sábado, 18 de agosto de 2007

... não lembra ao Diabo...


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"Há coisas que não lembram ao Diabo",
diz o povo do profundo seio da sua insofismável e incomensurável sabedoria.

Pois... Há coisas. Que não lembram ao Diabo efectivamente, e é certo, porque o Mafarrico, o Cornudo, o Mefistofeles, o Belzebu, o patas de bode, o 'trombalazana boizanas' pode ser Diabo... mas não é estúpido nem ignorante! Se o fosse, já teria desaparecido há milénios, com tantos esconjuros e exorcismos que se fazem para o erradicar da face da madrecita Terra.
Mas ele é um espertalhaço e resiste. Escusam de lhe amarrar a perna, que ele simplesmente sorri e sempre arranja uma maneira de se libertar das grilhetas com que o tentam manietar.

As coisas até podem passar pela alembradura do sacaninha. Mas passam depressa, não se detêm nem se demoram. Ele sabe bem que será sempre indiciado como o suspeito 'número um' por essas ocorrências. Gato escaldado de água fria tem medo. E assim, nem se atreve... apenas pensa com os seus botões - o Diabo tem botões? - "Para que é que eu me vou estar a ralar e a arriscar o coiro, se vai de certeza haver um parvalhão dum humano que vai fazer exactamente este disparate que fugazmente me passou pela moleirinha?"

É, e o Diabo nada faz. Há sempre quem faça por ele:



A fotografia mostra um 'curioso' remendo - chamo-lhe 'curioso' porque nem sei como adjectivá-lo - no maravilhoso revestimento de azulejos do prédio onde as nossas doces memórias situam o desaparecido Café Central no Largo 5 de Outubro em Oeiras.
Para mais facilmente identificarem o prédio, aqui está ele:



Confesso que perante isto fico sem palavras.
Mais valia terem deixado o 'buraco' e não terem feito nada.

Digo eu, que gosto de dizer coisas...


imagens: © josé antónio / comunicação visual 2007 - CLIQUE PARA AMPLIAR
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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

A IMPORTÂNCIA DO RE NO PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO

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Em Portugal a construção civil tem vindo a invadir cidades e vilas, a maior parte das vezes de forma desordenada, estando mesmo a criar problemas graves de impermeabilização de solos, de falta de acessibilidades, de fornecimento de água, densificando áreas habitacionais tornando-as guetos, sem zonas de lazer, falta de espaços verdes e equipamentos sociais. O número de casas vazias é já considerável.

Por outro lado a população não tem perspectivas de aumentar pois não têm sido implementadas políticas no sentido de, a tempo e horas, os jovens poderem constituir família, nem tem sido assegurada estabilidade para que as famílias constituídas possam aumentar.

No meio de tudo isto os construtores e seus defensores clamam que é uma actividade que dá trabalho a muita gente! Para que esta afirmação confirmasse as boas intenções de assegurar trabalho e não especulação, talvez fosse mais inteligente e produtivo em sentido amplo, que a construção civil se virasse para o “RE”.

Refiro-me ao RE de REabilitação, de REconstrução, de REutilização, de REaproveitamento, de REmoçar, de REactivar, de REgeneração, de REordenar, de REamar… e, assim - num ciclo sempre constante – asseguravam a sua actividade e especialidade, e por outro todo o património existente estaria sempre actualizado e pronto a ser utilizado fosse habitação ou escritórios. E as nossas cidades e vilas teriam um aspecto muito mais agradável! Talvez isto não passe de uma grande utopia pois tardam os responsáveis que transformem os sonhos em realidade.


Maria Clotilde Moreira
Algés


(Texto recebido por e-mail com pedido de publicação)

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O "Chávismo" de Luís Cirilo

A personalidade de "Hugo Chávez" cola-se à pele de Luís Cirilo, apoiante de Menezes, que acha que num partido aqueles que não conseguem reunir as condições necessárias à candidatura nas directas do PSD, devem estar caladinhos e pedir desculpa por existirem no partido. O discurso de "falta de democracia interna" e "direito à livre expressão" caiu e agora já estamos na fase do "vale-tudo". Esqueçam as quotas e as moradas dos militantes, agora é a doer.

O post recente de Luís Cirilo - próximo de Luís Filipe Menezes e previsivelmente vice-presidente do PSD, proto-candidato a deputado do PSD se Menezes ganhar as directas - insulta e manda-abaixo as candidaturas dos militantes desconhecidos e que não têm o luxo de ter o apoio das grandes distritais.

Nesta altura quem expressar o seu apoio pelo líder que ganhar, fica com um lugar garantido como deputado pelo PSD nas próximas eleições, é assim que funcionam as coisas em todos os partidos. O futuro político destes dirigentes partidários está em jogo e as coisas vão aquecer q.b. .

