O leitor acompanhou a história daquele burlão que apareceu na comunicação social a dar falsas esperanças aos portugueses? Foi realmente incrível, a mensagem de Natal de Pedro Passos Coelho
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
ANDAVA UM BURLÃO EM PORTUGAL MAS IDENTIFICARAM-NO
terça-feira, 15 de junho de 2010
A ler com atenção...

Cidadãos europeus, Uni-vos!
A luta de classes está a voltar, sob nova forma, mas com a violência de há cem anos: agora é o capital financeiro a declarar guerra ao trabalho.
Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus. A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os actores sociais estão perplexos e paralisados. Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos. Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa: o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista.
Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de protecção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.
Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra: o acumulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a Espanha é mandada recuar décadas na sua história: reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos laborais (facilitar despedimentos, reduzir indemnizações).
A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul. A Europa está a ser vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da devastação social.
O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 mil milhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 mil milhões para salvar o sistema financeiro europeu? A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho.
O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois factos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia. A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.
Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios.
Visão 2-06-2010
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quinta-feira, 19 de março de 2009
A frase
"O PS já ocupa todos os altos cargos públicos, faz lembrar o Zeca Afonso: 'eles comem tudo'".
Nascimento Rodrigues, Provedor de Justiça, "Visão", 19-03.2009
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quinta-feira, 5 de março de 2009
O congresso da falta de educação

Visão - 5 de Mar de 2009
Curiosa improbabilidade ideológica: grande partido da esquerda democrática convidou o Partido Comunista Chinês para o seu congresso
Julgo não estar longe da verdade se disser que os congressos partidários são das mais belas celebrações da democracia. Claro, a liberdade de expressão é bonita, e a possibilidade de eleger livremente um Governo é interessante, mas os congressos são um fim-de-semana prolongado de tolice democrática. Animam muito. Eis a razão pela qual custa compreender que estas excelentes festas de propaganda sejam constantemente marcadas por uma incivilidade tão violenta. Foi o caso do recente congresso do Partido Socialista. A imodéstia dos congressistas do PS é chocante, e a indelicadeza dos convidados dos outros partidos é igualmente deplorável. Para os primeiros, o congresso foi extremamente importante, por razões de tal modo evidentes que nunca são referidas; para os segundos, o congresso foi uma oportunidade perdida, no que se distinguiu, parece, dos outros congressos partidários, que ficaram conhecidos pela extraordinária utilidade e influência que tiveram na história de Portugal. Os últimos não tiveram uma palavra de agradecimento por terem sido convidados para a casa do PS - nem sequer aquelas frases de circunstância que qualquer convidado dirige ao anfitrião: nem um "esteve-se bem", nem um "obrigado por este bocadinho", nem uma menção simpática à qualidade dos croquetes - nada. Os primeiros não souberam temperar o entusiasmo, que é legítimo em quem acaba de organizar uma festa na qual Stevie Wonder e Dionne Warwick celebram o trabalho partidário de Vítor Constâncio, Jorge Sampaio e tantos outros, com um pouco de humildade, que também fica bem.
Julgo não estar longe da verdade se disser que os congressos partidários são das mais belas celebrações da democracia. Claro, a liberdade de expressão é bonita, e a possibilidade de eleger livremente um Governo é interessante, mas os congressos são um fim-de-semana prolongado de tolice democrática. Animam muito. Eis a razão pela qual custa compreender que estas excelentes festas de propaganda sejam constantemente marcadas por uma incivilidade tão violenta. Foi o caso do recente congresso do Partido Socialista. A imodéstia dos congressistas do PS é chocante, e a indelicadeza dos convidados dos outros partidos é igualmente deplorável. Para os primeiros, o congresso foi extremamente importante, por razões de tal modo evidentes que nunca são referidas; para os segundos, o congresso foi uma oportunidade perdida, no que se distinguiu, parece, dos outros congressos partidários, que ficaram conhecidos pela extraordinária utilidade e influência que tiveram na história de Portugal. Os últimos não tiveram uma palavra de agradecimento por terem sido convidados para a casa do PS - nem sequer aquelas frases de circunstância que qualquer convidado dirige ao anfitrião: nem um "esteve-se bem", nem um "obrigado por este bocadinho", nem uma menção simpática à qualidade dos croquetes - nada. Os primeiros não souberam temperar o entusiasmo, que é legítimo em quem acaba de organizar uma festa na qual Stevie Wonder e Dionne Warwick celebram o trabalho partidário de Vítor Constâncio, Jorge Sampaio e tantos outros, com um pouco de humildade, que também fica bem.
Tirando a descortesia, o que se reteve da reunião magna dos militantes do PS? Por um lado, uma curiosa improbabilidade ideológica: o grande partido da esquerda democrática convidou o Partido Comunista Chinês para o seu congresso. Já se sabia que o grande partido da esquerda democrática era, na melhor das hipóteses, do centro relativamente autoritário. Mas não era público que apreciava a companhia da esquerda ditatorial.
Por outro lado, deve sublinhar-se a coragem de José Sócrates, quando pediu que fosse o povo, através do voto, a julgar o caso Freeport. É uma proposta ousada na medida em que os casos de justiça costumam ser julgados em tribunal. E arriscada porque, até hoje, nenhum tribunal condenou Sócrates, mas eu conheço muita gente do povo que acha que ele tem pinta de ser culpado.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Crónica de Ricardo Araújo Pereira
Visão – 19 de Fevereiro 2009

O PS e o PSD querem falar connosco. Primeiro foi a crise, agora é este súbito interesse dos dois maiores partidos em falar com os portugueses. 2009 é, definitivamente, o ano das más notícias.
Há uma semana, Manuela Ferreira Leite anunciou o Fórum Portugal de Verdade, uma iniciativa que pretende resolver os problemas que preocupam os portugueses, designadamente com soluções que preocupem de outra maneira os portugueses. Depois, José Sócrates, na qualidade de candidato a secretário-geral do PS (que é uma pessoa muito parecida com o primeiro-ministro, só que enfrenta uma oposição mais forte), declarou que o partido iria levar a cabo um grande debate nacional com o objectivo de definir a plataforma eleitoral com que o PS se apresentará às eleições para continuar a política que gerou a necessidade deste grande debate nacional.
Os grandes debates possuem características específicas que não só os distinguem dos pequenos debates como os tornam encantadores. Em primeiro lugar, os grandes debates são inúteis. A melhor maneira de lançar Portugal no caminho do desenvolvimento não é ouvir os portugueses, é ouvir os noruegueses. Falemos com gente que sabe mesmo o que é desenvolvimento a sério. Trata-se de um povo que consegue desenvolver-se às escuras no meio do gelo. Pode ser que tenham sugestões importantes para dar a quem vive num clima em que o Verão dura mais de dez minutos.
Em segundo lugar, os grandes debates nacionais são sazonais. Só medram em ano de eleições. Desde os Estados Gerais do PS, em 1995, até ao Fórum Portugal de Verdade, todos os grandes debates nacionais decorreram no ano de eleições legislativas. Sempre que os cidadãos se dirigem à cabina de voto, os dois maiores partidos fazem muita questão em ouvi-los. Nos anos em que não vai às urnas, o povo, aparentemente, não tem nada de especialmente interessante para dizer.
Por último, os grandes debates nacionais são inquietantes. Os do PSD misturam Portugal e verdade, que são dois conceitos geralmente tidos como incompatíveis. Além de que, num ano como este, disporem-se a dizer a verdade aos portugueses parece ser uma crueldade desnecessária. A única mais-valia do debate proposto pelo PSD é avançar com a verdade um bom par de meses antes das eleições e, portanto, da campanha eleitoral – da qual a verdade costuma estar convenientemente afastada. Os grandes debates propostos pelo PS realizam-se no âmbito das Novas Fronteiras, o que pode ser trágico. Ao fim de um ano de governo, Sócrates foi às Novas Fronteiras declarar que o País começava a recuperar a confiança. Ao fim de dois anos foi dizer que era claro que o governo tinha um rumo. Ao fim de três anos foi garantir que o governo tinha conseguido fazer um trabalho notável no domínio da estabilidade e da confiança nas instituições. Tenho alguma curiosidade relativamente à comunicação deste ano, mas confesso que, se é para ouvir debates com intervenções sem nexo, prefiro o Fórum da TSF, que é mais animado.

UM GRANDE DEBATE NACIONAL SOBRE GRANDES DEBATES NACIONAIS - A melhor maneira de lançar Portugal no caminho do desenvolvimento não é ouvir os portugueses, é ouvir os noruegueses
O PS e o PSD querem falar connosco. Primeiro foi a crise, agora é este súbito interesse dos dois maiores partidos em falar com os portugueses. 2009 é, definitivamente, o ano das más notícias.
Há uma semana, Manuela Ferreira Leite anunciou o Fórum Portugal de Verdade, uma iniciativa que pretende resolver os problemas que preocupam os portugueses, designadamente com soluções que preocupem de outra maneira os portugueses. Depois, José Sócrates, na qualidade de candidato a secretário-geral do PS (que é uma pessoa muito parecida com o primeiro-ministro, só que enfrenta uma oposição mais forte), declarou que o partido iria levar a cabo um grande debate nacional com o objectivo de definir a plataforma eleitoral com que o PS se apresentará às eleições para continuar a política que gerou a necessidade deste grande debate nacional.
Os grandes debates possuem características específicas que não só os distinguem dos pequenos debates como os tornam encantadores. Em primeiro lugar, os grandes debates são inúteis. A melhor maneira de lançar Portugal no caminho do desenvolvimento não é ouvir os portugueses, é ouvir os noruegueses. Falemos com gente que sabe mesmo o que é desenvolvimento a sério. Trata-se de um povo que consegue desenvolver-se às escuras no meio do gelo. Pode ser que tenham sugestões importantes para dar a quem vive num clima em que o Verão dura mais de dez minutos.
Em segundo lugar, os grandes debates nacionais são sazonais. Só medram em ano de eleições. Desde os Estados Gerais do PS, em 1995, até ao Fórum Portugal de Verdade, todos os grandes debates nacionais decorreram no ano de eleições legislativas. Sempre que os cidadãos se dirigem à cabina de voto, os dois maiores partidos fazem muita questão em ouvi-los. Nos anos em que não vai às urnas, o povo, aparentemente, não tem nada de especialmente interessante para dizer.
Por último, os grandes debates nacionais são inquietantes. Os do PSD misturam Portugal e verdade, que são dois conceitos geralmente tidos como incompatíveis. Além de que, num ano como este, disporem-se a dizer a verdade aos portugueses parece ser uma crueldade desnecessária. A única mais-valia do debate proposto pelo PSD é avançar com a verdade um bom par de meses antes das eleições e, portanto, da campanha eleitoral – da qual a verdade costuma estar convenientemente afastada. Os grandes debates propostos pelo PS realizam-se no âmbito das Novas Fronteiras, o que pode ser trágico. Ao fim de um ano de governo, Sócrates foi às Novas Fronteiras declarar que o País começava a recuperar a confiança. Ao fim de dois anos foi dizer que era claro que o governo tinha um rumo. Ao fim de três anos foi garantir que o governo tinha conseguido fazer um trabalho notável no domínio da estabilidade e da confiança nas instituições. Tenho alguma curiosidade relativamente à comunicação deste ano, mas confesso que, se é para ouvir debates com intervenções sem nexo, prefiro o Fórum da TSF, que é mais animado.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
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