Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Catarino. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Catarino. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Policia faz de conta


Ao fim e ao cabo


A Polícia de Segurança Pública tem sete mil agentes em Lisboa. O número parece razoável. Mas é enganador.

  • 0h30

Por: Manuel Catarino, Subdirector

Faltam à capital, pelo menos, mais mil polícias: à noite, do Marquês de Pombal à Baixa, para não ir mais longe, é raro ver um carro-patrulha. A PSP dificilmente conseguirá fazer melhor.

A não ser que contasse com a ajuda da Polícia Municipal – transformada numa espécie de ‘guarda pretoriana’ da Câmara e com pouco interesse pela segurança da cidade: passa multas a comerciantes, reboca carros mal estacionados, mostra-se timidamente em voltinhas pelas ruas da Baixa e pouco mais. A Polícia Municipal tem que fazer mais – muito mais. Até porque 400 dos seus agentes foram recrutados na PSP.

Significa que a cidade perdeu 400 polícias de giro e a Câmara ganhou 400 cobradores de multas. É muito bom para os cofres da autarquia, mas é muito mau para a segurança da cidade. A Polícia Municipal tem a obrigação de assegurar o policiamento, mais que não seja, nos bairros históricos – onde o município, muitas vezes sem ouvir as juntas de freguesia, não se cansa de licenciar bares: a Câmara ganha com o negócio, mas lava as mãos dos prejuízos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Va, senhor engenheiro



Correio directo

Vá, senhor engenheiro

José Sócrates condicionou o poder judicial como nenhum outro primeiro-ministro se atreveu a fazer nos tempos da democracia.

  • 0h30

Por: Manuel Catarino, Subdirector


Fê-lo em causa própria. Tentou domesticar a Justiça para evitar ser arguido. A pergunta que ontem à noite lhe foi colocada pela jornalista Susana Martins, da Rádio Renascença, foi por isso um tiro de oportunidade: "Não receia que a derrota eleitoral abra caminho a novos processos ou acelere outros em curso?".

A sala onde o PS lambia as feridas explodiu em apupos. Lamentável reacção de um partido a quem o País deve a democracia. Bem sei que não posso confundir o PS com um ruidoso naipe de labregos – mas não ouvi, pelo menos de Sócrates, uma palavra a mandá-los calar. Parece que se vai embora. Vá, senhor engenheiro, vá!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Procuradora

A Procuradora

Cândida Almeida merecia retirar-se da magistratura com toda a dignidade. Já não vai a tempo

0h30

Por:Manuel Catarino, Jornalista

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O crime compensa

O crime compensa - Opinião - Correio da Manhã


Andamos a alimentar ociosos, vagabundos, corrécios, chefes de gang. Pagamos à escória (...)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Um homem só - Opinião

Um homem só - Opinião - Correio da Manhã

(...)

P.S. Como receava, escassas linhas chegam para dar conta da actividade parlamentar de Inês de Medeiros. Nem se ouviu durante toda a semana.



Manuel Catarino, Jornalista

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Artista precária

Artista precária - Opinião - Correio da Manhã

26 Abril 2010 - 00h30
Ao fim e ao cabo

Inês de Medeiros, a deputada portuguesa com residência em Paris, pertence ao regimento de artistas precários – no sentido em que teimam viver à custa de subsídios preferencialmente pagos pelo Estado que, como se calcula, não tem a menor obrigação de sustentar manias e extravagâncias.


Como é precária, Inês fez-se à vida: ainda tentou do Partido Socialista um lugar elegível na lista para o Parlamento Europeu – mas o melhor que José Sócrates conseguiu arranjar, apesar de a senhora viver em Paris, foi assegurar-lhe a eleição para a Assembleia da República como candidata pelo Círculo de Lisboa.


Estrasburgo tem outra classe – e seria mais de acordo com a condição de criatura de relativa cultura que fala francês e, muito provavelmente, toca piano. Gorada a hipótese de Estrasburgo, restou-lhe a solução de Lisboa. Inês franziu-se com a maçada de voltar à provinciana capital. Ainda assim, aceitou. O esforço, de resto, será recompensador: ao fim de pelo menos dois mandados tem direito a reforma vitalícia – que a vida de uma artista precária, mesmo na Cidade Luz, está cada vez mais difícil.


A senhora deputada, ao fim de porfiados esforços, obrigou a Assembleia da República a suportar-lhe uma viagem semanal de ida e volta a Paris – no valor de 2500 euros. Não duvido da legalidade do pagamento – despachado por Jaime Gama com base num parecer jurídico que, obviamente, será de irrepreensível doutrina e tecnicamente impugnável.


O que importa, neste caso, é o código dos princípios. Inês de Medeiros acha que o Estado tudo deve fazer, tudo deve iniciar, tudo deve pagar. Habituou-se a viver dos subsídios: é, como tantos outros artistas, uns mais parcos de ideias e de talento do que outros, uma subsídio-dependente – essa chaga política e social que lhe dá uma estranha concepção do que deve ser a vida em liberdade.


Prometo que hei-de encontrar espaço, em post scriptum, para dar conta todas as segundas-feiras do árduo trabalho parlamentar da mais cara deputada eleita pelo Círculo de Lisboa – as intervenções em plenário, a actividade nas comissões, as iniciativas legislativas.


Desconfio de que escassas duas linhas de rodapé chegam e sobram para assinalar o esforço de Inês de Medeiros. Espero que esteja enganado.



Manuel Catarino, Jornalista