Repulsa-me a maneira de ser desta personagem, onde a sua maneira de estar é indigna para quem milita num partido social-democrata. De quem se queixa de perseguições internas, ter esta personagem como representante do povo português na Assembleia da República seria a maior palhaçada. Vejam lá o que ele escreveu aqui e transcrito abaixo com os meus comentários a bold. Uma vergonha. Lamentavelmente, é isto que podemos esperar de um candidato opositor à direcção do Partido Social Democrata:

O nosso (o teu é diferente do meu) sistema politico/mediático (partidário, não confundas política com partido) tem algumas originalidades difíceis de contrariar (chama-se a isso democracia). Uma delas é permitir que qualquer tolinho se anuncie candidato a presidente da república , presidente de câmara, de junta de freguesia ou até de um partido politico (lá se foi o respeito pelos adversários) sendo de imediato aceite nessa qualidade (gostei de ouvir a opinião do presidente da junta, do advogado, e também de outros militantes do PSD, é uma maneira de estar na vida, de puro companheirismo). Claro que depois, quando é preciso apresentar as assinaturas que validem a candidatura, percebe-se que o tolinho não é candidato a nada porque não existe o número mínimo de cidadãos (militantes, porque ser cidadão é uma coisa bem diferente) que acreditem na patetice (parece-me que um de nós é um grande pateta, e acreditem que não sou eu) . Mas, entretanto, já o tolinho teve os seus minutos de glória mediática (deu a sua opinião, afirmou um caminho alternativo, pôs os militantes a pensarem, um verdadeiro trabalho de militantes que se preocupam pelo rumo dado ao partido) , já deu entrevistas (o quê? ninguém te entrevista, Cirilo? que pena) , já asneou a seu bel prazer, enfim, já deu curso à sua vaidadezinha pessoal (aqui dizes que é por vaidade) . Pelo caminho, em formas mais sofisticadas de estratégia, já cumpriu o seu papel de tentar desgastar A ao serviço de B (então afinal eles fazem aquilo a soldo de alguém? que post mais inconsistente) . Como vulgar mercenário pago à tarefa! Infelizmente para ele, tolinho, com a credibilidade atribuível a quem vende como suas, opiniões de terceiros (isso foi o Menezes que disse que era sua a ideia da proposta das Directas, mas quem a propôs foi o Santanista Rui Gomes da Silva há que tempos, toda a gente com mais de 10 anos de militância sabe isso) . Resta-nos o consolo de nos irem divertindo. Mais ou menos como os palhaços no circo. Com uma diferença: Ser palhaço é uma profissão digna, respeitável e séria ( é óbvio que não vais ao circo há algum tempo, aquilo é de partir o coco a rir, tudo menos sério) . Depois Falamos

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Forte de Nossa Senhora da Conceição, Algés

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Com o pensamento nas informações que aqui nos foram gentilmente cedidas pela Sra. D. Maria Clotilde Moreira, munícipe de Algés, a propósito da destruição do Palacete sito na popularmente designada "Rua das Estátuas" — Rua Major Afonso Pala —, fiz uma pequena pesquisa nalgumas obras em busca de mais informação, para sabermos com maior rigor histórico e maior desenvolvimento do que falamos quando nos referimos, quer ao Palacete, quer ao Forte sobre as ruínas do qual aquele foi edificado.

Assim sendo, aqui fica um pouco do que consegui apurar na obra "Fortificações Marítimas do Concelho de Oeiras", de Carlos Pereira Callixto, 2ª reedição, C.M.O., Julho 2002.

De seu nome completo Forte de Nossa Senhora da Conceição de Pedrouços o forte estava situado na margem direita do Ribeiro de Algés, próximo da ponte de pedra da Estrada de Lisboa.

A primeira referência a este forte surge num Decreto Real de 30 de Agosto de 1701, que nomeia seu Governador o Visconde de Fonte Arcada. A segunda referência é uma planta incluída no trabalho de João Tomás Correa — "Livro de Várias Plantas deste Reino e de Castela" — no qual refere o autor que "Se fez no ano de 1703". Existe ainda uma terceira referência nas "Memórias Militares" de António do Couto (1719), Assim, pode-se apontar os finais do Séc. XVII para a planificação desta fortaleza e para começo da construção a data do Decreto Real que lhe nomeia Governador (1701).

Não me vou deter na descrição da fortaleza. A mesma pode ser encontrada, assim como demais pormenores, p.ex. o número de bocas de fogo, na obra citada, para os mais interessados. Retenho aqui o essencial.

Em 1735 a fortaleza foi inspeccionada por um oficial, cuja identidade é desconhecida, que a encontrou muito danificada pelas intempéries. Segundo um Relatório anónimo de 1751 foi "consertada de novo".

Em 1758 o forte é referenciado com a designação de Forte de Ponta de Palhais e em 1762 o seu Comandante era o Cabo Luís dos Santos Ribeiro. Nas Memórias da Barra do Tejo e da Planta de Lisboa, de autor desconhecido, de 14 de Agosto de 1803 o forte já não é mencionado. Sabe-se que em 1818 estava já transformado em residência particular e que nunca mais volta a ser mencionado em qualquer lista de fortificações.

Em 1938, Mário Sampaio Ribeiro escreve na sua obra "Da Velha Algés" que no "seu recinto [do forte] os nobres Condes de Pombeiro e Senhores de Belas levantaram sumptuoso palácio cujo portão é coroado pela imagem de pedra da Padroeira do Reino - N.ª S.ª da Conceição - "Este portão foi demolido há relativamente poucos anos para se edificar o grande prédio chamado do Patrício, no actual Largo da Estação".

Segundo Branca de Gonta Colaço e Maria Archer — "Memórias da Linha de Cascais", 1943 — em 1850 o forte já era uma residência particular que os Condes de Pombeiro nessa altura Marqueses de Belas, compraram e habitaram, em 1870. Dizem-nos as autoras que o Forte foi reconstruído de alto a baixo e transformado num palácio. Ao prédio construído no terreno, após demolição duma ala do palácio, chamam prédio do Senhor Agostinho da Bela.
E continuam, dizendo-nos que "no terreno ocupado pelas muralhas históricas vemos agora esse prédio e a velha construção arruinada onde estiveram o Correio, a Junta de Freguesia, o Registo Civil, etc., e uma garagem".

Pelo picaresco, não resisto a citar aqui o que refere Callixto no artigo do seu livro, citando um artigo de Henrique Marques que, por seu turno, se refere a um opúsculo de 1871 — "Digressão Recreativa, Passatempo Alegre ou Revista do Viver das Praias, na Época dos Banhos do Mar, no Corrente Ano de 1870" —, que diz o seguinte:

"Do lado fronteiro às casas referidas, apresenta-se qual Dona respeitável, uma habitação grande, de aspecto nobre e quatro faces rectangulares; jardim sem flores, seco, mirrado e tostado foi, dizem as crónicas, Forte, sempre fraco, e palácio de nobilíssimos marqueses, distintos, e elegantes, marqueses, que se por fatalidade, engano, acaso ou não sei porquê, deixaram de ser lindos eram sempre Belas, como ainda são. Agora vemos o Forte, que foi, e o palácio que deixou de ser, tudo enfim, convertido pelas alterações do tempo e variantes da sociedade, no afamado Hotel da Glória, templo dedicado aos Deuses da folia, e brincadeira, aonde vem por vezes, muitos celebrantes, entoar cânticos e hinos, em divertidas patuscadas, arranjando bicos, peruas, moefas e cabeleiras, de variados feitios, cada qual a seu gosto, para alegrar o espírito e refrescar a vista, crestada por aquelas areas, apesar de tão próximo das margens e ondas puras do nosso grandioso e velho padre Tejo".

Carlos Pereira Callixto termina o artigo do seu livro dizendo:
"E assim do velho Forte de N.ª S.ª da Conceição de Pedrouços, embora há muito desaparecido (...), apenas se manteve o, já também antigo Palácio da Conceição."


E nós acrescentamos com tristeza e mágoa:
... O Palácio da Conceição, também ele desaparecido, tragado pela voragem dos especuladores imobiliários!


imagens: Planta do Forte; Pormenor de gravura duma colecção privada alemã onde se vê Algés; Imagem recente do local onde se situava o Forte - Extraídas da obra citada - CLIQUE PARA AMPLIAR.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2007

um pequeno passeio...

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E
stas fotografias, apenas 9 de um acervo de 285 tiradas nos últimos quatro dias, estão aqui para lembrar que o Concelho de Oeiras é imensamente rico em Património e que basta uma voltinha pela vizinhança das nossas casas para nos depararmos com muito desse património, desde que o façamos com calma e sem pressa, para termos o tempo necessário para ver, descobrir e apreciar.
Algumas das representações são coisas bem conhecidas de todos, outras talvez nem tanto.


Abegoaria da Quinta de Cima do Marquês de Pombal
6 AGO 2007, 17h05


Forte de São João das Maias, Sto. Amaro de Oeiras
7 AGO 2007, 16,40



Forte de São Bruno, Caxias
8 AGO 2007, 17h17


Forte de N.ª Sra. de Porto Salvo ou da Giribita, Paço de Arcos
8 AGO 2007, 17h39


Prédio junto à Estrada Marginal, Paço de Arcos
8 AGO 2007, 18h00


Conversadeiras num fontanário, Paço de Arcos
8 AGO 2007, 18h43


Ponte-cais do desaparecido Forte de N.ª Sra. do Vale, Caxias
9 AGO 2007, 17h27


Ermida na Rua Direita, Caxias
9 AGO 2007, 17h30


Farol da Gibalta, Caxias
9 AGO 2007, 17h39



imagens: © josé antónio / comunicação visual - CLIQUE PARA AMPLIAR


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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Palácio do Egipto - reconstrução ou alucinação?

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Desde que numa palestra em 2006 tomei conhecimento do que se cozinhava em relação ao Palácio do Egipto e à sua reconstrução e reabilitação, que comecei a ficar preocupado.

O que vinha a público era muito pouco, como de costume, e das poucas informações que eu tinha, sobressaía que a intervenção poderia estar a ser feita, mais a pensar na vã glória de algum arquitecto e de algum autarca, do que para realmente dar àquele importante edifício seiscentista — Património pré-pombalino da Vila de Oeiras, integrado no Centro Histórico — a dignidade que ele mereceria, tão degradado que ele foi por ocupações sucessivas pautadas pela incúria dos ocupantes, p.ex. a A.D.O., degradação amplificada pelo desleixo da autarquia em relação ao mesmo.

Porquê esta minha 'paixão' pelo icónico Palácio do Egipto?
Conheço-o desde criança, quando vim habitar Oeiras por volta de 1970. A sua designação chamou-me desde logo a atenção. O que raio tinha o Egipto a ver com Oeiras e com aquele palácio? Eu apenas sabia do Egipto o que aprendera nos bancos da escola e não era capaz, é claro, de estabelecer uma relação.
Sei hoje que a designação advêm de Nossa Senhora do Egipto, a padroeira da propriedade ali erigida, que deu nome à quinta e naturalmente passou para a casa nobre entretanto ampliada e transformada em palácio, acabando por designar este. Cronos encarregou-se de fazer desaparecer a 'Nossa Senhora'... ficou orgulhosamente sozinho o 'Egipto'. Palácio do Egypto.

Aprendi muito sobre ele quando por volta de 1982/83 colaborei num trabalho de faculdade para História de Arte. Lembro de um contacto com uma arquitecta da C.M.O. que nos recebeu para nos fornecer alguns elementos sobre o palácio, contacto esse em que, entre outras coisas, ela nos mostrou fotografias de decorações afresco que tinham sido descobertas nos estuques no interior do palácio. Lamentavelmente esse trabalho de faculdade foi entregue sem terem sido feitas cópias... era uma época em que não havia dinheiro nem para uma bica...

Recordo-me também de, aos sábados, nos idos anos 70, lá ir assistir a sessões de cinema. Verdade! Juro!
Falha-me a memória e não garanto que fosse de borla, entrada livre. Mas se não era, os preços eram certamente muito mais acessíveis que os praticados na sala 'oficial' de cinema de Oeiras, o actual Auditório Eunice Muñoz, É claro que as coisas aconteciam duma forma menos 'profissional'. Era mais 'animatógrafo'. A sala era um corredor comprido com cadeiras de pau encostadas a um lado. O projector ficava atrás, no meio do corredor, e tinha ar de ter saído do fundo do baú, montado e desempoeirado a correr para o efeito. Mas funcionava, e isso era o importante! O écran era a branca parede do fundo. Arrisco chamar-lhe um ancestral dos mais tarde populares cinemas de bolso.

Ah, que magníficas cóboiadas ali vi!! Provavelmente filmadas em Espanha...
Ele era índios (os maus da fita), ele era cóbois, ele era cavalos, ele era enebriantes mulheres de saloon com um Ás na liga, ele era duelos ao amanhecer (que é de manhã que se começa o dia), ele era cavalgadas e grandes cenas de pancadaria... enfim, no fim o rapaz beijava a rapariga e casava com o cavalo.
E os gladiadores!? Eh valentes, à cachaporrada contra os gordos corruptos, lascivos e de ar amaricado, do Poder Romano!! Até lembra coisas de hoje... já não há é cachaporrada. Caiu o gládio.

Menos agradável, pelo contributo da sua existência para a degradação do palácio, são as memórias das jantaradas com amigos no restaurante/casa de fados que lá funcionou por volta de 1981 ou 82. Este também não durou muito, e ainda bem, que os estragos no edifício foram avultados.


Passemos à actualidade.
Há pouco estive a ler o "Oeiras Em Revista" n.º 92 - Julho 07, que nas páginas 71 a 75 apresenta um artigo sobre a decorrente reconstrução do Palácio do Egipto. Li o artigo, vi as imagens e os meus piores receios confirmaram-se! Fiquei literalmente estarrecido!

Aquele Pórtico é a maior aberração arquitectónica que se viu nos último tempos! Rivaliza com a pirosice das casas dos emigrantes em desintegração espacial e visual...
Tem uma estética que nada tem a ver com Oeiras e a sua história. Não existe nada em termos documentais em Oeiras que tenha a ver com aquele 'monstro'. Pelo menos que eu saiba.
Além disso tem uma volumetria completamente desadaptada ao espaço e construções envolventes — o Palácio, que fica 'esmagado' e a Igreja Matriz, que deixa de ser o centro de atracção visual, pólo condutor da visão através do Largo 5 de Outubro. Perde-se o equilíbrio daquele amplo espaço, que já tinha sido agredido pela abstrusa intervenção nele feita em tempos recentes, que em muito contribuiu para lhe retirar o carácter de centro vital de Oeiras, destruindo o comércio local e a vida, diurna e nocturna, que ali acontecia.

Já não bastava a aberração que é o portão-bunker da Junta de Freguesia de Oeiras e São Julião da Barra no Centro Histórico da Vila de Oeiras, agora temos este novo mamarracho a atentar contra o Centro Histórico — será que o autor dos dois é o mesmo...!?

Sobre a prosa do artigo, em versão bilingue, apenas me ocorre dizer que é "para inglês ver".
Nada diz de concreto e soa permanentemente a 'desculpem qualquer coisinha'.
Tem uma grande falta de substância e de rigor histórico assim como no plano esteticamente conceptual, que sustenham e tornem compreensíveis as opções do projecto. Soa a 'poeira para os olhos'.


Sobre as imagens do artigo — chamo especial atenção para a quarta —, aqui ficam elas para que julgais por vós mesmos:

A propósito do andamento desta reconstrução, em 2 de Maio último publiquei
AQUI um pequeno slideshow que talvez mereça a pena rever, assim como os comentários.

Aguardo uma oportunidade para me deslocar ao palácio e verificar in loco o estado actual das obras. Nessa altura farei notícia.

imagens: extraídas do artigo supracitado - CLIQUE PARA AMPLIAR.
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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Boa Sorte


Vanessa da Mata e Ben Harper - "Boa Sorte/Good Luck"

ÂNGELO DE SOUSA

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Sem título, 1988, acrílico s/tela, 170x170cm

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Uma nova China

Desde há algum tempo tenho-me interessado pelo mundo asiático, bem diferente do nosso mundo ocidental, com uma nova perspectiva sobre a simbiose indivíduo-ambiente, com as suas coisas boas e más, não obstante a perfeição ser impossível de alcançar, mas pelo sim ou pelo não, coisa que eles bem tentam, a nível paisagístico, funcional e ambiental.

Não são as diferenças culturais que nos colocam à-parte, mas o facto de a dimensão dos seus projectos, ao servirem como exemplo motivador das bases da sociedade, ser em grande parte de uma grandeza avassaladora. Nunca nos passaria pela cabeça construir de raiz uma cidade auto-sustentável ou fazer uma ponte que cruze um mar. Mas eles fazem-no.

A China é um “novo-mundo” onde os negócios e a bela-arte florescem a um ritmo vertiginoso que assusta a nossa apascentada tranquilidade. De tal modo que até origina rupturas e conflitos internos com a sua sociedade, onde os mais básicos instrumentos de respeito pela dignidade da pessoa são colocados à-parte, por serem uma ameaça ao progresso societário.

Com os novos jogos olímpicos de Pequim em 2008, a China transforma-se para se tornar num “simpático” anfitrião além de potenciar os seus recursos internos – um evento global como este levará a uma projecção enorme dos projectos turísticos recentes e numa maior dinamização da sua economia.

Constate-se estes 10 empreendimentos-maravilha na nova China:

A Comuna em Beijing. Um novo conceito de hotel residencial em que cada casa é uma maravilha arquitectural de conceituados arquitectos mundiais. Já está em exploração comercial, por meio de uma cadeia alemã de hotéis de luxo. Espera-se uma expansão futura.

O futuro maior aeroporto internacional do mundo em Beijing, a abrir no final deste ano, 1 dos 108 que a China vai construir até 2009. Têm uma arquitectura bio-climática e que preza a harmonia e integração funcional.

"World Financial Center" em Shangai, o arranha-céus mais alto do mundo com 100 andares, pronto em 2008. Um desafio da engenharia que conquistou os ventos a alturas inimagináveis há décadas atrás.

O Centro Nacional Olímpico de Natação em Beijing, com extensa utilização da energia solar térmica para aquecimento das águas, captação da água da chuva e sua armazenagem subterrânea para posterior aproveitamento e a própria reciclagem e depuração da mesma para abastecimento das piscinas. Têm um invulgar sistema de suporte estrutural baseado em superfícies minimizadoras de tensão superficial que vai revolucionar o aspecto e design dos edifícios actuais. Abre em 2008.

O CCTV em Beijing. Um desafio às leis de arquitectura e engenharia civil, o novo mega-centro de televisão estatal, e que mostra bem o espírito de "sem-barreiras" dos chineses.

"Linked Hybrid" em Beijing. Uma pequena cidade interligada com serviços comerciais entre pisos, introduzindo o conceito arquitectónico de sustentabilidade a larga escala. Com sistema geotérmico próprio de climatização, não precisa de ar-condicionado – este propicia alergias e infecções respiratórias – nem de caldeiras – assim poupa-se na factura energética. Têm um sistema próprio que recicla a água residual das cozinhas e dos lavatórios e direccionada para a água de descarga sanitária nos WC. Pronta em 2008.

Dongtan Eco City, agora uma ilha de campos agrícolas perto de Shangai e que se vai tornar numa metrópole tecnológica auto-sustentável e energeticamente independente. Lá para 2010.

O novo estádio em Beijing, conhecido como o “ninho de pássaro”, o maior estádio “amigo-do-ambiente” em termos de gastos energéticos e que consome uma quantidade brutal de aço. Com 91.000 lugares sentados. Já em 2008.

A actual ponte DongHai que liga Shangai ao futuro maior porto marítimo de contentores do mundo, com 32 km de comprimento, construída para aguentar tufões e tempestades de mar. Uma das maiores em comprimento a esta altura, que será suplantada por uma outra de 35 km, também na China e em Shangai e que é inaugurada em 2008.

O futuro teatro nacional em Beijing, pronto em 2008, com uma filosofia “aberta” onde o público pode ter uma ideia do espectáculo no exterior. Com Casa de Ópera, Sala de Concertos e de Teatro. Um investimento na cultura nacional.

Aliado a um fulgor económico e mega-empresarial, a China consegue aliar esta transformação radical com o preservar da sua cultura, promovendo as artes milenares e os recursos naturais. Porém, nem tudo é perfeito, e mesmo com a realização destes projectos, muitas pessoas serão afectadas na sua vida e rotinas diárias.

A China, daqui a 25 anos, o tempo de crescimento de uma nova geração, será muito diferente da ideia de gigante pachorrento e dócil que nos habituámos a ter do século XX. Um dado alarmante: a China já forma 25% de especialistas científicos e técnicos do mundo.

A terminar, um brilhante livro para ler descontraidamente nestas férias: "Architecture in China", de Philip Jodidio, da Taschen.

Uma leitura que recomendo a quem decidiu levar para a frente o Mamarracho dos Poetas tal como os já embargados projectos urbanísticos por violarem o Plano Director Municipal perto do Parque dos Poetas, um atentado ao equilíbrio estético e desintegrador do ambiente local.

Oeiras agradece, de facto, obra, mas bem feita.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Diálogos em Noites de Verão - Espaço e Memória

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AVISO IMPORTANTE

Caros Munícipes, por motivos imprevistos de última hora, hoje não haverá a programada sessão "A Maçonaria em Oeiras", que seria proferida por José Manuel Anes.
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VIA LONGITUDINAL NORTE - CARNAXIDE

PÚBLICO: Edição Impressa
6 de Agosto de 2007 - 09h36


Câmara de Oeiras viola embargo da CCDR
José António Cerejo



Permitida circulação e retomadas obras em estrada embargada há seis anos. Desvio de ribeira também embargado está a ser concluído. CCDR espera pelo fim das férias para actuar

A Câmara de Oeiras, presidida por Isaltino Morais, está a violar desde há vários meses um embargo decretado em 2001 pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR), que a proíbe de retomar as obras da Via Longitudinal Norte (VLN) e do desvio da ribeira do Alto do Barronhos, em Carnaxide.
A chamada de atenção para o facto de o embargo se manter e a advertência de que quaisquer obras no local constituem "manifesta desobediência" foram transmitidas pela CCDR ao presidente da autarquia, em Fevereiro e Abril. Mesmo assim, os trabalhos prosseguem com toda a normalidade e a CCDR não tomou qualquer medida para fazer cumprir as suas determinações. Diz que tratará do assunto "depois do período de férias".
O problema da VLN e do desvio da ribeira do Alto dos Barronhos arrasta-se há seis anos, com processos em tribunal, com o reconhecimento pela CCDR da ilegalidade das intervenções feitas pela autarquia no local e com cerca de 60 famílias a persistir numa prolongada luta contra a actuação camarária, devido às repetidas inundações que atingem as caves dos seus prédios desde que as obras foram iniciadas, no tempo de Isaltino Morais.
Em meados de 2005, com Teresa Zambujo na presidência, a autarquia acabou por reconhecer expressamente a razão dos moradores, comprometendo-se a suspender as obras então em curso à revelia do embargo da CCDR e a deslocar a ribeira, bem como a VLN, para longe dos prédios. Graças a esse entendimento, os moradores autorizaram a câmara a utilizar parcialmente o troço da via já feito, por um período de quatro meses, para que fosse possível construir um viaduto sobre a auto-estrada do Estoril. A utilização da via, porém, ficaria reservada "exclusivamente" para o acesso à obra do viaduto e às empresas instaladas na zona, conforme consta de um compromisso então subscrito por Teresa Zambujo em Junho de 2005. Perante este acordo, a CCDR autorizou a utilização "a título meramente precário de metade da plataforma" do troço embargado, na condição de aí não serem realizadas quaisquer obras até à solução do litígio.
Os problemas voltaram depois das eleições de Outubro de 2005, altura em que Isaltino Morais regressou à presidência da câmara: os compromissos de Teresa Zambujo foram postos de lado e foi permitida a circulação na VLN a todo o género de viaturas, apesar de o viaduto estar concluído há muito.
Mais do que isso, a câmara recomeçou há vários meses as obras de regularização da ribeira e retomou a construção da VLN em direcção a Carnaxide.
Posta ao corrente da situação, a CCDR pediu explicações à câmara por duas vezes, sublinhando que "quaisquer actos praticados em inobservância" do embargo de 2001 "ocorreram e ocorrem em manifesta desobediência ao mesmo, com as implicações que daí advirão". No último ofício sobre o assunto, datado de Abril, uma das suas vice-presidentes fixou mesmo um prazo de 15 dias para que a autarquia se pronunciasse.
Daí até agora nada aconteceu, a utilização da via prossegue sem qualquer restrição e as obras continuam em ritmo acelerado. De acordo com uma resposta escrita da presidência da CCDR ao PÚBLICO, o presidente da câmara ainda não deu satisfação aos seus pedidos e solicitou a marcação de uma reunião.
A comissão acrescenta que só tomará qualquer medida depois de uma reunião que "está a agendar" com todas as partes e que "se deverá realizar depois do período de férias".
A câmara, por seu lado, não forneceu qualquer explicação. A agência de comunicação que para ela trabalha informa que Isaltino Morais está de férias. Os moradores não entendem a inacção da CCDR face à actuação da Câmara de Oeiras e dirigiram na semana passada uma carta ao secretário de Estado do Ordenamento do Território em que acusam a entidade fiscalizadora de "cumplicidade" com o arrastar da situação. No documento, as administrações dos condomínios dos cinco prédios afectados pedem uma audiência urgente, "dado a postura da CCDR", e dizem que este organismo "limita-se a confirmar que mantém a obra embargada". Também na semana passada, os moradores apresentaram uma "denúncia criminal" à Porcuradoria-Geral da República contra Isaltino Morais e os directores municipais com responsabilidade no caso.
O conflito entre a Câmara de Oeiras e os moradores da Rua Amândio César, na Outurela, tem a sua génese nas sucessivas deslocações ilegais do leito da ribeira do Alto dos Barronhos, um afluente da ribeira da Outurela, feitas nos últimos dez anos pela Câmara de Oeiras.
As obras em causa foram sempre efectuadas sem o competente licenciamento das autoridades que tutelam o domínio hídrico e permitiram que os lucros da urbanização dos terrenos envolventes fossem maximizados. Em consequência dessas intervenções, porém, os moradores têm sofrido graves danos, que se traduzem na sistemática inundação das garagens dos seus prédios sempre que chove um pouco mais e em sucessivas avarias dos elevadores.
A última das mexidas na linha de água consistiu no seu desvio, em 2001, para uma vala aberta e revestida de pedra armada junto às traseiras dos prédios acabados de construir na Rua Amândio César. O objectivo foi o de permitir que a Via Longitudinal Norte (VLN) fosse feita numa faixa para onde a ribeira tinha sido encaminhada anos antes (para viabilizar a construção dos prédios daquela rua), sem afectar a propriedade vizinha, que a empresa Ferreira & Magalhães pretende ainda urbanizar.
As consequências desta operação, que deixou alguns dos prédios a apenas seis metros da ribeira e com as suas caves frequentemente inundadas, foram de imediato agravadas por um enorme aterro, paralelo e contíguo à nova linha de água, sobre o qual começou a ser construída a VLN.
A nova estrada, que tem características de via rápida e atravessará os concelhos de Oeiras e Cascais, nasceu, por isso, muitos metros acima da ribeira e das caves dos prédios. De acordo com os moradores, a VLN constituiu-se como uma verdadeira barragem que contribui para as inundações e para o aumento da circulação de águas subterrâneas. J.A.C.

Fim
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domingo, 5 de agosto de 2007

Oh mãe, está ali uma vaca...

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Oeiras tem estes momentos fascinantes, irreais. São inesperados rasgos, súbitas visões que nos fazem gostar ainda mais e cada vez mais dela.
Por mais urbana e citadina que pareça ser, de quando em vez somos surpreendidos por uma imagem bucólica, rústica e rural, apesar de incongruente no densamente urbanizado espaço que ocupa, que nos transporta no tempo qual Máquina de H. G. Wells e nos sugere o que Oeiras seria no passado.

Foi o que me aconteceu ontem.
Seguia eu muito descansado pela Rua Machado de Castro, ali para os lados de Nova Oeiras, quando me deparei com este quadro incomum. Senti-me transportado para um passado recente. Um tempo em que Oeiras estava prenhe de quintas, azinhagas e arvoredo, no seu ser saloio, e o betão e o alcatrão apenas existiam no porvir.

Por momentos, como se um nevoeiro me tivesse envolvido, talhando a visão ao derredor, as urbanizações esfumaram-se no vácuo em torno do meu ser e fiquei só eu. Eu e Oeiras.

Esta Oeiras:


Momentos destes são cada vez mais raros. Tenho pena.


imagens: © josé antónio - comunicação visual 2007 / CLIQUE PARA AMPLIAR
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GRITOS MUDOS

Interrupção de Obras em Oeiras

28 de Julho de 2007



As obras nos lotes 1 e 2 da Rua Actor António Sacramento foram interrompidas após citação do Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra no âmbito de acções intentadas pelo Ministério Público. Tal como já aconteceu com os lotes do Mamarracho dos Poetas, a construção deste edifícios vai manter-se suspensa até que exista uma decisão do Tribunal, só podendo prosseguir caso haja uma decisão favorável aos construtores, o que estamos convictos não ir acontecer.


Relembre-se que os licenciamentos emitidos pelo executivo camarário do Dr. Isaltino de Morais permitiam que nos 2 lotes em questão fossem erigidos edifícios com 5 pisos acima do solo mais 2 pisos subterrâneos. O citado loteamento apresenta, no nosso ponto de vista e numa primeira análise dois tipos de violação do PDM:


* pois por um lado, apresenta índices de construção de 0, 70 quando o PDM indica um índice médio de 0,48, e;


* por outro, prejudica as características dominantes da área urbana envolvente do quarteirão em que se insere no que concerne à volumetria que, como sabemos, é essencialmente ocupada por moradias de dois pisos unipessoais não geminadas.


Além das ilegalidades supra-referidas este executivo autárquico mostra um total desrespeito pelos utilizadores daquela zona, pois a construção dos referidos edifícios teria um impacte muito negativo na infra-estrutura rodoviária local, gerando um estrangulamento viário na Rua Carlos Vieira Ramos e aumentando de forma grave o risco de atropelamento dos jovens, dos professores e demais funcionários que frequentam a Escola Secundária Luís de Freitas Branco, cuja entrada se situa a uns escassos 2 metros do entroncamento daquela rua com a Rua Actor António Sacramento.


Visite o sítio do Mamarracho dos Poetas

sábado, 4 de agosto de 2007

MARIA JOÃO AGUIAR





Camuflagem, 1984, esmalte acrílico s/tela, 130x170cm


Eu NÃO voto Luís Filipe Menezes

O "Call center 2008" está a fazer uma campanha cerrada de envios de s.m.s. aos militantes do PSD para que votem LFM.

Um bocadinho cansada do constante e repetitivo aviso sonoro de mensagens com que tenho sido 'bombardeada' (no meu telemóvel recebi 8 - oito - 8 SMS) carreguei no 'responder' e escrevi:

Continuo 'sulista, elitista e liberal'. Não gastem euros em mensagens. Eu NÃO voto LFM.

mas, e curiosamente, o tal "call center 2008" é UM CANAL DE UMA SÓ VIA e a mensagem não foi entregue.

Assim, e para que conste, fica aqui o aviso.

Profissões: fim da liberdade de escolha

Comissão interministerial vai regular as condições de acesso a profissões


O conselho de ministros, presidido esta quinta-feira pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, aprovou um decreto-lei que cria uma comissão interministerial para regular as condições de acesso a profissões, escreve a Lusa. »»»


(Com a devida vénia ao Rui Freitas que mesmo em 'intervalo' está sempre atento.)

Ruínas famosas em Algés



Na rua Major Afonso Pala, em Algés existiu há séculos o forte de Nossa Senhora da Conceição de Pedrouços. Penso que nos finais do século dezanove ou inicio do século vinte, sobre as suas ruínas, foi construída uma casa apalaçada de gente fidalga e famosa daquela época, mais tarde foi casino – no tempo em que era chique vir a banho a esta zona e depois sede de instituições e da Junta da Freguesia desta vila.

Esta rua também teve a sua importância quando da instalação da linha do eléctrico, depois esquecida quando transferiram este para a Rua Damião de Gois, mais para o centro da vila. Há uns anos, num arranjo paisagístico daqueles para ficarem na memória, quiseram transformar a Rua Major Afolso Palla numa zona pedonal, colocando bancos sem costa e estátuas com ar de transeuntes anónimos. A rua das Estátuas, como é conhecida, tem afinal carros que estacionam a todas as horas do dia e da noite e pombos muitos pombos que sujam muito o local.

