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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Então e Isaltino?


Henrique Monteiro
O Tribunal Constitucional indeferiu os recursos dos condenados no processo Casa Pia, que assim têm de voltar à prisão. O próprio advogado de Carlos Cruz - e bem - reconhece que assim vai ser (independentemente do recurso ao Tribunal Europeu, o qual não tem efeitos suspensivos).
Porém, noutro país, cujo nome não me lembro, um presidente de Câmara condenado em todas as instâncias, ao que parece com todos os recursos esgotados e com uma situação que ao próprio Kafka faltaria imaginação para descrever, mantém-se em liberdade.
O nome dele, já o sabem, está escrito no título. Por que razão isto acontece, podem deitar-se a adivinhar. Será por ter sido, ele próprio, magistrado do Ministério Público? Será por ser político e ex-ministro? Será porque sabe de mais?
Eu não sei, mas deixo a pergunta outra vez: então, e Isaltino? Porque, de vez em quando, no meio de debates tão inúteis quanto apaixonados sobre o senhor Franquelim, é bom lembrar que andam por aí condenados à solta. 

Twitter: @HenriquMonteiro https://twitter.com/HenriquMonteiro
Facebook:Henrique Monteiro http://www.facebook.com/hmonteiro 
     

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/entao-e-isaltino=f785731#ixzz2KjVfbJm9

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O que se vê na TV...



Acabei de ver o sociólogo Boaventura Sousa Santos a apelar a uma Duma, tipo revolução de Outubro. Há gente que não deu pelo passar do tempo. Alguém o pode avisar que já não estamos em 1917, nem em 1968, nem em 1975? Obrigado.

Via Facebook

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Estou farto de salvar a pátria...







Henrique Monteiro (www. expresso.pt)
0:00 Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Quando comecei a trabalhar, a pátria precisava de ser salva dos desvarios do PREC e por isso pagámos mais impostos. Depois, nos anos 80, houve um choque petrolífero, salvo erro, e tivemos de voltar a salvar a pátria. Veio o FMI, ficámos sem um mês de salário e pagámos mais impostos. Mais tarde, nos anos 90, houve mais uns problemas e lá voltámos a pagar mais, para a pátria não se afundar. Por alturas do Governo de Guterres fui declarado 'rico' e perdi benefícios fiscais que eram, até então, universais, como o abono de família. Nessa altura, escrevi uma crónica a dizer que estava a ficar pobre de ser 'rico'... Depois, veio o Governo de Durão Barroso, com a drª Manuela Ferreira Leite, e lembraram-se de algo novo para salvar a pátria: aumentar os impostos! Seguiu-se o engº Sócrates, também depois de uma bem-sucedida campanha (como a do dr. Barroso) a dizer que não aumentaria os impostos. Mas, compungido e triste e, claro, para salvar a pátria, aumentou-os! Depois de uma grande vitória que os ministros todos comemoraram, por conseguirem reequilibrar o défice do Estado, o engº Sócrates vê-se obrigado a salvar a pátria e eu volto a ser requisitado para abrir mão de mais benefícios (reforma, prestações sociais, etc.), e - de uma forma inovadora - pagando mais impostos.

Enquanto a pátria era salva, taxando 'ricos' como eu (e muitos outros, inclusive verdadeiros pobres), os governantes decidiram gastar dinheiro. Por exemplo, dar aos jovens subsídios de renda... por serem jovens; ou rendimento mínimo a uma pessoa, pelo facto de ela existir (ainda que seja proprietária de imóveis); ou obrigar uma escola pública a aguentar meliantes; ou a ajudar agricultores que se recusam a fazer seguros, quando há mau tempo; ou a pedir pareceres para o Estado, pagos a peso de ouro, a consultores, em vez de os pedir aos serviços; ou a dar benefícios a empresas que depois se mudam para a Bulgária; ou a fazer propaganda e marketing do Governo; ou a permitir que a Justiça seja catastrófica; ou a duplicar serviços do Estado em fundações e institutos onde os dirigentes (boys) ganham mais do que alguma vez pensaram.

E nós lá vamos salvar o Estado, pagando mais. Embora todos percebamos que salvar o Estado é acabar com o desperdício, o despesismo, a inutilidade que grassa no Estado. Numa palavra, cortar despesa e não - como mais uma vez é feito - aumentar as receitas à nossa custa.

Neste aspecto, Sócrates fez o caminho mais simples. Fez exactamente o contrário do que disse, mas também a isso já nos habituámos. Exigiu-nos que pagássemos o défice que ele, e outros antes dele, nunca tiveram a coragem de resolver.

Texto publicado na edição do Expresso de 13 de Março de 2010