatou que todo o aparelho de estado americano tinha sido capturado na teia tecida pela Casa Branca de Nixon e que, com as provas a serem destruídas, os assaltos ao multipartidarismo ficariam impunes. A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais. Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis. Em tudo. Se os mecanismos judiciais ficarem entregues a si próprios, entre pulsões absurdamente garantisticas, infinitas possibilidades dilatórias que se acomodam nos seus meandros e as patéticas lutas de galos, os elementos de prova desaparecem ou são esquecidos. Os delitos ficam impunes e uma classe de prevaricadores calculistas perpetua-se no poder. Face a isto, há quem no sistema judicial esteja consciente destas falhas do Estado e, por uma questão de honra e dever, esteja a fazer chegar à opinião pública elementos concretos e sólidos sobre aquilo que, até aqui, só se sussurrava em surdinas cúmplices. E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais. Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer. Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis. E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte. Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever e faça cair este governo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Casamento abençoado

"Não há divórcio que entre!"

Jantares grátis!


(Carregue nas imagens e espante-se!)
Pública - Jornal Público - 15-11-2009
NO COMMENTS!

Aonde vamos parar?




(carregue nas fotos para ler as declarações de Isabel Meirelles)

Na viagem de regresso a Lisboa, para passar o tempo, resolvi ler os jornais. Dei de caras com uma reportagem na revista "Pública" que acompanha o jornal ao domingo, intitulada "Isaltino - Eu próprio me questiono se votaria num cidadão condenado".

Desenganem-se aqueles que pensam que vou reproduzir no OL a reportagem, quiçá encomendada pelo gabinete de comunicação do edil.
Na realidade estou muito farta dos repetidos argumentos nomeadamente o terem sido votados em eleições, para se escudarem à responsabilidade de prestar contas pelos actos ilícitos que praticaram. No caso de Isaltino Morais esses até foram confessados pelo próprio.

Mas, se a reportagem descrevia lugares comuns, banalidades tristes, ressalta o depoimento de Isabel Meirelles. Põe o dedo na ferida e claramente dá nome identificando aqueles que, sem um pingo de ética, militam apenas para o emprego. E Isaltino é um "mãos largas" no que toca a distribuir benesses.

Até agora, não "choro" o meu voto em Isabel Meirelles, que tem tido a coragem de dizer alto e bom som o que pensa, doa a quem doer.

E porque ninguém fala e todos se calam volto a perguntar:
  • Quantos acordos com o IOMAF fez o PSD nas Juntas de Freguesia?
  • Quais as Juntas de Freguesia que a "so called" oposição PSD se juntou ao IOMAF de Isaltino a troco de alguns lugares?

Responda quem quiser. Está aberta a discussão.

E já agora sr. Isaltino Morais responda lá à questão que Isabel Meirelles coloca: "Qualquer dia é permitido matar em nome da obra? Aonde vamos parar?

Movimento de apoio a Gonçalo Amaral lança petição na Net

Maddie: Movimento de apoio a Amaral lança petição na Net

O movimento "Cidadãos apoiam Gonçalo Amaral", ex-inspector da Judiciária que investigou o caso "Madeleine McCann", informou hoje, sábado, que colocou duas petições online para entregar na Assembleia da República, Parlamento Europeu e no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Imagem DN

Assine a Petição aqui

A verdade da semana

"O jogo começou zero a zero"


(Carlos Queiroz, seleccionar nacional, há minutos na Sic notícias)

O TEMPO DO MUNDO ÀS AVESSAS

Artigo de Opinião - Diário de Noticias - 4/2/2008
(Enviado por mão amiga)


João César das Neves
professor universitário
naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Dona Fernanda, então por aqui? Agora me lembro, ainda não lhe dei os parabéns pelo seu homem. Vi-o no concurso da televisão. Que honra! Muitos parabéns! Fiquei orgulhosa como se fosse meu!

- É verdade, dona Cátia. Estamos muito contentes. Foi muito bom, até para compensar a desgraça da minha irmã. Não sabe? Imagine que o marido dela é administrador de um banco.

- Não me diga! Que vergonha! Mas qual? Daquele criminoso, o BCP?

