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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Carlos A Saraiva

Assunto:
carlos
Data: Tue, 19 Feb 2008 11:39:25 -0000 [19-02-2008 11:39:25 WET]
De:
scardoso@dnoticias.pt

Olá.
Sou colaboradora do Jornal de Oeiras e Jornal de Cascais.
Envio um texto em anexo, que sai na nova edição.
Em jeito de homenagem, se quiserem publicar.
Obrigada.

Sandra Cardoso
Correspondente em Lisboa

Diário de Notícias Madeira


Gigante

Costumava dizer-te que ia escrever a tua biografia. Tu, rias-te, como só tu sabias fazer, e dizias: “Faz, isso”. Eu não falava por falar, mas por admirar a tua grandeza. Não era à toa. Ao início, achavas que me estava a meter contigo, pelos teus conhecidos preconceitos de altura. Até nisso, tinhas graça. Como se os homens se medissem aos palmos! Mas, facilmente percebeste que me referia à dimensão do teu espírito. Foste tão grande, que mesmo desaparecendo das nossas vistas, ainda o és.
Influenciaste-me e ensinaste-me tantas coisas, a maior parte das vezes fingindo que estavas a aprender comigo. Ainda não acredito que nunca mais me vais perguntar: “Já me leste esta semana? O que achaste?”. Sentia-me sempre pequenina, quando me pedias isso. Como se eu tivesse direito de ousar comentar o mestre. Sei que não gostavas dessa designação e que a minha opinião era mesmo importante para ti. Eras de uma humildade enternecedora. Até nas pequenas coisas. Quando falavas dos teus filhos, das tuas paixões (e eram tantas ou não fosses um eterno apaixonado). E quando contavas, transpirando amor, que a tua mãe era a mulher mais inteligente que conhecias, mesmo com a 4ª classe e escrevendo açúcar com um “s” ou dois.
Cada linha deste jornal que escrevo, a cada homenagem que leio, penso em ti. Deves estar a pensar: “que provincianismo”. Pois é, a morte de um jornalista local a fazer manchete pode parecer pacóvio, mas só para quem não te conheceu. Sabes que é verdade. “Sem falsas modéstias”, costumavas dizer e agora sou eu que te digo. Desfruta, tranquilo, meu amigo. Que tu mereces, isto e muito mais. Disseste-me um dia que o jornalista só é notícia duas vezes: se morder um cão ou morrer. Quem me dera que tivesses tido uma súbita e louca fúria em relação a um canino. Seria tão mais fácil.
Felizmente, a tua grandeza levou a que tudo o que hoje é dito sobre ti, o tenha sido feito durante a tua vida. Recebias homenagens diárias. Dizias que “amavas todas as pessoas” e não era um lugar comum. Elas também te amavam e amam.
Mesmo que não queiras que o diga, vou fazê-lo na coluna que me pediste há uns meses para escrever. És a minha referência, não só profissional, mas a nível pessoal. Ainda que tivéssemos as nossas diferenças. O tabaco era uma delas. E por isso, Carlos, meu querido gigante, sabes que não te posso dizer adeus. Porque estarás em cada linha, em cada decisão editorial e sempre que se justificar. Não, não é adeus. É até amanhã, camarada!

Sandra Cardoso

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Carlos A Saraiva

----- Original Message -----
From:
To:
isabelmagalhaes@netcabo.pt
Sent: Tuesday, February 19, 2008 2:16 PM
Subject: FW: UM BEIJO MEU


Cara Isabel
Não a conheço pessoalmente, mas gostaria, se achar conveniente, que fosse publicada no seu blog esta modesta homenagem ao Carlos Saraiva, meu companheiro, um Homem de dimensão sem limites.
Obrigada do coração.
Teresa Lima


UM BEIJO MEU TODOS OS DIAS
Até os dias choram de saudade com um até sempre, meu enorme Carlos.
Toda a tua obra foi perfeita. O compromisso com os teus leitores, com o Concelho de Oeiras em especial, com todos os que te conheceram através da tua "relação de amor com o mundo", ou que contigo de perto privaram.
Cem anos que tivessemos vivido seriam sempre um estalar de dedos. Foi tudo tão próximo, tão cúmplice e partilhado até à última vírgula. Conversas sem fim. Era um prazer ouvir-te e aprender contigo, até mesmo só com um olhar e alguns silêncios igualmente cúmplices.
Sempre te encontraremos em pormenores importantes das nossas vidas.
Filhos e família maravilhosa (Joana, para ti também, és a sua menina), só podiam ter as raízes de um gigante, Carlos Saraiva. Sinto-me esmagada com tanta grandeza espiritual, moral, literária e cívica. Até sempre Meu Querido. Fecha-se uma porta e logo outra se abre cheia de luz, (tantas vezes debatemos este assunto).
Hoje e sempre um beijo meu
Teresa Lima

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Carlos A. Saraiva

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O velório inicia sexta-feira dia 15 pelas 16.00h na Igreja de S. Julião da Barra e a missa de corpo presente no Sábado às 10.00h.
João Viegas


[Da caixa de comentários]

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

CARLOS A SARAIVA

----- Original Message -----
From: José Barroco
To: Isabel Magalhães
Sent: Thursday, February 14, 2008 7:49 PM
Subject:

Isabel

Pediu-me o Carlos uma mensagem para a edição de aniversário do Jornal que sai agora.
Enviei o texto que junto em anexo e peço que publiques no blogue.
Um grande abraço

José Barroco



Por Quem os Sinos Dobram?

No passado dia Sete, - dia dos meus anos – tive oportunidade de falar pela última vez com o Carlos Saraiva, na inauguração da Exposição “ O Homem e a Obra “, alusiva ao Igrejas Caeiro, na Fundação Marquês de Pombal, em Linda-a-Velha.

Como sempre, voltámos a falar da minha promessa não cumprida de levá-lo a comer um magnífico Leitão à Bairrada, num conhecido hotel de Cascais.

Hoje de manhã, ao ouvir dobrar os sinos, fiquei a saber que nunca irei cumprir tal promessa.

O Carlos Saraiva tinha pousado a pena de jornalista para sempre.

Nos últimos três anos em que convivi, confraternizei, discuti e gesticulei com o Carlos, passei a conhecer um lutador, um inconformado, um genuíno jornalista.
Como poucos, o Carlos soube “ meter o dedo na ferida “, conhecer os diversos protagonistas da política, cultura e desporto de Oeiras.
Não temos dúvidas que ninguém é insubstituível.
Mas eu acho que fiquei mais pobre! O jornalismo ficou mais pobre e Oeiras perdeu uma voz incomodativa para alguns, mas quase sempre sincera e acutilante.

Naquele dia Sete, o Carlos pediu-me para fazer umas palavras para inserir na edição de aniversário do “ Jornal de Oeiras “, em nome da Freguesia de Linda-a-Velha.

Pouco mais posso dizer, que transmitir à família, amigos e colaboradores do “ Jornal de Oeiras “ os sentidos pêsames pela perda prematura do Carlos.

E resta-me desejar – porque é minha convicção ser essa a vontade do Carlos – votos de longa vida para o “ Jornal de Oeiras “, que conte muitos aniversários como o de hoje e saiba manter-se firme nos princípios que sempre o guiaram.

Que o Carlos descanse em Paz!

José Barroco