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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

a foto que fascinou o 'povo'...

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Aquela enorme fotografia aérea da Fundição de Oeiras e zona envolvente, com data provável de finais dos anos 50 ou inícios dos anos 60 (a), deve ter sido das coisas mais olhadas, suspiradas e fotografadas na recente visita guiada à Fundição de Oeiras, promovida pela Espaço e Memória.

É inaudito o fascínio que exerceu sobre os visitantes, bem como duas outras enormes fotografias aéreas das obras de ampliação efectuadas, uma de Abril de 1956 e outra de Abril de 1966, expostas na sala contígua. A sensação de viajar no tempo quando se olha para aquela fotografia é absolutamente indescritível. Sê-lo-á sobretudo para aqueles que conheceram Oeiras assim - falei com algumas pessoas daquela época. Também eu não resisti a fotografar aquela magnífica imagem, aquela máquina do tempo, da qual o nosso leitor F. Lopes já tinha enviado também uma fotografia que aqui publicámos há dias.

Eu, como gosto de ter 'trabalho', não me fiquei pelo fraco resultado obtido com as fotografias que fiz e quis ir mais longe. Nomeadamente oferecendo uma imagem total, sem a perturbadora presença deste vosso humilde escriba. :) Alguns 'passes de mágica' em Photoshop numa das minhas fotografias permitiram-me obter a imagem que mostro aqui. Mas a minha ideia era ir mais longe ainda. Queria fazer a comparação com a actualidade.

Na impossibilidade de alugar um helicóptero ou um zepelim para fazer uma fotografia aérea a partir do mesmo ponto aproximado de onde foi tirada a original dos idos 50/60's, resolvi a 'coisa' recorrendo ao incontornável Google Earth (b), ao qual fui buscar uma vista aérea da zona considerada, tirada de um ponto de visão a cerca de 1.230 metros de altitude - a fotografia de época, assim a 'olho', parece-me coisa para ter sido tirada a uns 200/300 metros de altura.

Nela (Google) apresento - aproximadamente, é claro - traçada a vermelho a zona abrangida pela vetusta fotografia exposta na Fundição. Nesta projecção a posição relativa do avião é o canto superior direito da imagem - do lado do traço mais curto.

Divirtam-se a comparar as duas fotografias. É uma espécie de passatempo tipo "descubra as diferenças":



notas:

(a) O Bairro 'velho' da Medrosa é visível no canto superior esquerdo da fotografia. Segundo testemunhos que me deram foi construído por volta de 1958-60; O quarteirão onde fica o Café Agar ainda não existia nesta fotografia. Também de acordo com alguns testemunhos foi construído por volta de 1967; O Bairro 'novo' da Medrosa, contíguo ao Bairro 'velho' ainda não existia nesta fotografia. Foi inaugurado em 1971. Isto permite datar a foto entre 1958-1967.
(b) Apesar do © ser 2007, esta imagem do Google deve ser anterior, talvez de 2005.

imagem: © josé antónio / comunicação visual - CLIQUE PARA AMPLIAR
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sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Fundição de Oeiras - visita guiada

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Caro Visitante,
Venho lembrar que é AMANHÃ a programada visita guiada à Fundição de Oeiras, que nos é proporcionada pela ESPAÇO E MEMÓRIA - ASSOCIAÇÃO CULTURAL DE OEIRAS, e ciceronada pelos nossos amigos Julião Guimarães e Jorge Miranda, que certamente nos irão proporcionar uma excelente e mui instrutiva visita.

O encontro é às 9h.30 no portão da entrada principal do complexo fabril.

Sobre a Fundição publiquei um post que pode ser lido clicando AQUI.

Relembro que a Fundição de Oeiras vai ser demolida a curto prazo para urbanização da imensa área que ela ocupa, pelo que esta poderá ser a ÚLTIMA oportunidade para conhecer o mais importante Monumento do Património Industrial Oeirense.

nota: A visita é gratuita.

imagem: © josé antónio / comunicação visual - CLIQU PARA AMPLIAR
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

a Fundição de Oeiras

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A Fábrica de Metalurgia e Construção Metalomecânica de Oeiras, vulgarmente designada apenas por Fundição de Oeiras é um dos mais importantes, imponentes e interessantes vestígios históricos da indústria no Concelho de Oeiras. Nomeadamente e logo por ser um dos poucos sobreviventes das centenas de indústrias que existiram neste concelho e que tanto contribuíram para o seu desenvolvimento.

Foi indubitavelmente uma das maiores fábricas do concelho e aquela que empregou maior número de trabalhadores.
Tem uma longa história e constitui um relevante património concelhio.
Terá sido construída no Séc. XIX, na onda do movimento provocado pela Revolução Industrial.
Talvez tenha começado apenas por ser uma metalúrgica (fundição), tendo mais tarde expandido a sua área e enveredado pela metalomecânica, ampliando as suas instalações.

Foi o sustento de centenas — milhares? — de famílias oeirenses, que ali tinham maridos, mulheres e filhos empregados.
Atravessou a 'longa noite fascista' e sobre ela contam-se as mais incríveis e mirabolantes histórias. Algumas bem reveladoras da mentalidade fascista de uma certa época, como aquela - verídica? - em que os patrões, na ambição do esforço da guerra, fecharam os portões da fábrica, obrigando os operários a permanecer no interior e a laborar continuamente durante uma série de dias sem poderem sair para irem a casa comer ou dormir. Diz-se até que eram as mulheres que lhes levavam a comida em marmitas e que lhas passavam através das grades dos portões. Uma autêntica prisão.

Muitas são também as histórias de greves, tantas delas reprimidas à bastonada, lutas de quem apenas demandava a dignidade de ser operário e ver o seu esforço e sacrifício quotidiano recompensados.
São ainda incontáveis os mutilados. Uns sem braços outros sem mãos ou dedos, trucidados pelas traiçoeiras máquinas. Derrota da carne na luta inglória contra o ferro e o aço que trilham e trucidam os incautos.
É razoavelmente conhecido o papel da Fundição de Oeiras na guerra que opôs o Irão e o Iraque (1980-88), motivada pelo petróleo. A Fundição de Oeiras fabricou nessa altura granadas de morteiro que convenientemente Portugal vendia tanto ao Irão como ao Iraque! (dizem as más línguas...)
O que não se livra da fama, que as marca indelevelmente no panorama industrial, são as banheiras esmaltadas, os fogões e as máquinas de lavar roupa - de fama europeia -, todos considerados de excelente qualidade.

A Fundição de Oeiras guarda no seu interior, em especial no pátio de entrada e no edifício administrativo hoje ocupado por serviços da C.M.O., um valioso espólio de azulejaria, espalhado pelos muros, salas e corredores.
Merece também referência especial o enorme painel de azulejo figurado situado no edifício lateral à esquerda do grande pátio da entrada principal, de que deixo abaixo a imagem possível.

Este maravilhoso painel de azulejo está no pátio de entrada da fábrica
(esperemos que seja salvaguardado)

Como nota final, recordo que no próximo dia 15 de Setembro, às 9h30, irá ser efectuada uma Visita Guiada, com Julião Guimarães e Jorge Miranda como cicerones, integrada nos Caminhos da Memória, da responsabilidade da ESPAÇO e MEMÓRIA - Associação Cultural de Oeiras, para a qual convido todos os interessados. A entrada é livre - leia-se grátis - e o encontro, à hora referida, é na entrada principal da Fundição de Oeiras.
Como já aqui referi, talvez seja a última oportunidade que teremos de conhecer a Fundição de Oeiras como ela foi e é, a confirmarem-se os planos para a sua muito próxima demolição e urbanização da área.

Quero ainda pedir aos leitores que possam ter elementos ou informações sobre a Fundição de Oeiras, sejam de que tipo for, que me possam ajudar a melhor compreender a vida daquela fábrica, o encarecido favor de mos enviarem para o meu email particular - zetolas@mac.com - o que agradeço antecipadamente. Tudo pode ser importante, cartões, documentos, desenhos, fotografias, informações dispersas do género "o meu padrinho fulano de tal trabalhou lá entre 1945 e 1953 nos fornos"... Não interessa. Toda a informação que eu conseguir recolher poderá contribuir para que um dia alguém, certamente muito mais credenciado que eu, faça a urgente história daquele fascinante eco do passado.


imagem: © josé antónio / comunicação visual - CLIQUE PARA AMPLIAR.
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