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Domingo, Junho 01, 2008

No Dia da Criança

Notícias do Jornal


Cinco milhões de crianças
Morrem de fome, todos os anos.
E morrem outras tantas
De armas nas mãos

Obrigadas
Exploradas
Cansadas
Abandonas!

Assim vão morrendo
as crianças do nosso Mundo,
porque elas só têm lágrimas
para nos incomodar.

Escândalo!, diz o jornal
Coitadinhas, dizem outros...
Resolver é difícil:
Há que vencer barreiras
E os que podem
Têm mais que fazer...

O que vale uma criança?
Não é ouro nem petróleo
Apenas um corpinho que chora...

Clotilde Moreira / Algés

Terça-feira, Maio 06, 2008

Freguesia de Algés


COISAS DE ALGÉS – V


1 – O nosso novo estacionamento na Av. dos Bombeiros de Algés, custa Euro l,5 diurno e Euro O,5 à noite. Depois da inauguração a 25 de Abril, ficou vazio e assim continua. Oitenta e oito lugares. A envolvente está bonita e tem tido acompanhamento cuidado. Mas está vazio.


2 – A esplanada do antigo café Ribamar, no fim do Jardim de Algés a caminho da Cruz-Quebrada continua por abrir. É pena pois havia gentes da outra freguesia que nos vinham fazer companhia. Estarão em negociações?


3 – As duas árvores que foram cortadas no Jardim do Parque Anjos junto à esplanada ainda não foram substituídas. (Lembram-se quando caiu um ramo de eucalipto e matou gente vieram logo ao Parque Anjos cortar dois eucaliptos: uns disseram que eles estavam em boas condições mas parece que os serviços da C M O verificaram que não).


Foi reposta uma árvore em falta junto ao estacionamento da Rua do Pingo Doce.


4 – Arranjaram os buracos na Av. dos Bombeiros Voluntários e, apesar de já informados, a massa de alcatrão colocada em cima dos buracos não foi nivelada e andamos aos solavancos até parece um safari.


5 – As obras na Rua Damião de Góis continuam. Proximamente informarei com algum detalhe o que estou vendo e sabendo.


6 – Acabou o "Algés Lés a Lés" que andava sempre às voltas e sempre cheio; levava as crianças e as avós às escolas e os algesinos ao Centro de Saúde. Ligava o Alto de Algés cá abaixo. Era gratuito (com o que eu não concordava completamente). Agora inauguraram o Combus é de hora a hora anda por três freguesias, é da Vimeca. Este é pago (com o que eu não concordo completamente). Mas anda vazio aqui em Algés.

Clotilde Moreira / Algés

Terça-feira, Abril 22, 2008

COISAS DE ALGÉS – III


1 – Vem hoje no Jornal de Oeiras uma informação sobre Aula Aberta no Centro Cultural de Algés que aconteceu a 17 e não a 10 como lá diz. Estava marcada para as 19h00 mas, por atraso do Presidente da C M O, só começou muito perto das 20h00. A Junta da Freguesia promoveu este programa para dar a conhecer algumas das actividades artísticas que envolvem muitos dos nossos jovens. Saí antes de acabar pois estava a fazer-se muito tarde, mas pessoas que lá ficaram até ao fim disseram-me que terminou com alguns discursos e pedido de desculpa do atraso pelo Presidente da Câmara.

É uma praga isto dos atrasos: nada começa a horas e até parece que alguns fazem gala nesta postura. Chegar sempre atrasado às reuniões, aos encontros etc. (escudando-se numa “lei” da meia-hora?) era dantes falta de educação. Hoje parece que não.
Desculpam-se com muito que fazer: não será má programação?

2 – Continuo muito espantada pela falta de acompanhamento das obras da Rua Damião de Góis: continuam a estacionar, as obras a decorrer e os engarrafamentos e falta de mobilidade. Não seria de, numa de bom senso, ser destacado um trabalhador devidamente identificado, que fosse regulando e proibindo o estacionamento?

3 – Eu não disse que ia haver festança? Pois no dia 25 de Abril às 12h30 vai ser inaugurado o parque de estacionamento aqui ao pé de mim, junto à ribeira / Largo Comandante Augusto Madureira. Gostava de perceber porque tem de ser
I N A U G U R A DO e não ser simplesmente aberto à utilização.

Clotilde Moreira / Algés

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Habitação Social no Município de Oeiras

Diz a comunicação social local que o presidente da Câmara de Oeiras declarou que havendo ainda um crédito para construir mais 900 casas, no âmbito do Programa Especial de Realojamento – PER – o vai fazer.

Estas explosões de dinamismo criam um sentimento de angústia e até de rejeição face aos problemas há muito instalados e não resolvidos naquilo que já foi feito.

Na verdade, muitos dos bairros sociais estão a transformar-se em “guetos” exponenciando-se as atitudes e problemas resultantes da falta de empregos, de abandono escolar precoce, do atafulhamento dos espaços e a falta deles como componentes essenciais da sociabilidade de vizinhanças, a falta de transportes, de equipamentos infantis e escolares e tempos livres, e até estruturação do “bairro” nalguns casos com ruas sem saída. Muitas das queixas também se prendem com a má qualidade das construções: armários que se deterioraram rapidamente, humidades e infiltrações; a falta de responsabilização dos seus utilizadores pela manutenção e da própria autarquia que não fiscaliza.

Também não se pode perder de vista as famílias que, entretanto cresceram em número e idade e entendem, por um lado, que a autarquia lhes deve uma casa maior, por outro, as crianças, entretanto adultas, exigem um casa para si. Como diz o ditado: “...deram-lhes o peixe, mas não as ensinaram a pescar”.

Havendo um tal de Conselho de Senadores para ajudarem a projectar Oeiras no futuro, não seria de reflectirem nos males da política de habitação social seguida até aqui, e encontrarem e implementarem uma política inovadora e humanizada – no ideal que possibilite que cada um tenha acesso a uma habitação e diminua, drasticamente, o número de casas vazias que existem neste Município de Oeiras.

Irão dizer: é pura demagogia, é pura utopia. Talvez: mas porque não reflectir? Porque não ouvir com atenção os autarcas locais?

*****

Em 9 de Maio de 2006 o Jornal Público – Tribuna do Leitor, publicou o meu texto acima. Falando agora com pessoas mais conhecedoras e actualizadas lamento concluir que o texto pode ser considerado de hoje. Oeiras é também o Alto dos Barronhos em Carnaxide, onde continua a faltar transportes aos sábados de tarde e domingos, a segurança em sentido amplo é uma miragem, o ruído da auto-estrada é um tormento, há falhas nas estruturas sociais de apoio...

E como “Município modelo” que dizem ser, Oeiras tem de saber dos seus males para ajudarmos a melhorar e sermos, realmente, o tal MODELO.


Clotilde Moreira / Algés

COISAS DE ALGÉS – II

Pois no passado Domingo houve festa no UDRA: comemoravam 50 anos de existência e umas novas instalações. Meteu os Bombeiros a tocar, coisa que eu gosto muito e vi e ouvi da minha janela. Palavra: adoro bandas, nem que sejam só as cornetas e os tambores. Se mandasse ou tivesse algum dinheiro havia de todos os domingos pôr uma banda a tocar no Jardim.


Mas uma coisa que me está a preocupar são as obras na Rua Damião de Góis: vão rebaixar os algerozes, fazer umas caixas de águas maiores, melhorar a iluminação. Os carros eléctricos (ao contrário de uns blás blás de há muitos anos) ficam onde estão e não serão colocados de um só lado como na Av. 24 de Julho, os passeios vão ser de placas de GRANITO, mais os lancis, a via vai levar novo pavimento e como não vai haver estacionamento o trânsito vai fluir. A Junta de Freguesia fez distribuição de uma informação sobre o assunto e parece que tudo estará pronto antes do próximo Natal.

A Damião de Góis sempre teve estacionamento dos dois lados. Agora onde irão estacionar? Parece que vão fazer um parque subterrâneo onde é a bomba de gasolina, no Jardim de Algés. Então primeiro a armar a confusão e depois…depois… faz-se o parqueamento. A mim parece-me que o organigrama das obras está de pernas para o ar. E ainda outra coisa: será boa ideia um parque subterrâneo numa zona arenosa que já está a ser impermeabilizada com as garagens do condomínio do Forte da Conceição? E as cheias? Bem sei que não são todos os dias.


Voltarei. Está vento neste fim de tarde.

Clotilde Moreira / Algés

Terça-feira, Abril 01, 2008

Coisas de ALGÉS

Vai haver festança. Estou a pensar que não vou ter tempo para fazer um vestido novo e lá vou à inauguração de trajo já visto. Se calhar ficarei tão deprimida que terei de consultar um psicólogo.

Vem isto a propósito dos preparativos para ser aberto à população o parque de estacionamento da Ribeira, aqui em Algés, entrada pelo Largo Comandante Augusto Madureira. Hoje estiveram cerca de 21 colaboradores da C M O nos arranjos do ajardinamento envolvente.

O parqueamento é preciso e, palavra, a envolvente está a ficar bonita. Até tem um bordeamento de madeira com canteiros. Os passeios estão rebaixados na entrada do parque para cadeirinhas. Estão a recolocar a rede na parte onde a ribeira descai. E isto porque, apesar de muitos avisos, há crianças que vão para aquele sítio brincar, e tanto pedi que a C M O lá compreendeu que é melhor prevenir do que…

No entanto, continuo a achar – alguém dirá: lá está esta chata outra vez a bater no ceguinho – que este espaço devia ter sido direccionado para localizar o Centro de Saúde pois o bocadinho a ele destinado é “apertadinho” e não tem a possibilidade de parqueamento. Pronto! Sobre isso escrevi, falei, mas – paciência – perdi.

Também pedi à C M O em reunião de Assembleia Municipal para ter em atenção que o acesso ao parque é por uma rua de dois sentidos, que começa na Av. dos Bombeiros, completei com um “desenho” sobre os cruzamentos de entradas e saídas e movimento da tal rua, mas não mexeram no traçado da curva/passeio de entrada… eles é que sabem … mas pessoas que aqui moram dizem que devia ser mais alargada.

Quando estiver inspirada voltarei a dar notícias. Mas o que eu acho é que vai haver festança: se calhar até uns foguetezinhos. Aproveita-se os 50 anos do UDRA – uma instituição que movimenta bastantes miúdos, além de colaborar na assistência a alguns mais desfavorecidos – e vão ali abaixo cortar uma fitinha.

Clotilde Moreira / Algés

Sexta-feira, Março 21, 2008

começa a primavera,
é o dia da árvore,
é o dia da poesia!


Quando foi o dia?

Quando foi o dia
em que todas as cidades
mergulharam em flores
e as nações em paz
viram todas as crianças sorrirem?

Quando foi o dia
em que todos os povos tiveram sol
e todas as mães embalaram os seus filhos
e os avós gargalharam as alegrias guardadas?

Quando foi o dia
em que todos ao mesmo tempo
deram as mãos
abençoaram o nascimento
o pão
o mel
e cantaram o hino da união?

Quando foi esse dia?
Não sei,
mas as memórias dizem
que nunca existiu
nem no primeiro dia da criação.

Clotilde Moreira

Quinta-feira, Março 13, 2008

Paço de Arcos

in JORNAL DA REGIÃO - OEIRAS, 11 a 17 Março 08

Sexta-feira, Março 07, 2008

SOMOS APENAS MULHERES

Não queremos ser recordadas
por sermos mães

Não queremos ser recordadas
por sermos filhas
irmãs
companheiras...

Não queremos ser recordadas
em nenhuma data especial.

Lembrem-se que apenas somos MULHERES
e que todos os dias são NOSSOS!

Clotilde Moreira

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

A TERRA

[Contra a falta de cuidado que muitas vezes se tem no uso da Terra.]


A TERRA

Não enterres, desenterres
nem aterres.
Aceita a TERRA como está:
Alta, rochosa, escarpada
Apenas ondulada,
Árida e desértica
Funda, profunda
Plana...
Não alteres
Não a mates.
Convive com ela, ama-a
Porque a TERRA, transfigurada,
um dia acorda
E reporá o seu corpo
Em torrentes de lama,
Em rios de água,
Semeando a dor
E a morte.

Clotilde Moreira

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

PREOCUPAÇÕES




Pé ante pé, eles estão aí. Não se vêem, não se ouvem, mas já se começa a sentir que não estão preocupados connosco. Os interesses deles são outros.

Fecham aqui, desactivam ali, deslocalizam no outro lado. Falam do PIB, em ratios e rankings, na convergência e em projectos estruturantes, em parcerias públicas ou privadas. Falam os do governo e os empresários com o calor de salva pátrias. Aparentam que não se combinaram, mas os finalmentes são os mesmos.

O pior é que nivelam por baixo, criam sistemas sem acesso ao cidadão comum, diminuem o pouco que é de muitos e aumentam o muito que é de poucos.

Não há perspectivas para os nossos jovens, estabilidade para quem ainda tem trabalho, nem tranquilidade para os velhos. Estes até são apontados como pesos desequilibradores das contas da saúde e da segurança social.

Que País é este que se esquece dos homens e aposta, apenas, em certa classe de eleitos. Eles estão aí, repito e como disse Bertolt Brecht só quando te levarem é que compreendes que será tarde.


Clotilde Moreira
Algés


Publicado no Jornal Público em 8/7/2007 nas cartas ao Director