- Olhe nem sei bem. Mas aquilo é tudo a mesma gente. Coitada da minha irmã, anda muito ralada! Felizmente que o amante está muito bem. Era segurança num bar, mas agora conseguiu ficar dado como deficiente por causa de uma sova que levou e o subsídio é excelente.

- Ainda bem! Que sorte! Olhe, essa sorte não tenho eu. Ando muito preocupada com o meu sobrinho. Não, não é com o homossexual. Não, esse está óptimo. Foi ao estrangeiro casar com o amigo e agora até estão a pensar adoptar uma criança por lá. O que me preocupa é o outro, o Zé. Tem um restaurante, imagine. Um restaurante de luxo.

- Ai, coitado! Em que se havia de meter! E tem tido muitas queixas?

- Pois. Calcule que nem sequer usava sabão líquido nas casas de banho e os exaustores são de baixa extracção. Estou com medo que mais cedo ou mais tarde acabe na cadeia, pobrezinho!

- Compreendo, compreendo. As ralações que temos! E então o que é que a traz por cá? Eu vou agora ali à direcção da escola queixar-me. Veja lá que a minha filha me disse que lá na escola não há máquinas de distribuição de preservativos na casa de banho das raparigas. Só na dos rapazes. Não é uma vergonha?

- Um escândalo. Depois se há problemas a culpa é dos pequenos! Eu também tenho de lá ir mas, infelizmente, é derivado ao comportamento do meu Ronaldinho.

- Não me diga que ainda é por causa da gravidez?

- Não, que ideia. Isso está tudo resolvido. Eles os dois trataram a questão com muito bom senso. Nem pareciam ter 13 anos! O aborto correu muito bem e o meu rapaz até já arranjou outra namorada bastante mais velha. Não, o que me preocupa é aquele grupo com que ele anda.

- Qual? A banda de rock satânico? Oh, minha amiga não se apoquente com isso. Nós lá em casa até dissemos ao nosso rapaz para criar uma. Antes isso que andar pelos ATL da paróquia com aqueles beatos a meter patranhas na cabeças dos miúdos. Na banda é muito mais seguro e saudável. Não só é artístico, como abre horizontes e um dia, quem sabe... Olhe, não me preocuparia nada com isso.

- Não, não é isso. Nós também estamos muito satisfeitos por ele andar com a banda. É um excelente meio de educação. Ao princípio ainda me chocavam um bocado as letras das canções, a falar de suicídio e sangue, mas agora até acho graça. Rapazes são rapazes, não é? Não, é muito pior. Ele também anda metido em coisas mesmo graves com aquele outro grupo clandestino. Já ouviu falar, não? Aquele grupo de fumadores que no outro dia até apareceu no jornal por um deles fumar dentro do metro.

- Que horror! O seu filho fuma? Mas isso faz imenso mal à saúde e polui o ambiente. Então ele não pensa no aquecimento global? Esta juventude está perdida!

- Eu sei, eu sei! Tentámos tudo para o afastar do vício, mas nada. O meu marido até quis ver se o interessava em blogs pornográficos, chats neonazis e outras coisas que fossem também um bocadinho subversivas e clandestinas mas não fizessem tanto mal. Mas nada! Ele não larga o cigarro! A culpa é do meu homem e eu já lhe disse. Imagine que quando o miúdo era pequeno lhe dava pistolas e outros brinquedos de violência. Claro que tinha de ter esta consequência, não era?

- Que horror! Imagino como anda apoquentada. E nos estudos, que tal anda ele? Os meus antigamente era um castigo. Davam muitos erros de ortografia mas isso agora, com este novo programa para o insucesso escolar, deixou de criar problemas porque já não conta. E, mesmo na Matemática, o que interessa é a criatividade dos miúdos. Se os professores explicam mal que culpa têm os pequenos?

- Eu digo o mesmo. Se eles depois acabam todos no desemprego, ao menos gozem a juventude.

CDS/PP: Portas acusa PSD de "ceder" ao PS na avaliação dos professores

14 de Novembro de 2009, 18:36

Golegã, Santarém, 14 Nov (Lusa) - O presidente do CDS-PP acusou hoje o PSD de ter "cedido" ao PS na matéria da avaliação dos professores e recusou falar do "caso das escutas" alegando que o seu partido tem uma "agenda focada".

