terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quem dança assim é do IOMAF

Send your own ElfYourself eCards

Na minha estante


"O fundamental é que a luta pela igualdade Palestina/Israel seja conduzida em direcção a um objectivo humanista, ou seja, à co-existência, e não a mais supressões e recusas. Não é por acaso que aponto raízes comuns ao orientalismo e ao anti-semitismo moderno. Deste modo, para os intelectuais independentes deveria ser uma necessidade vital terem que providenciar modelos alternativos àqueles redutoramente simplistas e restritivos, baseados na hostilidade mútua, que perduram há tanto tempo no Médio Oriente e outros lugares.

O humanismo é a nossa única - eu atrever-me-ia inclusivamente a dizer 'a nossa última e decisiva'- resistência às práticas inumanas e às injustiças que desfiguram a história humana."
Edward W. Said - 2003

Um discurso pesado



Foi um discurso claro e pesado. Desta vez ninguém pode acusar o Presidente da República de não ter conseguido explicar ao País as suas ideias. Cavaco não poupou nos adjectivos nem nas expressões duras. E ainda bem que o fez.



Ricardo Costa
Director Operacional de Canais SIC

opiniao@sic.pt


“A qualidade da nossa democracia sofreu um sério revés”. O estatuto foi aprovado por “razões meramente partidárias”. “Está em causa uma questão de lealdade entre órgãos de soberania". “É uma situação absurda”. Citações como estas não costumam fazer parte das mensagens que um Presidente da República faz ao país. Desta vez fizeram porque Cavaco Silva entende que a aprovação do Estatuto dos Açores levanta um precedente gravíssimo.

Esta questão é pouco relevante para o país. Mas não será irrelevante para as relações entre Belém e São Bento. A lealdade foi posta em causa e isso, normalmente, não se esquece. Vamos ter, seguramente, meses agitados entre o Presidente e a maioria socialista.


P.S. Quando, daqui por uns meses, o Tribunal Constitucional disser que o Estatuto está mal feito, o que é que o PS vai dizer?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Avaliadora avaliada






JN - 29-12-2008


Porque a realidade excede os meus dotes ficcionais, esta Ficha de Avaliação da Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação, assenta nos critérios seguidos pelo seu Ministério incluindo, a terminologia usada na avaliação de docentes, o número de alíneas e a bitola de classificação.

Níveis de Pontuação: Mínimo 3, máximo 10.

A - Preparação e execução de actividades.

A - 1 Correcção científico-pedagógica e didáctica da planificação.

Classificação obtida - Nível 3

(Não efectuou as reformas previstas no Programa do Governo por falta de trabalho preparatório. As cenas de pugilato, luta greco-romana e intimidação por arma de fogo simulada nas áreas que lhe foram confiadas vão originar um aumento significativo da despesa pública com a contratação à Blackwater (por ajuste directo) de um mercenário israelita por cada sala de aula e dois nas salas dependentes da DREN).

A - 2 Adequação de estratégias.

Classificação obtida - Nível 3

(Não definiu linhas de rumo nem planos de acção que permitissem concretizar a missão delineada, usando como benchmarking nacional os parâmetros seguidos no sistema educativo da Faixa de Gaza.)

A - 3 Adaptação da planificação e das estratégias.

Classificação obtida - Nível 3

(Não obteve eficácia aferível em três anos de actividade, consumindo no processo a maior parcela de verba pública atribuída a um Ministério. Insistiu em manter o organograma dos seus serviços (em particular da DREN) inspirado no modelo das Tentações de Santo Antão de Jeronimus Bosh).

A - 4 Diversidade, adequação e correcção científico-pedagógica das metodologias e recursos utilizados.

Classificação obtida - Nível 3

(A observação empírica dos resultados é indiciária de um inadequado e/ou incorrecto aproveitamento de recursos disponibilizados em sucessivos Orçamentos de Estado em tal monta que fazem o BPP parecer uma operação rentável. Adicionalmente, o seu Ministério atingiu tal desordem que faz a Assembleia Geral do Benfica parecer um retiro de monges Cartuxos).

B - Realização de actividades.

Classificação obtida - Nível 3

(A avaliação conclui que à incapacidade da avaliada na "promoção de clima favorável" se junta a insuficiência de valências de conhecimentos gerais essenciais, como o atesta a confusão que fez a 23 de Junho de 2005 pp. em entrevista televisionada, falhando na distinção entre "República" e "Governo da República". Isto deu novas dimensões ao Estatuto da Autonomia dos Açores e inspirou o Chefe do Estado a crescentes afrontas à vontade do Parlamento com graves e desgastantes consequências para o executivo.

