quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

PCP contra voto de pesar pelo falecimento de Vaclav Havel

Jerónimo de Sousa até saiu da sala. José Lello brincou, perguntando se haverá voto de pesar pela morte do «querido líder»

Por: tvi24 / CP | 22- 12- 2011 13: 5

Tags: Jerónimo de Sousa - Parlamento AR Orçamento do Estado 2012 10 Nov. 2011


A Assembleia da República aprovou por maioria, com os votos contra do PCP, um voto de pesar pelo falecimento do antigo presidente da Checoslováquia Vaclav Havel, com PS, PSD, CDS-PP e deputados do BE a aplaudir de pé.

Durante a votação, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, abandonou o hemiciclo, tendo regressado logo após os deputados votarem.

As bancadas do PS, PSD e CDS-PP aplaudiram prolongadamente e de pé a votação do voto de pesar, enquanto no BE também houve aplausos, nomeadamente do líder, Francisco Louçã, e pelo menos as deputadas Ana Drago e Catarina Martins também aplaudiram de pé.

O PCP votou contra e «Os Verdes» abstiveram-se, tendo os restantes partidos votado favoravelmente.

O deputado socialista José Lello pediu a palavra para perguntar à mesa se tinha dado entrada um voto de pesar pelo falecimento do «querido líder», numa referência ao ditador da Coreia do Norte, falecido recentemente, a quem o PCP expressou as suas condolências.

No texto aprovado, subscrito por todos os partidos com excepção do PCP e de «Os Verdes», são recordadas as palavras do escritor checo Milan Kundera, que afirmou que «a principal obra de Vaclav Havel terá sido a sua própria vida».

Intelectual, «dramaturgo, dissidente e activista pela democracia», Havel escreveu a sua primeira peça em 1963, «A festa no jardim», aclamada «quer como marco do teatro do absurdo, quer como denúncia da burocratização desumanizadora do regime» checoslovaco.

«Politicamente activo desde a juventude, o dinamismo da sua dissidência com o regime tonar-se-ia mais evidente após a supressão da Primavera de Praga em 1968, quando a força dos tanques calou as aspirações de reformas dos checos e eslovacos», lê-se no texto.

O voto aprovado salienta a sua detenção e «condenação por subversão» em 1977, por ter subscrito a Carta 77, exigindo «o cumprimento das disposições dos acordos de Helsínquia em matéria de salvaguarda de direitos, liberdades e garantias», tendo sido, dois anos depois, condenado a quatro anos e meio de prisão com o mesmo fundamento.

«Em 1989, asseguraria um novo papel na história do seu país e da Europa, tendo sido uma das figuras chave da Revolução de Veludo, coordenando o movimento que exigia o fim do regime», refere o texto.

Havel foi presidente da Checoslováquia e da República Checa, tendo-se oposto à divisão do país.

O voto de pesar aprovado pelo Parlamento sublinhava «o papel histórico e insubstituível de Vaclav Havel na construção de uma Europa mais livre, justa, solidária e democrática».

21 comentários:

José António Lourenço Martins Baptista disse...

Curioso, deveras curioso, o voto ter sido aprovado por partidos que estão a contribuir para transformar Portugal numa Checa.

Nisi credideritis non intelligetis

Anónimo disse...

Gostariamos de saber se o amigo votava a favor ou contra.

Anónimo disse...

Estranho a linha editorial deste blog, agora são anti-PCP? É preciso prestar uma vénia ao vendido do Passos Coelho?

Leite Pereira disse...

Por aqui podemos ficar a saber como o PCP é um partido democrático. A nossa sorte é que nunca conseguirão chegar ao poder.

Isabel Magalhães disse...

Ó anónimo das 19:11;

O que é que anda a fumar?



:D

Isabel Magalhães disse...

Caro Leite Pereira:

Só isso me faria emigrar... se conseguisse sair a tempo!

Anónimo disse...

Oh José António não fique baralhado.
Há um PCP que nos defendeu do fascismo, que na altura fez aquilo que hoje em liberdade não temos tomates para fazer. E disso, sempre, temos de estar agradecidos.
Depois há o outro, que faz parte do mesmo, que ainda não fez a sua refundação. Mas as propostas que hoje apresentam no parlamento, são de um novo PCP refundado, que ainda o não assumiu. Estas propostas têm coerência e são o futuro. Talvez um dia percebam aquilo que o Bloco de Esquerda vai percebendo.
Esta Democracia do PSPSDPP não é Democracia. Saberá a Direita construir uma Democracia melhor?

Leite Pereira disse...

Anónimo de 22Dez 19H11
1.º Porque é que não se identifica? Tem receio de quê? Vivemos em Portugal democrático onde todos podemos manifestar, livremente a nossa opinião, pelo que lhe garanto que nada lhe sucederá se se apresentar com a sua verdadeira identidade.
2.º Não sei nem nunca perguntei, pois também para além de não me interessar em saber a cor política de quem dirige este blog. Uma coisa é certa, basta ler aqui neste mesmo blog a entrevista de Cunhal para que todos nós que somos democratas fiquemos muito agradados com o PCP. Acresce ainda a votação de hoje na AR onde demonstraram que são grandes democratas, atéd o "GRANDE LIDER" Jerónimo de Sousa saíu da sala durante a votação.!
3.º Julgo que fica a saber o que eu penso do PCP e, olhe que não me escondo atrás de anonimatos, por uma razão muito simples: no Gonçalvismo quiseram-me sanear e não conseguiram pois bateram na porta errada, nunca tive medo deles.

Isabel Magalhães disse...

Se calhar não se identifica porque gosta de vir aqui mandar umas "bocas" e escrever umas agressões muito "zecas". E como Portugal são duas assoalhadas deve ter receio de ficar mal no retrato o que significa que lá no fundo, mesmo lá no fundo, é capaz de ter algum resquício de boa pessoa.

Isto sou eu a dar o benefício da dúvida atendendo a que estamos em época de boa vontade...

Isabel Magalhães disse...

Refª 22 de Dezembro de 2011 20:24


O PCP a salvar-nos do fascismo é assim a modos como saltar da frigideira para o lume.

Entrei para a D G Turismo em 1971 e apesar de me chamarem 'agitadora' e saberem que não estava de modo algum ligada ao regime nunca me incomodaram, ao contrário dos comunistas que em 1974 ocuparam o Palácio Foz e me queriam obrigar a colaborar em saneamentos políticos. Obviamente que bateram à porta errada.

José António Lourenço Martins Baptista disse...

Anónimo de 22 de Dezembro de 2011 17:25,

Como o seu comentario surge logo no imediato do meu, presumo que se refira a mim, apesar de não me tratar pelo meu nome, que está bem legível, pois não me acoito atrás de 'nicks' ou do anonimato.

Opta por me tratar por 'amigo', o que é interessante pois o seu anonimato não me permite identificá-lo como um dos meus amigos. Conhecemo-nos de algum lugar?
Adiante.

Gostariam de saber... Gostaria… Mas não vai saber.
Eu não digo pelo simples facto de que isso não é da sua conta.

"Os preconceitos provêem dos intestinos" Nietzsche, Friedrich Wilhelm

José António Lourenço Martins Baptista disse...

Anónimo 22 de Dezembro de 2011 20:24,

Se há coisa que nunca fico é baralhado.
Conheço bem o PCP e a sua história. Antes-74 e pós-74.

Assim como conheço razoavelmente a história de todos os partidos e movimentos políticos.

Essa de perceberem o que o Bloco já percebeu é de bradar aos céus. O que é que o BE percebeu?!

Ainda não perceberan, e o PCP há muito percebeu, que não é com ‘bandeiras’ que se luta mas com propostas efectivas, coerentes, sem falsas promessas.

Tanto que não perceberam que os resultados eleitorais aí estão.

As pessoas estão cansadas de ‘bandeiras’ que não levam a nenhum lado.

O BE é um partido autofágico. E vai acabar por se esvaziar, por andar a fazer funambulismo.

"Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam uma ano e são melhores.Há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida: esses são os imprescindíveis.” Brecht Bertolt

José António Lourenço Martins Baptista disse...

I.,

“O PCP a salvar-nos do fascismo é assim a modos como saltar da frigideira para o lume.”
The poor girl…

Saltar para o lume…?!

Os anos de 1974-75 foram os melhores anos da minha vida!
E não era por ser ignorante ou estúpido, mas por tudo em que acreditei e tudo o que vivi.

Foram anos em que acreditei num futuro belo e maravilhoso, em que a Dignidade Humana seria acarinhada por todos, os Direitos, Liberdades e Garantias, seriam respeitados e inalienáveis, haveria Solidariedade, Trabalho, Habitação, Saúde, Educação, para todos, etc. Tudo o que possamos imaginar de bom e justo.
Enfim, um país belo de gente bela e boa. Sem falta de nada. Um país bom para viver, de que me orgulhasse.

Mas os VAMPIROS estavam acoitados à sombra, apoiados por pessoas como tu [ talvez sem disso terem consciência ], pessoas afogadas em preconceitos e com a cabeça feita, incapazes de reflectir e pensar o futuro possível sem o imaginar negro como breu.
Pois se os comunistas comiam criancinhas e davam uma injecção atrás da orelha aos velhinhos…

Mas eu resisto e não desisto. Não me mataram o Sonho. A minha luta continua. Com objectividade. Com comunistas, sem comunistas. Não sou comunista e nada me liga a eles.

O Anarquismo é o futuro. Adiado, mas é o futuro certo. A humanidade vai mudar. Sempre mudou. Com força, dedicação e trabalho, é possível tornar as pessoas boas. Moral, ética e mentalmente. Nessa altura, a pouco e pouco, a sociedade irá mudando e caminhando para o anarquismo, que é o estádio supremo de organização social.

Quando? Ainda falta muito? Provavelmente sim. Mas também Sócrates, o grego, não se deixou intimidar pelo tempo, e já lá vão mais de 2500 anos.

“É melhor a ausência de luz do que uma luz trémula e incerta, servindo apenas para extraviar aqueles que a seguem.” Bakunin, Mikhail Aleksandrovitch

J.

Isabel Magalhães disse...

Bom dia, J. Baptista;

Já sabes que sou directa... Não me chames 'poor girl' porque apesar das nossas grandes diferenças ideológicas respeito-te e nunca te chamaria 'poor boy' donde que (como diz o outro) não havia necessidade . Mas lá está quem não concorda contigo é 'ceguinho' e desinformado. São feitios! É uma estranha forma de 'democracia' igual à de muitos outros... Tenho até ideia que era o Salazar que dizia 'Quem não é por mim é contra mim!'.

Também fico feliz de saber que em 1974/75, dentro do caos instalado e de todos os problemas muito graves que se abateram sobre o país, houve alguém bafejado pela Felicidade. Praise the Lord!

E termino que o meu tempo é curto. As citações que amiúde fazes também as conheço há muito e não as li à pressa... Para mim, como muito bem sabes, ditadura é ditadura seja ela de esquerda ou de direita.

Com a amizade do costume.

IM

Leite Pereira disse...

Exm.º Senhor Dr (?) Eng.(?) José António Lourenço

Peço-lhe imensa desculpa mas não entendo como tem conseguido viver tantos anos neste País contrariado, quando acha que "1974-75 foram os melhores anos da minha vida". Há pessoas que emigram por questões laborais e outras por razões ideológicas. Nunca pensou ir viver para a China, Cuba ou talvez melhor onde a democracia é mais intensa na Coreia do Norte?

José António Lourenço Martins Baptista disse...

Olá a todos, Boa Tarde!

I.,

Não vou ‘desfiar o rosário’ porque o meu tempo também é curto.

O ‘poor girl’ foi apenas uma ironia coloquial.
Podias perfeitamente ter usado o ‘poor boy’ que eu não me ofendia.
Entre amigos as ‘bocas’ não os antipatizam. Somos amigos?

Nunca me ouviste dizer que quem não concorda comigo é ‘cego’.
Quando uso a expressão “o pior cego é o que não quer ver”, isto remete para a racionalidade e o bom senso.
Sabes bem que sou um racionalista e um positivista. Com resquícios de heguelianismo progressista, vá lá.
Dou muita importância ao saber pensar, ao saber reflectir, que é coisa que está completamente ausente do nosso sistema de ensino. Os estudantes são apenas ‘verbos de encher’, como as memórias dos computadores.

Não convém, excuso de dizer a quem, que se saiba pensar.

Em 74-75, ao contrário do que fazia a maioria nas férias de Verão [ iam de férias, lógico :) ], eu fui para as Cooperativas Agrícolas e Unidades Colectivas de Produção, para a Reforma Agrária, trabalhar [ graciosamente ], para contribuir para o desenvolvimento agrícola e económico do país.
A única ‘paga’ era a alimentação.

Trabalhei na rega e na apanha do tomate, do milho, da cebola, na apanha do grão, na recolha de fardos de palha [ com uma forquilha para os pôr sobre a galera ], na construção duma vacaria, a encher e carregar sacas de semente de girassol e cártamo [ às costas; 50 kg. cada saco ], apanha de melão, e muito mais, todos os dias, à torreira do inclemente Sol alentejano, excepto o grão que é colhido de madrugada.

Foi/é muito importante para mim, quer a experiência do trabalho rural, quer o contacto humano com os trabalhadores rurais e com os mais pobres [ eu tinha 17/18 anos ].
Muito mais podia contar. Mas não vale a pena. Imagino que nada disto tenha qualquer importância para a geral.
Para mim teve e continua a ter como referência de vida.

As citações que faço não têm o objectivo de dar a ideia de que sou um grande intelectual ou erudito. A maioria, procuro-as no momento. Pobre de mim sabê-las todas de cor.
Têm a intenção de incentivar a reflexão a quem as lê. Coisa que eu faço quando leio alguma citação.
Elas existem com este objectivo. Reflectir.

Abracinhos,

J.

p.s. [ o outro ]: Por motivos imprevistos, alheios à nossa vontade, hoje não há a habitual citação. Pelo facto, as nossas desculpas aos exmos. tele-espectadores.

José António Lourenço Martins Baptista disse...

Sr. Leite Pereira,

Essas suas ( ?? ) iniciais, pode tirá-las no meu blogue port in folivm, onde encontra também outras coisas a meu respeito que talvez o esclareçam sobre quem sou [ a si ou a quem lá quiser ir ].

Não há nada de que pedir desculpa.

Quem disse que vivo contrariado? Magoado e dorido, sim. Por vezes, muitas vezes, desiludido, também, mas contra vontade não!

Nasci em Portugal e aqui sempre vivi. Sou português e esta é a minha Pátria, além da Língua Portuguesa que é a minha Pátria Maior.
Amo o meu país e por ele estou disposto a tudo. Mesmo a ir às últimas consequências.
Como diz o poeta “não se nasce impunemente nas praias de Portugal”.

O meu país tem muitas coisas belas, coisas que Amo.
O meu país tem um povo cheio de cultura e tradição, generoso, capaz dos maiores sacrifícios pelo bem comum, e solidário, que gosta de ajudar quem precisa e fá-lo desinteressadamente.
O meu país tem belas paisagens [ por enquanto ], cheias de recantos doces e aprazíveis onde podemos sonhar.
O meu país tem Sol.
O meu país tem muito mais. O que o meu país tem de bom equilibra o que tem de menos bom.
Nada do que me dá o meu país eu poderia obter noutro lugar do mundo, indubitavelmente.

Ir viver para outro lugar foi opção que nunca coloquei na vida. Antes pobre em Portugal que rico na estranja.
Além de que não sou um cobarde e não fujo. A minha Luta é aqui.

Esclarecido?

J A Baptista
designer gráfico / ilustrador
[ reformado por razões de saúde desde os 38 anos com 68% do OMN ]

Anónimo disse...

Dona Isabel. Trata com deferência o José António LMB, porque o conhece, mas o anónimo é desqualificado e cobarde. Parece-me de pouca etiqueta. De qualquer forma penso que o nível do Blogue subiu com este diálogo. É que apreciei e recomendo o sentir do José António, porque decerto não crucificou ninguém em Abril. Porque o sectarismo não esteve só à esquerda. O que foram os 40 anos do Salazar? Não queriam que depois de tantos anos amordaçados, se não fomos nós os explorados, foram os nossos pais e avós, que depois de Abril esticassemos a passadeira vermelha, para os mesmos ou os novos(marcelistas) continuarem a exploração? E de Rio Maior para cima, as sedes incendiadas, os Alpoins, os Bispos e as suas homílias, o diabolizar o aborto, etc. Agradeço ao José António o que disse, porque a Dona Isabel a si já o vê de outra maneira do que os tenebrosos anónimos. Não temos ciúmes, mas o Blogue deve procurar também em Oeiras outros horizontes.
E para isso aprofundar e discutir aquilo que está mais próximo de nós e que continua a ser desrespeitado.
Obrigado.
E os anarquistas não me assustam.
A Cultura é tolerante.

Isabel Magalhães disse...

J;

Publiquei sem ler, estou a "apagar muitos fogos" em simultâneo...
Depois do Natal, nos pequenos intervalos das minhas tarefas diárias poderemos voltar ao assunto.

Tem um Santo Natal. Boas Festas. Com muita Saúde e Paz!

Com a amizade do costume.

I.

Isabel Magalhães disse...

Exmo. Sr. Dom Anónimo [23 de Dezembro de 2011 19:56];

Está bem assim? Se não estiver diga; não se coíba... Eu repudio as ditaduras mas fui ensinada a respeitar a opinião dos outros.

Quanto ao assunto que aqui me traz, VExa. continua a laborar no mesmo erro, i.e.. voltou a comentar e a adjectivar a minha pessoa. O defeito deve ser meu porque não consigo fazer-lhe entender algo tão simples e básico - o que está à discussão são os assuntos e não as pessoas, et cetera, et cetera. Mas e atendendo à época de "Paz na Terra aos homens de boa vontade" publiquei-lhe a missiva. Considere como um presentinho... "un petit rien" para assinalar a efeméride.

Por último uma perguntinha: Que tal usar a sua tolerante cultura para respeitar as opiniões divergentes das suas?

Anónimo disse...

Já percebem agora a diferença entre o Bloco de Esquerda e o PCP?