Paulo Portas, que hoje visitou a Feira Nacional do Cavalo, na Golegã, disse estar "focado" em questões como a não entrada em vigor a 01 de Janeiro do Código Contributivo, a suspensão do modelo de avaliação dos professores e na salvação do Programa de Desenvolvimento Regional (Proder).

"Uns têm como agenda as escutas, eu tenho problemas focados", disse, recusando comentar o caso das escutas ao primeiro-ministro e criticando o facto de, na mesma semana, o PSD "praticamente ter chamado corrupto ao PS" e depois "ceder na questão dos professores".

Jornal do Pau Para Toda A Obra: EM CHEIO

Jornal do Pau Para Toda A Obra: EM CHEIO

sábado, 14 de novembro de 2009

2009 – Algés – 38

Vicissitudes de um caixote de lixo

Aqui há dias o caixote de lixo da Rua Conde Rio Maior ficou sem tampa.

Avisei a CMO e a Junta de Freguesia que me confirmaram terem tomado boa nota do assunto.

Hoje, sábado, pelas 11:00 chegou uma camioneta.

Saiu um funcionário que imediatamente colocou a tampa no seu lugar e verificou a anomalia.

Voltou à camioneta.

E com novas ferramentas

tentou consertar a fixação da tampa, mas não conseguiu. E o funcionário e a camioneta foram-se embora levando a tampa e ficou o caixote sozinho e destapado.


Pensamento: Roma e Pavia não se fizeram num dia (O caixote sem tampa tem os dias contados).

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Jornal do Pau Para Toda A Obra: CARMINDICES

Jornal do Pau Para Toda A Obra: CARMINDICES

Fundação Marquês de Pombal

Linda-a-Velha - Estação de Serviço em prédio de habitação

Da caixa de comentários


2009/11/11 Anónimo

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "BANCO DE VOLUNTARIADO":

a junta de freguesia de linda-a-velha, que funciona tão bem como diz para aí um senhor, só é pena que não resolva o problema das bombas de gasolina instaladas em plena Av.25 de Abril, uma zona por si só já com um nível de poluição bastante elevado e como se não bastasse 2 bombas instaladas junto a habitações.
Será que o Sr. presidente da junta não tem noção do perigo e dos danos causados a quem aqui vive.......

Publicada por Anónimo em OEIRAS LOCAL a 11 de Novembro de 2009 11:49


No dia 11 do corrente reenviámos o comentário supra ao actual executivo da JFLaV.

Sócrates mentiu ao Parlamento sobre a TVI



Face Oculta

Por Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita



As escutas do processo ‘Face Oculta’ provam que o primeiro-ministro faltou deliberadamente à verdade quando disse no Parlamento que desconhecia o negócio da compra da TVI pela PT, avança a edição do SOL desta sexta-feira »»»

Greve de apetite

Opinião





00h31m

Hugo Marçal é uma das mais patuscas notoriedades do processo Casa Pia, onde já ocupou diversas posições (primeiro foi advogado, depois, arguido; e, dando largas à imaginação, só não foi juiz porque entretanto chumbou no acesso ao CEJ…). Quando o processo Casa Pia der origem ao filme que se impõe, uma tragicomédia, Marçal há-de ser uma dessas personagens secundárias que, como o anjo de segunda classe Clarence de "It's a wonderful life", de Frank Capra, valem, por si só, um filme. Desta vez Marçal saltou para as páginas dos jornais em notícia a 3 colunas do "24 horas" com o título de "Hugo Marçal fez greve de fome até ao almoço". Inconformado com um processo disciplinar de que está a ser alvo, sentou-se, supõe-se que cerca das 11 da manhã, à porta da Inspecção-Geral de Educação declarando-se "em greve de fome". E ali ficou até à hora do almoço, altura em que decidiu terminar a greve e ir comer qualquer coisa. Não foi bem uma greve de fome, foi mais uma greve de apetite. Também faço greves dessas várias vezes ao dia. Como é que nunca me lembrei de aproveitar para exigir qualquer coisa ao Governo?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Portugal Tóxico


Estive fora deste concelho duvidoso e deste país ainda mais duvidoso durante algumas semanas.

De vez em quando faz-me falta respirar um pouco de ar puro e oxigenar a mente. Regresso mas rapidamente fico com vontade de embarcar de novo e zarpar.


Depois do acto masoquista a que os Oeirenses se prestaram nas últimas eleições dou de caras com o lamaçal tóxico em que se encontra o Governo da República ou a Central de Negócios (como ouvi alguém chamar) do sr Arquitecto, perdão, sr Engenheiro José Sócrates.


Nas ruas deste país manhoso só de máscara tal o cheiro nauseabundo que paira no ar.
Não há nada a fazer. Esta espécie de país não tem futuro.

Num país de tradição agrícola e vocação marítima, permitimos a destruição da agricultura e o abate da nossa frota a troco de fundos que foram parar a bolsos sem fundo, maltratamos as nossas crianças (Casa Pia), abandonamos os nossos velhos, permitimos que destruam o nosso património natural centenário (caso dos sobreiros), emparedamos a nossa orla marítima ao sabor dos patos-bravos, permitimos o roubo descarado dos nossos impostos (submarinos, contentores... ), etc. etc. etc.

Vivemos num país duvidoso de gente manhosa, minado pela corrupção e pela falta de princípios básicos de civilidade e educação.

Não há nada a fazer. Esta espécie de país não tem futuro.

Da vida real

12 Novembro 2009 - 09h00

Mudou-se


Não gosto nem da forma nem da substância da actividade governativa do primeiro-ministro.

Sou adversária política do Partido Socialista. Esse facto nunca me impediu de reconhecer – quando me deparei com ela – a qualidade de alguns dos seus agentes políticos e até o mérito das respectivas acções. O mesmo vale para os demais partidos do espectro político nacional. E o facto de ser militante do PSD também nunca me inibiu de discordar do meu Partido quando a minha consciência ou o que eu entendia ser a prossecução do interesse público assim o ditavam.

Quer isto dizer que não confundo adversários políticos com inimigos, nem diferenças de ideias com guerras. Nem para mim, o que outrem faz, apenas porque provém de outro partido, está mal por definição. Longe disso. Uma boa medida ou um bom projecto são bons para o País e para as pessoas, ou não. E se são, há que apoiar. Se não são, há que criticar e apresentar alternativas.

Isto clarificado, tenho de dizer que não gosto nem da forma nem da substância da actividade governativa do primeiro-ministro, basicamente porque não lhe reconheço um projecto digno desse nome para o País e porque a arrogância me incomoda. Aliás, sempre entendi a arrogância como uma espécie de fraqueza.

Mas gosto ainda menos de ver uma das mais altas individualidades do Estado envolta em suspeitas e dúvidas (justas ou injustas), corrosivas da confiança dos Cidadãos na Democracia e demolidora para as Instituições. As desgraças dos adversários políticos não me contentam nem um pouco. E ainda se fossemos um País com um tecido social forte, sempre a sociedade teria respostas independentes e lá estaria, por si. Agora, um País habituado a depender dos Poderes Públicos, estando parte das estruturas e agentes políticos, ao mais alto nível, sob suspeita, é insustentável. Há clarificações que a transparência exige. Mesmo que o Governo apareça agora aparentemente tão dócil, tão dialogante, nada apaga esta situação dramática.

Como dramática é a cautela e o meio silêncio de quase toda a Oposição, em torno de mais um processo de dimensões demenciais. E o ponto é que nada disto vai ficar por aqui, como veremos.

Há demasiadas faces ocultas cuja máscara ainda não caiu. No Portugal de hoje, nós, todos, desconfiamos.

E a confiança é um factor essencial ao desenvolvimento económico e cívico; mas essa, agora, não mora aqui.

Procurou locais menos poluídos.


Paula Teixeira da Cruz, Advogada

Isabel Alçada e a avaliação

"Comunicaremos com as escolas para que não haja trabalho que não corresponda às necessidades efectivas, que não tenha consequências", declarou a ministra da Educação, Isabel Alçada, em conferência de imprensa, ao final da tarde de ontem, depois de ter recebido 13 organizações sindicais de professores numa verdadeira maratona de nove horas.

Esta abertura negocial traduz a vontade do Governo de continuar a liderar um processo onde jogou parte do seu capital político na última legislatura, não deixando à oposição grande margem de manobra para suspender a avaliação. Mas também é fruto das novas condições de governação, já sem maioria absoluta e onde dificilmente a nova equipa ministerial conseguirá impor modelos de cima.
Público

Cronologia de um golpe

Por Pedro Lomba


Acto I. Estamos a 3 de Outubro de 2004 e José Sócrates é eleito líder do PS. A 9 de Outubro, Armando Vara regressa à direcção do partido pela mão de Sócrates. A 20 de Fevereiro de 2005, o PS vence as legislativas com maioria absoluta. A 2 de Agosto de 2005, há mudanças na Caixa Geral de Depósitos: Teixeira dos Santos afasta Vítor Martins e Vara integra o "novo" conselho de administração. A maioria dos membros desse conselho é afecta ao PS.

Avancemos no tempo. Grande plano. No primeiro semestre de 2007, a Caixa financia accionistas hostis ao conselho de administração em funções no BCP. Cresce o peso do banco do Estado no maior banco privado português. Vara e Santos Ferreira são incluídos em lista concorrente nas eleições para o conselho executivo. O jornais falam no financiamento da Caixa ao empresário Manuel Fino que apoia Santos Ferreira.

A 15 de Janeiro de 2008, Armando Vara é eleito vice-presidente do BCP. Segundo documento divulgado pelo próprio banco, ficam a seu cargo as competências executivas mais relevantes. Armando Vara coloca-se precisamente no coração dos movimentos de créditos, dívidas, compras e vendas de acções e activos. No centro do fluxo de todos os interesses e influências.

Chegados aqui, com os actores certos nos papéis certos nas duas maiores instituições de crédito nacionais (CGD e BCP), tudo se torna possível. O primeiro golpe foi concluído. Começou então o segundo.


Acto 2. Com as possibilidades que o controlo do BCP oferece, o recém-chegado grupo Ongoing, que entretanto adquirira o Diário Económico e já tinha uma posição no grupo Impresa (SIC, Expresso, etc.), é financiado para novas acções. Com o grupo Ongoing: José Eduardo Moniz sai da TVI e controla-se a Media Capital, depois de uma tentativa de aquisição pela PT abortada pelo Presidente e pela oposição. Em Fevereiro de 2009 torna-se possível ajudar o empresário Manuel Fino a aliviar os problemas financeiros (em parte criados pelo reforço da posição no BCP) junto da CGD prestando uma dação em pagamento com acções suas valorizadas cerca de 25 por cento acima do preço de cotação e com opção de recompra a seu favor. Torna-se também possível ajudar o "amigo Oliveira" a resolver os problemas financeiros do seu grupo de media (Diário de Notícias, TSF, Jornal de Notícias).

Tudo factos do domínio público que muitos a seu tempo denunciaram. Sócrates respondia com a cassete familiar: "quem tem procurado debilitar os órgãos de supervisão, lançando críticas à sua actuação no BCP, está a fazer "política baixa"".

Política baixa, diz ele. Estamos perto do fim desta operação bem montada. Sócrates ganhou de novo as eleições. Mas este encadeamento todo precisava de confirmação. Incrivelmente, nas escutas a Armando Vara no caso Face Oculta, eis que surge a arma do "crime" libertando fumo: "O primeiro-ministro e o "vice" do BCP falaram sobre as dívidas do empresário Joaquim Oliveira, da Global Notícias, bem como sobre a necessidade de encontrar uma solução para o "amigo Joaquim". Uma das soluções abordadas foi a eventual entrada da Ongoing, do empresário Nuno Vasconcellos, no capital do grupo. Para as autoridades, estas conversas poderiam configurar o crime de tráfico de influências". (Correio da Manhã, 7 de Novembro).

Escutas nulas, disse o Supremo. Os factos, meus amigos, é que não são. Jurista


A partir de hoje, Pedro Lomba passa a assinar esta crónica no PÚBLICO, neste espaço, duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras