
Artigo de Opinião
De repente, parece que o País acordou para o problema da indisciplina nas escolas. De facto, se é verdade que sempre houve alunos indisciplinados, nunca, como hoje, a indisciplina nas escolas tomou a dimensão alarmante que se conhece. E não me parece que as medidas anunciadas, inclusivamente pelo Ministério Público, possam dar resposta a esta grave situação.
O problema da indisciplina nas escolas tem a ver com factores múltiplos. Há um mercado da violência nos audiovisuais, os problemas sociais do desemprego, a instabilidade profissional e a desestruturação da família também são geradores de violência.
Além destes factores exógenos, há os endógenos.
O modelo de escola que temos foi desenvolvido a partir da revolução industrial. As grandes escolas, com alunos provenientes de diferentes zonas, com problemas muito diversos e turmas com elevado número de discentes desenvolvem condições de conflito.
Precisamos de escolas de proximidade, mais pequenas e com outra arrumação do seu espaço. Depois, o professor tem sido desautorizado não só pelo Ministério da Educação que se tem revelado duma incompetência gritante, mas também pela forma, muitas vezes, abusiva com que as associações de pais interferem no trabalho dos professores.
Precisamos de repensar a forma de organizar a escola, a função do professor e o papel dos pais. A escola tem um papel social de formar cidadãos responsáveis e profissionais competentes e é urgente que lhe sejam dadas condições para poder desempenhar esse papel.
João Baptista Magalhães
(Professor aposentado)