Nas secções C e D da Ficha de Avaliação do Ministério da Educação, nos quatro subgrupos, a avaliada obteve oito classificações de Nível 3, pelo que, feita a média aritmética dos dezasseis parâmetros cotados lhe é atribuída a classificação geral de Insuficiente. Recomenda-se que sejam propostas à Doutora Maria de Lurdes Rodrigues as seguintes opções: integrar o quadro de mobilidade especial até colocação em Baucau; frequentar um curso das Novas Oportunidades e/ou filiar-se no Movimento Esperança Portugal; aceitar o 12º lugar na lista de espera para o próximo Conselho de Administração da FLAD; frequentar o curso de formação do INA - Limites da Autonomia Regional; ser animadora de As Tardes de Maria de Lurdes na RTP África; integrar a quota ainda disponível para antigos executivos socialistas na Mota Engil, Iberdrola ou BCP

E em Oeiras quem paga?


"O Governo queria dividir a despesa do e-escolinha, que distribui os 'Magalhães', com autarquias, que recusam pagar assinaturas caseiras de Internet. As câmaras municipais recusam pagar a factura do acesso à internet do Magalhães, como pretendia o Governo. As Direcções Regionais de Educação do Norte e Centro enviaram propostas por escrito a todas as autarquias para que estas pagassem o acesso dos alunos à Net em casa, o que implica o pagamento, em média de 50 euros pelo modem e 250 por cada ligação. Ler notícia no DN

E a CMO vai pagar ou não ?

Balance

"Balance " de Christoph e Wolfgang Lauenstein ( 1989)

domingo, 28 de dezembro de 2008

Umas ajudas ao Senhor Sócrates

.


Isto está mal, mas se o Senhor começar realmente a consertar pelo princípio talvez a crise seja superada e nos tornemos um exemplo na Europa.

Primeiro a terra: apadrinhe as iniciativas de cultivo da terra e patrocine redes de recolha dos produtos e a sua venda nas cidades. Por exemplo: acabe com a importação da laranja do Uruguai e dê lugar à laranja algarvia que apodrece no chão (José Júdice – Pública 21/9). E as batatas da nossa província?

Depois injecte os milhões que anda a oferecer aos bancos no preenchimento da falta de pessoal que existe nas escolas – contratação de auxiliares de educação e de professores diminuindo o número de alunos por turma o que ajudaria a relação aluno/professor/escola … Há falta de médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal auxiliar nos nossos hospitais. Ah! Olhe, até falta pessoal nos Museus. Precisamos que os quadros das Forças de Segurança tenham mais efectivos.

Na área dos transportes há necessidade de melhores e mais alargados meios de ligação para não deixar tão isoladas pequenas aldeias e lugarejos.

Muitos outros exemplos poderão ser dados para a promoção do emprego e da sua estabilidade. Com um salário seguro muitos portugueses iniciarão uma nova família. Outros poderão comprar todos os dias um pouco mais de alimentos e outros aventurar-se-ão em novos empreendimentos e, como uma boa bola de neve, as coisas boas irão crescendo.

Olhe Senhor Sócrates: decrete horários humanos para que as pessoas tenham possibilidade de, nos seus tempos livres, usufruírem do trabalho de outros e, sempre rolando e interligando criaremos riqueza gastando com uns o que ganhamos com outros.

Pergunte (Rui Tavares, Público de 17/12), informe-se. Há muitas sugestões e a maior parte bem simples de concretizar. Se precisar de mais ideias pergunte às donas de casa portuguesas, tão treinadas em esticar ordenados. Deixe de lado a globalização e concentre-se nos homens e mulheres da nossa Terra, no seu direito ao trabalho, ao salário, enfim, à felicidade.

Clotilde Moreira – Algés



Artigo publicado hoje no Jornal Público – Cartas ao Director.


sábado, 27 de dezembro de 2008

PROVÉRBIOS - 1

.
«Quem desdenha quer comprar»
.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Coisas de Algés - XXXII

.

1 - A Rua Damião de Góis está transitável. Ainda andam a fazer uns acabamentos: tem menos estacionamento, muitos sinais pintados no asfalto e…


estão a colocar semáforos na linha do eléctrico sentido Cruz-Quebrada/Algés, junto à entrada do Jardim de Algés, perto da entrada para a bomba de gasolina, que, penso, irão estar em sintonia com os colocados para peões, na entrada da Av. dos Combatentes.


Já lá passei várias a pé e de carro vindo do Dafundo e fiquei um bocado baralhada: é que em frente dos semáforos para informar os carros que vêm da Cruz-Quebrada, está uma placa azul a indicar que há passagem de peões a qual tapa as luzes dos semáforos para os carros.


Estes semáforos também me estão a fazer confusão: se há semáforos – até com botão – para os cidadãos é preciso estar uma placa a indicar que há passagem marcada para peões?


Outro pormenor é que esta passadeira bem como a da entrada da Av. dos Combatentes estão pintadas ao “alto” às riscas brancas largas - pormenor que se usa quando não há semáforos e indica prioridade aos peões. Quando há semáforos o espaço é delimitado por duas riscas brancas horizontais paralelas. Ou é porque os semáforos não vão estar a trabalhar todos os dias e assim já fica tudo "previsto"?


Um pequeno pormenor: os passeios onde se apanha ou sai do eléctrico ficaram afastados da porta dos mesmos, dificultando os carrinhos de compras e as cadeirinhas de bebé. Podiam ter medido um pouquinho melhor e seria uma única superfície.


2 – O Combus continua quase… quase vazio aqui em Algés (lembram-se do Lés-a-Lés que andava cheio?) As paragens não têm qualquer indicação de horário… ele passa de hora… a hora. Para quando o tal ajusto que dizem que andam a estudar?


3 - A Ribeira desde sábado último tem sido alvo de acções de corte de ervas e canas; está mais arejada. O parque de estacionamento é que continua vazio. Para quando um tarifário adequado às necessidades de estacionamento de meias-horas (por exemplo) como acontece nos outros parques? Porque se tem de pagar ou um dia ou uma noite? Também estão ainda a estudar?



Coisas de Algés deseja um ano de 2009 cheio de pequenas coisas boas!

Uma prenda para Oeiras


Continuam a existir muitas reclamações referentes aos horários, aos percursos, à falta de transportes no Município de Oeiras.

A Câmara diz, com frequência, que a responsabilidade é da Administração Central, concretamente, do Instituto da Mobilidade dos Transportes Terrestres e que a Autarquia apenas pode sensibilizar a transportadora existente – VIMECA – para as reclamações que recebe.

Porém se a Autarquia – apesar do número de casas vazias – continua a promover, a aprovar e a apadrinhar a construção de urbanizações e imóveis em zonas cada vez mais alargadas – veja-se os “bairros sociais” para onde são empurradas tantas famílias – deve promover e assegurar as necessárias ligações.

Conforme é obrigatório para aprovação das novas construções, conhecer as redes de água, esgotos e luz, também devia tornar-se obrigatório assegurar uma correcta rede de transportes, pois, muitas vezes, a distância destes aglomerados e a falta de transportes transforma-se numa barreira à aceitação de ocupações

A Autarquia anulou alguns ensaios de transportes locais (bastante utilizados) substituindo por um Combus que, de hora a hora, passa praticamente vazio prometendo (sempre promessas) que estão a estudar melhorias (?). E, se neste Natal, como prenda, houvesse um verdadeiro empenhamento da Autarquia em assegurar uma rede de transportes necessária a uma fácil mobilidade?

Maria Clotilde Moreira / Algés


Texto publicado no Jornal de Oeiras no Correio do leitor em 23/12/2008

O menino guerreiro está a passar por aqui

.

Opinião

Ricardo Araújo Pereira


Com a escolha contrariada de Santana Lopes, Ferreira Leite parece uma editora de livros que, por si, só publicaria Dostoiévski, mas que se vê forçada a lançar as obras completas da Corín Tellado porque o populacho (...) gosta daquilo

A escolha de Pedro Santana Lopes para candidato à Câmara Municipal de Lisboa coloca um problema ao eleitorado: qual é o PSD que os portugueses preferem? O PSD populista e demagógico de Luís Filipe Menezes, que aposta em Santana Lopes para cargos importantes, ou o PSD sério e credível de Manuela Ferreira Leite, que aposta em Santana Lopes para cargos importantes? Falta-me subtileza política para os distinguir, mas talvez prefira o primeiro, que tem aquela franqueza dos rústicos.
O PSD sério e credível parece-me um pouco dissimulado, mas talvez esse seja um requisito indispensável a quem pretende ser sério e credível em política.

O mais interessante no menino guerreiro, para além do facto de, segundo diz a canção, ser uma pessoa que também deseja colo, palavras amenas, carinho e ternura, e precisar de um abraço da própria candura, o que parece ser difícil de executar, é a circunstância de Pedro Santana Lopes ser o anti-Pacheco Pereira. Pacheco e Santana são o rigoroso inverso um do outro. As direcções do partido que respeitam Santana Lopes, apostam nele; as que não o respeitam apostam mais ainda. Foi vice-presidente do PSD no tempo em que o presidente era um homem que o definia como, e cito, «um misto de Zandinga e Gabriel Alves». Agora é apontado como candidato a presidente da maior câmara do País, quando o partido é presidido por uma pessoa que afirma publicamente ter repugnância em votar nele. Quanto a Pacheco Pereira, é igualmente ignorado pelas direcções que critica e pelas que apoia. É, aliás, curioso que Pacheco Pereira seja um comentador tão respeitado no País e tão desconsiderado no PSD. O sítio de Portugal em que as opiniões de Pacheco Pereira são menos valorizadas é o partido de que ele é militante. Há-de haver uma razão quântica que explique o motivo pelo qual Pacheco Pereira consegue ser um analista perspicaz em todo o lado, menos na Rua de São Caetano à Lapa.

Com a escolha contrariada de Santana Lopes, Ferreira Leite parece uma editora de livros que, por si, só publicaria Dostoiévski, mas que se vê forçada a lançar as obras completas da Corín Tellado porque o populacho, lamentavelmente, gosta daquilo. Ela não lê, mas se as pessoas compram, vê-se forçada a dar ao público o que ele quer. Há ainda a teoria segundo a qual Ferreira Leite oferece o cargo a Santana para reduzir o espaço de manobra à oposição interna.
O problema é que, se Santana ganhar, será ele o vencedor; se Santana perder, a derrotada será Ferreira Leite. Toda a gente já percebeu que Santana nunca perde. Ou ganha, ou passa a andar por aí. Derrotas, não há notícia de ter sofrido.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

SANTO NATAL

Presépio - Igreja Basílica Senhor do Bonfim

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

consoada 2008...

.

.

O Milagre da Vida







Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Albert Einstein - 1879/1955

domingo, 21 de dezembro de 2008

Tudo como dantes, nada como dantes




Retrato da Semana» António Barreto
Jornal " Público " 21 de Dezembro de 2008


A TURBULÊNCIA FINANCEIRA que atravessou o mundo e está longe de se dissipar, já provocou a mais completa série de verdades definitivas e sobretudo contraditórias. Têm de comum o disparate e a inabalável certeza dos seus autores. “Marx tinha razão”; “É o fim do capitalismo”; “Acabou a hegemonia americana”; “Nada será como dantes”; “O Estado tem de tomar conta da economia”; “Vão mudar os padrões de consumo”... Em sentido contrário, também temos: “O capitalismo vai recuperar”; “A iniciativa privada vai ultrapassar a crise”; “Vamos refundar o capitalismo”; “A crise gera novas oportunidades de negócio”; “A União Europeia vai liderar a recuperação das economias”... Sem comentários.

Mais uma vez, anuncia-se um “novo paradigma”. Não se sabe o que quer dizer, mas é “chique”. E misterioso. Mais poder político? Mais supervisão e regulação? Mais justiça? Mais ética? Novos padrões de consumo? Mais Estado? As únicas certezas são o menor crescimento, o desemprego e a redução do conforto. O resto é uma incógnita. Até porque as mudanças de comportamentos demoram décadas. E as mudanças de leis e de instituições exigem políticos e legisladores à altura, com autoridade e legitimidade. O que também é uma incógnita.

A regulação falhou. É o que todos dizem, menos os reguladores. Convinha saber por que falhou a regulação. Os vigaristas têm meios mais sofisticados. Os reguladores, a justiça e as polícias estão atrasados. Estas são as razões superficiais. Mas há outras. Os reguladores e os políticos conhecem intimamente os especuladores e os predadores. Não só se conhecem, como se estimam e convivem. Têm mesmo, simultânea ou sucessivamente, interesses comuns. O triângulo formado pelos políticos, os reguladores e os especuladores constitui um percurso pessoal que muitos fazem airosamente nas suas carreiras. Muitos políticos e muitos reguladores consideram que os predadores e os especuladores têm o direito de se entregar às suas actividades, de operar no mercado livre, de ter sucesso e de vencer nos negócios. Se é verdade que houve Estado a menos, também é certo que Estado a mais não é a resposta. Pois o Estado é... os políticos!

POR UMA VEZ, os políticos deste mundo não parecem ser os principais responsáveis. Mas não estão isentos. Falharam na regulação, na fiscalização e na inspecção. Falharam na justiça, na investigação e na penalização. São, frequentemente, parceiros, cúmplices e amigos dos bilionários e dos predadores. Os governos, a começar pelo português, têm dado lições inesquecíveis que todos os manipuladores do mercado usam como inspiração. Mentira, leis retroactivas, mudança inesperada de regras, intrusão na vida privada dos cidadãos, instabilidade fiscal, falta de cumprimento de cláusulas contratuais, adjudicações de favor, licenças sem concurso público, favoritismo e nomeações de altos dirigentes por confiança partidária, tudo tem justificação, tudo se explica pela necessidade de vencer, de crescer e de ganhar eleições. Os políticos, tanto de esquerda como de direita, contribuíram decisivamente para a criação deste clima doutrinário e espiritual. O poder político, entre nós como no resto do mundo, não revelou ter padrões morais superiores aos dos predadores. Não mostrou ser mais digno de confiança. Não garantiu que impede a promiscuidade e o livre enriquecimento dos políticos. Não tornou evidente seguir uma regra ética superior à que tem guiado os especuladores e seus amigos.

As doutrinas da força, do líder, da vitória, do condicionamento da informação e da propaganda impuseram a “visão” positiva” do mundo e das coisas, consagraram o “optimismo” como dogma de atitude. Os que duvidam foram definitivamente arrumados na categoria de pessimistas e frustrados. A ideologia do sucesso, a qualquer preço, com qualquer lei, domina a cena pública há anos. As ideias, os valores e as normas que regem a vida dos capitalistas e dos gestores responsáveis pelas crises e pelas fraudes são o resultado de uma consolidação doutrinária e moral com meia dúzia de décadas.

POR ISSO não é realista esperar pela “mudança de paradigma”. Alguém pensa que é possível as famílias decidirem por si próprias diminuir o consumo? Renunciar às segundas casas? Deixar de passar férias no Brasil ou no México? Abdicar de ter um ou dois carros, dois ou três computadores, três ou quatro televisões? Desligar o aquecimento e o ar condicionado? Reduzir o consumo de máquinas de lavar, de frigoríficos e de Bimbys? Abandonar o carro particular e utilizar os transportes públicos? Ninguém o fará. A não ser que a isso sejam forçados pelo desemprego, pelo corte de crédito, pelos aumentos de preços e pela diminuição de rendimentos.

As pessoas mudam por consciência e esforço voluntário, quando têm real interesse nisso. Interesse material ou espiritual. Mas não mudam voluntariamente para diminuir o seu conforto e as suas aspirações. Mudam quando não têm alternativas. Por necessidade. Ou por imposição. Quem vai fazer mudar os comportamentos? As forças do mercado? Será doloroso. A necessidade? Ainda mais. Os políticos? Não têm vontade, nem legitimidade para o fazer. Eles aplicam à política os mesmos valores que os especuladores, as mesmas regras que os predadores, os mesmos critérios que os aldrabões aplicam às finanças internacionais.

Há trinta ou quarenta anos que as populações aspiram às delícias da vida moderna. Os que já lá chegaram querem mais e não renunciam. Os que ainda não chegaram consideram uma suprema injustiça serem agora travados. Foram condicionados pelos mais poderosos aparelhos de publicidade e informação que a humanidade jamais conheceu. A propaganda política deu uma ajuda poderosa. Há décadas que os governos, as televisões, a imprensa e os grandes grupos económicos comungam um punhado de ideais que presidiram à nossa vida colectiva. Para usar o lugar-comum conhecido, o ter substituiu o ser. O critério de vida é vencer. Sempre, a qualquer preço. Vencer significa derrotar e liquidar os outros. Quem vence tem razão. E tem razão porque vence. É a democracia no seu pior. Maior. Mais alto. Mais depressa. Mais pesado. Mais forte. Mais rápido. Já não se trata de jogos olímpicos, eles próprios transformados em feira de animais. Trata-se da vida quotidiana. Para se chegar lá, ao “topo”, para se ser “líder”, tudo o que se pode fazer deve ser feito. Incluindo aldrabices, ilegalidades, golpes, mentira, publicidade enganosa e corrupção. Tudo o que justifique ganhar votos, vender mercadoria e eliminar os rivais não só pode ser feito, como deve ser feito. Sob pena de ser designado na praça pública por perdedor, incapaz ou parvo. E ninguém quer ser parvo!

E também no "Jacarandá"

GATO FEDORENTO - ZÉ CARLOS 7: Burocracias na Escola!

sábado, 20 de dezembro de 2008

PONTOS DE VISTA por JORGE MIRANDA






A HISTÓRIA PASSOU AO LADO


Temos, por experiência própria, que só se sente e compreende uma terra quando se conhece a sua história. Verifica-se então uma integração, uma assimilação, que torna mais clara a leitura do presente. E quanto maior e intenso for o mergulho na história mais apurado será o entendimento do espírito do lugar, do seu património intangível. É esta escalada que gera o sentimento de pertença que implica, por sua vez, a assunção da cidadania. A nível concelhio, estimula a emergência do munícipe consciente e interventor, na defesa de soluções em prol do território que sente como seu.
Nesta perspectiva, entendemos que uma das tarefas que se colocam às câmaras municipais, a nível das prioridades, será a realização de acções que visem a divulgação e o alargamento do conhecimento do passado, nas suas múltiplas valências. E todas as oportunidades serão poucas para o fazer.
O assinalar de significativas efemérides será uma ocasião propícia e estimulante para se dar mais um passo no conhecimento do passado.
No entanto, no presente ano, que está prestes a terminar, verificaram-se pelo menos três relevantes acontecimentos do pretérito que não foram assinalados no concelho de Oeiras.
No quadro das Invasões Francesas, ocorreu em Setembro, o segundo centenário da Proclamação à Nação Portuguesa, proferida pelo general britânico Dalrymple, no Dafundo, na então quinta do Monteiro (onde se encontra instalado o Instituto Espanhol), em que anunciava a “restauração da monarquia nacional” e a reassunção de funções do legítimo Conselho de Regência. Não seria este um bom pretexto para se revisitar o período das Invasões Francesas neste território e reflectir sobre a sua importância militar?
Também se verificou, a 18 de Setembro, o primeiro centenário da promulgação da carta de lei que instituiu a região demarcada do vinho de Carcavelos. Mais do que uma visita simbólica do ministro da Agricultura à Estação Agronómica Nacional e de um artigo na agenda cultural 30 Dias merecia a comemoração da efeméride.
Ainda em Novembro, passou totalmente despercebido, o primeiro centenário da vitória das listas republicanas nas juntas de paróquia de Oeiras e Carnaxide. Foi, de facto, em 30 de Novembro de 1908, que os republicanos de Oeiras ganharam estes órgãos de poder. Dada a relevância do acontecimento, não se entende como nem uma palavra, tanto quanto sabemos, se proferiu. É incrível!
Cremos que foi o Prof. Pais da Silva que escreveu que país sem memória ou sem passado é um país sem futuro. Extrapolemos o mesmo para os municípios…
Senhores autarcas, tenham em atenção a importância da História! Não podemos perder a nossa memória.

Jorge Miranda
jorge.o.miranda@gmail.com


O Oeiras Local agradece ao Autor e ao Jornal da Costa do Sol a cedência do artigo e à revista municipal Oeiras Actual o uso da foto.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Centros vão cobrar mensalidade a deficientes



Pertencentes a instituições de solidariedade social



Os deficientes que frequentam os centros de actividades ocupacionais de instituições de solidariedade social vão ter de pagar uma mensalidade a partir do próximo ano. Uma decisão que surpreendeu os pais, alguns dos quais com filhos a frequentar estes estabelecimentos há mais de 20 anos sem nunca terem pago mensalidades.

A mensalidade terá como base a declaração de rendimentos das famílias e não deverá ultrapassar os 140 euros, noticia esta quinta-feira a rádio TSF.

O Ministério da Solidariedade Social, contactado pela rádio, indicou apenas que estes centros são apoiados pelo Governo mas pertencem a instituições de solidariedade social, remetendo para estas a responsabilidade da decisão.