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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Então e Isaltino?


Henrique Monteiro
O Tribunal Constitucional indeferiu os recursos dos condenados no processo Casa Pia, que assim têm de voltar à prisão. O próprio advogado de Carlos Cruz - e bem - reconhece que assim vai ser (independentemente do recurso ao Tribunal Europeu, o qual não tem efeitos suspensivos).
Porém, noutro país, cujo nome não me lembro, um presidente de Câmara condenado em todas as instâncias, ao que parece com todos os recursos esgotados e com uma situação que ao próprio Kafka faltaria imaginação para descrever, mantém-se em liberdade.
O nome dele, já o sabem, está escrito no título. Por que razão isto acontece, podem deitar-se a adivinhar. Será por ter sido, ele próprio, magistrado do Ministério Público? Será por ser político e ex-ministro? Será porque sabe de mais?
Eu não sei, mas deixo a pergunta outra vez: então, e Isaltino? Porque, de vez em quando, no meio de debates tão inúteis quanto apaixonados sobre o senhor Franquelim, é bom lembrar que andam por aí condenados à solta

Twitter: @HenriquMonteiro https://twitter.com/HenriquMonteiro
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Ler mais: http://expresso.sapo.pt/entao-e-isaltino=f785731#ixzz2KjVfbJm9

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sócrates vai para o "Guiness"...

Economia

Sócrates vai para o "Guiness" pela sua incompetência, diz Belmiro

O patrão da Sonae considera que não há ninguém que tenha feito "tanta coisa tão mal em tão pouco tempo".

Expresso

10:35 Terça feira, 7 de junho de 2011

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O ministério anti professor




O ministério da educação já não existe na realidade. Os pedagogos da 5 de Outubro só existem no mundo do humor. E, no meio deste humor involuntário, lá vão destruindo a figura do "professor".

Henrique Raposo www.expresso.pt


Leia a notícia e arregale os olhos. Pode ser de espanto ou de revolta. A escolha é sua.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Junho 2010: para mais tarde recordar

Miguel Sousa Tavares - Expresso.pt


Miguel Sousa Tavares www.expresso.pt
0:00 Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

1 Apresento-vos o SUCH: uma empresa pública juridicamente disfarçada de associação de utilidade pública, cujo fim é "promover a redução de custos e a qualidade e eficiência da prestação de serviço por parte do Serviço Nacional de Saúde". Na sua última gestão, o SUCH conseguiu a proeza de perder 5 milhões de euros, com a mesma naturalidade com que empresas como a EPUL (que constrói casas por conta da CML, sem ter de pagar os terrenos) consegue perder dinheiro. Mas o prejuízo e o endividamento bancário não são nada que preocupe os administradores do SUCH - os quais, segundo um relatório preliminar do Tribunal de Contas, se aumentaram 50% no vencimento no triénio 2006/8, atribuíram-se 25 viaturas de "uso não exclusivamente profissional" e despesas de representação referentes a 14 meses por ano, além de prémios de 130.000 euros a três directores por terem conseguido cumprir a que era a sua função: cobrar créditos. Pormenor irrelevante é que o TC conclua ainda que o SUCH revele "falta de conhecimento das idiossincrasias do sector público da saúde".

Quantos SUCH haverá por essa Administração Pública e Local fora? Quantos biliões não se poupariam se o primeiro-ministro, pura e simplesmente, decretasse que cada Ministério teria de reduzir a sua despesa corrente em 10% - e eles que se dessem ao trabalho de puxar pela imaginação e passar a pente fino todos os gastos inúteis ou injustificados da teia de institutos e empresas públicas, fundações e associações, que tutelam? Pois é: mas é tão mais fácil e imediato subir impostos a quem trabalha e produz riqueza para sustentar um exército de milhares de afilhados e protegidos!

2 Vê-se que o Governo está em decomposição quando um homem competente e empenhado como Teixeira dos Santos já não sabe o que há-de prever, o que há-de fazer, o que há-de dizer. Ele espera apenas que "este ano" não seja preciso voltar a aumentar os impostos. Ele sabe que o aumento retroactivo de impostos é proibido pela Constituição, mas acha que essa não é uma "proibição absoluta", que não deva ceder face ao "bem comum" e à situação de emergência financeira em que estamos. Ou seja: segundo o ministro, parece que a Constituição tem princípios absolutos e princípios relativos e que cabe a quem governa determinar, em cada momento, quais são uns e quais são outros. Será que já vivemos em estado de sítio, quando a Constituição, ou parte ela, pode ser suspensa?

