Ao fim e ao cabo
A Polícia de Segurança Pública tem sete mil agentes em Lisboa. O número parece razoável. Mas é enganador.
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Faltam à capital, pelo menos, mais mil polícias: à noite, do Marquês de Pombal à Baixa, para não ir mais longe, é raro ver um carro-patrulha. A PSP dificilmente conseguirá fazer melhor.
A não ser que contasse com a ajuda da Polícia Municipal – transformada numa espécie de ‘guarda pretoriana’ da Câmara e com pouco interesse pela segurança da cidade: passa multas a comerciantes, reboca carros mal estacionados, mostra-se timidamente em voltinhas pelas ruas da Baixa e pouco mais. A Polícia Municipal tem que fazer mais – muito mais. Até porque 400 dos seus agentes foram recrutados na PSP.
Significa que a cidade perdeu 400 polícias de giro e a Câmara ganhou 400 cobradores de multas. É muito bom para os cofres da autarquia, mas é muito mau para a segurança da cidade. A Polícia Municipal tem a obrigação de assegurar o policiamento, mais que não seja, nos bairros históricos – onde o município, muitas vezes sem ouvir as juntas de freguesia, não se cansa de licenciar bares: a Câmara ganha com o negócio, mas lava as mãos dos prejuízos.

