Na rua Major Afonso Pala, em Algés existiu há séculos o forte de Nossa Senhora da Conceição de Pedrouços. Penso que nos finais do século dezanove ou inicio do século vinte, sobre as suas ruínas, foi construída uma casa apalaçada de gente fidalga e famosa daquela época, mais tarde foi casino – no tempo em que era chique vir a banho a esta zona e depois sede de instituições e da Junta da Freguesia desta vila.
Esta rua também teve a sua importância quando da instalação da linha do eléctrico, depois esquecida quando transferiram este para a Rua Damião de Gois, mais para o centro da vila. Há uns anos, num arranjo paisagístico daqueles para ficarem na memória, quiseram transformar a Rua Major Afolso Palla numa zona pedonal, colocando bancos sem costa e estátuas com ar de transeuntes anónimos. A rua das Estátuas, como é conhecida, tem afinal carros que estacionam a todas as horas do dia e da noite e pombos muitos pombos que sujam muito o local.
Mas voltemos à casa apalaçada. No ano 2000, instituições e Junta da Freguesia foram mudadas para a Rua Parque Anjos com direito a festa de inauguração.
A casa apalaçada estava a precisar de obras, o senhorio dera as outras instalações, iam construir um condomínio, um hotel ou apenas um prédio conforme se ia ouvindo aos algesinos; uns diziam que a construção estava muito degradada, outros que devia ser preservada a sua traça que marcava uma época da história da terra. Porém a casa foi abaixo, parece que numa noite; praticamente ninguém deu por isso. Entaiparam o local, colocaram-lhe uns out-doors publicitários e pronto. Ali ficou aquilo assim porque – parece – alguém alertou para umas ruínas do tal forte. Perguntado na Junta de Freguesia fomos informados que se iria colocar um chão de vidro para que as ruínas se vissem e ficassem enquadradas no edifício. Parece que o proprietário, entretanto, não estaria contactável.
Foi mesmo preciso terem destruído a tal casa? Durante uns anos Algés teve um monumento com história: na Rua das Estatuas havia um monte de entulho entaipado de uma ruínas famosas!
Porém, nos finais de 2006 apareceram umas gruas e começaram a remover o entulho e colocaram lá uma tabuleta:
“Alvará 19.04.06 – Arena Construções Imobiliárias – C.Reg- P639; matriz 2464 Freg. Algés – 24 meses conclusão Área de Construção 9.496 m2, volumetria 17 189,73 m3 Piso acima 4/2, abaixo 2”
Em Janeiro de 2007 telefonei para o Centro de Estudos Arqueológicos da C. M. O. - 21 430 10 31 e uma Senhora Dra. amável e perplexa que não sabia do início da construção, deu-me indícios de que em tempos teria havido embargo face aos estudos que aquele Centro desenvolvera. Continuei a perguntar junto da Divisão Intervenção do Património Edificado da C.M.O. e uma senhora arquitecta “sossegou-me”: o que restava da muralha iria ser conservado com um vidro protector paredes meias com as garagens; parecia que a fachada seria uma “cópia” da casa apalaçada deitada abaixo; à minha estranheza garagens – 2 pisos abaixo: claro que ali podem ser feitas pois haveria caves em outros prédios.
As obras continuam em força. Depois começou a aparecer a propaganda sobre a comercialização de um local paradisíaco: apartamentos com piscina a olharem o Tejo entalados entre a Marginal e a rua pedonal das Estátuas. Por onde se entrará para as garagens? E os moradores a desfrutarem do barulho dos carros da Marginal e dos comboios.
Seria mesmo necessário atravancar esta zona com um empreendimento desta natureza? E as perguntas que esta meia dúzia de anos foram deixando por responder, já estarão esquecidas?
Maria Clotilde Moreira - ALGÉS
(texto recebido por e-mail com pedido de publicação)


