Pois é, senhor ministro, suspenda a Constituição, que a gente paga, que remédio! Mas, se ao menos, não houvesse o SUCH! Se não houvesse a EPUL! Se não houvesse umas centenas de empresas municipais a duplicar as funções, os lugares e as despesas das câmaras! Se não houvesse o metro do Porto (praticamente todo feito à superfície), que, em meia dúzia de anos acumulou quase 2000 milhões de prejuízo, onde as receitas não chegam sequer para pagar metade das despesas com a dívida e cada bilhete que um utente paga custa aos contribuintes 3,2 euros mais! Ah, senhor ministro, o Estado português é como um chefe de família que passa o dia na taberna e no casino e depois rouba o ordenado à mulher e aos filhos para se sustentar! Por favor, faça, diga-nos qualquer coisa que nos possa consolar patrioticamente dos sucessivos assaltos fiscais de que somos alvo!

3 A Espanha suspendeu a construção de um dos troços da sua linha de TGV Madrid-Caia. É apenas um troço, nada mais, mas a tão invocada ligação "estratégica" de Portugal à Europa em alta-velocidade precisa de todos os troços. Parece que a Espanha manterá o seu compromisso de completar a sua parte no prazo previsto, até 2013. Parece que continua a valer um telefonema entre o nosso ministro das Obras Públicas e o ministro do Fomento deles. Abençoado telefonema: neste momento, é o melhor instrumento "jurídico" de que dispomos para não nos vermos amanhã com a gloriosa tarefa de rentabilizar um TGV entre Caia e o Poceirão. Francamente, seria de mais.

4 Os espanhóis quiseram também comprar os 50% da Vivo que a PT detém no Brasil: ofereceram 5,3 mil milhões, o que foi considerado pela PT, pelos seus principais accionistas, por José Sócrates, o ministro e o secretário de Estado como uma ofensiva hostil e atentatória do interesse nacional. Sócrates não se ensaiou mesmo nada para declarar que faria uso da golden share do Estado na PT para impedir a alternativa previsível - que seria uma OPA da Telefónica sobre a própria PT. Unidos como unha e carne, Governo e accionistas principais da PT garantiram que não cederiam, que a Vivo é estratégica para a PT e a PT é estratégica para Portugal. Cinco dias depois, a oferta subiu para 6,5 milhões e as razões "estratégicas" para não vender começaram a abrir caminho à estratégia de "tudo tem um preço". Vai haver violas metidas ao saco e um fado que virará flamenco, mas eu, francamente, não me apoquento nada: a minha dose de patriotismo está-se a esgotar com o assalto fiscal e o Mundial de futebol. De estratégico, para mim, é só isto: a PT é a maior e a pior empresa de Portugal. Funciona em regime de monopólio de facto e presta um serviço público que é caro e mau. Se alguém a quiser, e não apenas à sua enteada brasileira, eu até agradeço: pior não ficamos, de certeza.

5 Compreendo que uma escola com cinco ou dez alunos não é viável financeiramente nem aconselhável pedagogicamente. Mas fechar todas as escolas (e são todas no Interior) com menos de 20 alunos já é diferente e dificilmente explicável por razões que não apenas financeiras e de curto prazo. A médio e longo prazo, este é o caminho certeiro para acabar de matar o Interior: atrás das crianças, vão os pais; atrás dos pais, vão os empregos e a economia, o comércio e a vida activa; restam os avós, o vazio, as casas fechadas, as aldeias mortas. Se alguém pensasse Portugal a longo prazo ou se, ao menos, estudasse o seu passado recente, veria que este é o maior erro que cometemos. Poupamos hoje, pagamos amanhã. E caro.

6 O que mais me despertou a atenção na maravilhosa aventura programada da célebre professora stripper de Mirandela, foi descobrir duas coisas: uma, que ela, afinal, não é professora, mas sim "monitora de tempos livres"; a outra, que tem um ordenado por inteiro mas um horário de apenas seis horas semanais, as quais pode acumular todas num dia, ficando com o resto da semana livre. Será que se eu me despir, também me arranjam um emprego destes?

7 Pela segunda vez, o Governo vai tentar fazer passar a lei que tornará obrigatória a colocação de um chip em todos carros e que permitirá ao Big Brother saber, em cada instante, onde estamos, o que fazemos e a que velocidade circulamos. O objectivo evidente é poder sacar uma fortuna em multas sem levantar o traseiro da cadeira. Mas eu desconfio que não é só isso: desconfio que, tal como sucedeu com os coletes, algures, aí entre os 'especialistas', já alguém investiu uns milhares na compra dos chips e só espera, para os transformar em milhões, que a lei seja aprovada.

8 Alguma direita (não necessariamente recomendável) ficou zangada com Cavaco Silva por ele não ter usado o veto político à lei dos casamentos homossexuais. Eu percebo-os e não os percebo. Percebo-os, porque se um Presidente, que não é eleito com um programa de governo, porque não vai governar, também prescinde de ter um programa ideológico e de valores, então não está lá para fazer nada, excepto manter-se em funções. Mas não os percebo, porque esse é exactamente o caso de Cavaco Silva, como já todos tinham obrigação de saber. Cavaco não gosta de riscos, de atitudes morais, de confrontos ideológicos: gosta do terreno aplanado para seu uso pessoal. Em cada escolha, em cada dilema, ele nunca corta a direito: arranja sempre maneira de se encostar a uns sem se desencostar dos outros.

Texto publicado na edição do Expresso de 5 de Junho de 2010

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Casamento Gay

de João Pereira Coutinho - in Expresso



Uma agressão somente à religião Católica?
Não (não existem casamentos entre indivíduos do mesmo sexo em nenhuma religião)
Uma agressão somente à Civilização Ocidental?
Não (não existem casamentos entre indivíduos do mesmo sexo em nenhuma civilização)
Uma agressão somente à humanidade?
Não (não existem casamentos entre indivíduos do mesmo sexo em nenhum grupo de humanos)
Uma agressão à Natureza?
Certamente não há no Reino Animal situações de acasalamento entre indivíduos do mesmo sexo.

Casamento "gay"

Abomino histerias.
E o casamento "gay" é histeria.
Segundo dizem, recusar o casamento a pessoas do mesmo sexo é uma "discriminação".
As pessoas dizem a palavra - "discriminação" - e esperam que eu me comova.
Não me comovo.
Claro que é uma discriminação.
E daí?
Todos os dias, a todas as horas, sobre as mais variadas personagens, a sociedade exerce as suas "discriminações".
Se, por mera hipótese, eu pretendesse casar com duas mulheres, estaria impedido pela força da lei.
Não será isto uma "discriminação"?
Por que motivo o Estado impede que três adultos que se amam possam construir uma família em conjunto?
Arrisco hipótese: porque a sociedade estabeleceu os seus códigos de conduta, os seus símbolos, as suas "instituições".
São estes códigos, estes símbolos, estas "instituições" que sustentam a vida em sociedade e não vale a pena questioná-los por cálculo racionalista.
Acabamos por chegar a conclusões francamente lunáticas.
Se o casamento passasse a ser um mero contrato baseado no afecto (a visão sentimental da tribo), não haveria nenhuma razão substancial para impedir todas as formas
possíveis de casamento: entre pais e filhos; entre irmãos; entre duas mulheres e um homem; entre uma mulher e vários homens; etc.
É justo que duas pessoas do mesmo sexo que partilham uma vida em comum possam assegurar certos direitos sucessórios ou fiscais.
Não é justo desmontar o casamento tradicional para acomodar o capricho de uns quantos.
Pior: o gesto apenas abriria uma nova forma de "discriminação" sobre todos os outros - pais e filhos; irmãos; duas mulheres e um homem; uma mulher e vários homens - que são deixados injustamente à porta do matrimónio.
Tenham juízo e, já agora, portem-se como homenzinhos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado"

( carregue nas imagens para ampliar)

Saíu hoje no Jornal de Notícias/RTP uma sondagem sobre o caso "Freeport" .

O sr. Sousa, que gosta de sondagens não pode sequer ignorar o seu resultado, pelo que terá de deixar a teoria da cabala negra.

Será que não o preocupa que 61% dos inquiridos considerem que não esclareceu completamente as dúvidas que surgiram neste caso ou deixou coisas por esclarecer ?

Será que não o obriga a pensar saber que 43% não acreditam na sua palavra quando referiu que não houve qualquer espécie de favorecimento no processo de aprovação do "Freeport"?

Sr.Primeiro Ministro: deveria saber que só a transparência pode transmitir qualidade à democracia que vivemos. Atitudes como as suas favorecem a descrença e podem pôr em causa a democracia.

O seu Governo não pode deixar de tirar consequências quando 48% dos inquiridos não tem confiança que a investigação vá esclarecer rapidamente todas as dúvidas e 42% avaliam a actuação das autoridades portuguesas neste processo como má ou muito má .

Sabe quando o cidadão têm a percepção que o sistema judicial não funciona só revela que os políticos foram incapazes, incompetentes e não estão preocupados com a qualidade da democracia .

Como diz Clara Ferreira Alves num artigo no Expresso e cito" Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura. E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas.(...) Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?(...)Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças,de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.(...) Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.

Como diria Almada Negreiros "Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado".