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quarta-feira, 26 de março de 2008


Novos cartoons do Workshop da Ar.Co,
dirigido por Nuno Saraiva
Tibete © Vasco Martins

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Até sempre Pai!

Cara Isabel,

Não sei se nos conhecemos (talvez sim), mas isso não importa. Quero começar por lhe agradecer o esforço para manter viva a memória do meu pai. Peço-lhe depois que publique este pequeno texto sobre o Carlos Saraiva, o meu Pai.


Até sempre Pai!

O chão branco de uma folha não é suficiente para contar todos os ensinamentos que contigo aprendi. Mas uma coisa te prometo: não mais deixarei de dizer em voz alta o quanto foste (és) importante para mim, isto apesar das tensões e dos arrufos que são parte insubstituível da relação entre o melhor pai do mundo e qualquer um dos seus filhos.

No beijo do teu adeus, descobri a importância dos teus silêncios e dos teus olhares, por vezes de reprovação. Não eram mais do que um sinal da tua preocupação com o rumo que a vida dos que sempre amaste podia tomar. Afinal, e como sempre, tinhas razão.
Sabes, Pai... Não é fácil lembrar-me de ti sem que uma ou duas lágrimas escorram rosto abaixo, em sinal de uma saudade que é tudo menos gratuita ou, como tu dirias, é tudo menos "uma mariquice". Há no entanto algumas coisas que me confortam. Desde logo a convicção profunda de que, apesar dos teus exageros, foste profundamente feliz nos últimos quatro anos. Depois porque tinhas ao teu lado a Teresa Lima, certamente uma grande mulher. Por outro lado, fiquei a saber, por estes dias de despedida, que tu, Pai, foste e serás uma referência da vila de Oeiras que tanto amavas. Ouvir tanta gente falar de ti, dizer tantas coisas bonitas e verdadeiras a teu respeito, sabendo que não tinhas nada em troca para lhes dar a não ser a tua enorme grandeza como homem e como Pai fez-me sentir ainda mais orgulho em ser teu filho.

À Joaninha, minha "mana" e ao Miguel Morgado peço mais uma vez que não deixem morrer o sonho do meu Pai: resistam a tudo e a todos que queiram pôr um ponto final no Jornal de Oeiras. Por favor, não desistam de lutar e de continuar o sonho dele.

Pai, eu sei que, mais cedo ou mais tarde, havemos de nos encontrar. algures numa esquina do tempo. Até lá ficará para sempre a saudade e a responsabilidade de falar de ti a toda a gente porque, sem a menor das dúvidas, tu és e serás sempre a minha referência e o meu modelo. Até sempre, Pai!

Nuno Saraiva