Mas voltemos à casa apalaçada. No ano 2000, instituições e Junta da Freguesia foram mudadas para a Rua Parque Anjos com direito a festa de inauguração.

A casa apalaçada estava a precisar de obras, o senhorio dera as outras instalações, iam construir um condomínio, um hotel ou apenas um prédio conforme se ia ouvindo aos algesinos; uns diziam que a construção estava muito degradada, outros que devia ser preservada a sua traça que marcava uma época da história da terra. Porém a casa foi abaixo, parece que numa noite; praticamente ninguém deu por isso. Entaiparam o local, colocaram-lhe uns out-doors publicitários e pronto. Ali ficou aquilo assim porque – parece – alguém alertou para umas ruínas do tal forte. Perguntado na Junta de Freguesia fomos informados que se iria colocar um chão de vidro para que as ruínas se vissem e ficassem enquadradas no edifício. Parece que o proprietário, entretanto, não estaria contactável.

Foi mesmo preciso terem destruído a tal casa? Durante uns anos Algés teve um monumento com história: na Rua das Estatuas havia um monte de entulho entaipado de uma ruínas famosas!

Porém, nos finais de 2006 apareceram umas gruas e começaram a remover o entulho e colocaram lá uma tabuleta:

“Alvará 19.04.06 – Arena Construções Imobiliárias – C.Reg- P639; matriz 2464 Freg. Algés – 24 meses conclusão Área de Construção 9.496 m2, volumetria 17 189,73 m3 Piso acima 4/2, abaixo 2”

Em Janeiro de 2007 telefonei para o Centro de Estudos Arqueológicos da C. M. O. - 21 430 10 31 e uma Senhora Dra. amável e perplexa que não sabia do início da construção, deu-me indícios de que em tempos teria havido embargo face aos estudos que aquele Centro desenvolvera. Continuei a perguntar junto da Divisão Intervenção do Património Edificado da C.M.O. e uma senhora arquitecta “sossegou-me”: o que restava da muralha iria ser conservado com um vidro protector paredes meias com as garagens; parecia que a fachada seria uma “cópia” da casa apalaçada deitada abaixo; à minha estranheza garagens – 2 pisos abaixo: claro que ali podem ser feitas pois haveria caves em outros prédios.

As obras continuam em força. Depois começou a aparecer a propaganda sobre a comercialização de um local paradisíaco: apartamentos com piscina a olharem o Tejo entalados entre a Marginal e a rua pedonal das Estátuas. Por onde se entrará para as garagens? E os moradores a desfrutarem do barulho dos carros da Marginal e dos comboios.

Seria mesmo necessário atravancar esta zona com um empreendimento desta natureza? E as perguntas que esta meia dúzia de anos foram deixando por responder, já estarão esquecidas?

Maria Clotilde Moreira - ALGÉS

(texto recebido por e-mail com pedido de publicação)


sexta-feira, 3 de agosto de 2007

o que faz falta...

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... é avisar a malta...



O passado feito infeliz actualidade...

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DEMITIDA DIRECTORA MNAA

Demissão no Museu Nacional de Arte Antiga

Directora afastada por incompatibilidades com o Instituto de Museus e Conservação


Dalila Rodrigues, directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), foi demitida do cargo por incompatibilidades com o Instituto de Museus e Conservação (ICM). Foi com "total surpresa" que a ainda directora recebeu a notícia, pela voz de Manuel Bairrão Oleiro, que dirige o ICM, organismo dependente do Ministério da Cultura.



À SIC, Dalila Rodrigues disse ter sempre recebido elogios pelo trabalho realizado no MNAA e apresentou resultados: a receita do museu quadriplicou, em relação ao ano de 2003, (Dalila Rodrigues só tomou posse em Novembro de 2004) passando de 250 mil euros para 1,109 milhões de euros, em 2006. Também o número de visitantes aumentou - em 2003 o MNAA contava com 71,973 mil visitantes; no ano passado 192,452 mil pessoas visitaram o museu.

A directora do Museu de Arte Antiga é a única com cargo equiparado a sub-directora-geral, e é também a única directora de museu nomeada pelo Ministério da Cultura, ainda que por indicação do director do IMC. Por causa do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do estado), e da passagem do Instituto Português de Museus (IPM) para IMC todos os directores cessaram as comissões de serviço em Abril, ficando estes organismos em gestão corrente. A comissão de Dalila Rodrigues terminaria em Novembro deste ano.

Esta saída antecipada - e "inesperada", para a directora - acontece, segundo Bairrão Oleiro, porque Dalila Rodrigues mostrava uma opinião divergente da do IMC, nomeadamente no que respeita à autonomia financeira do MNAA e à dependência do Museu (que está nas mãos do IMC, quando Dalila Rodrigues defendia ser tutelada directamente pelo Ministério da Cultura). O director entendeu que "não fazia sentido uma nova comissão de serviço" para a directora do Museu de Arte Antiga e retirou-a do cargo.

Dalila Rodrigues, por sua vez, queixa-se do modelo de gestão vigente no MNAA: no actual modelo, todas as receitas angariadas pelos museus - sejam apoios mecenáticos ou receitas da Loja do Museu - são entregues à tutela, o IMC. Dalila Rodrigues defende que estas receitas sejam usadas pelo próprio Museu.

Dalila Rodrigues vai ficar até final de Agosto à frente do MNAA. A 1 de Setembro o lugar será ocupado por Paulo Henriques, actual director do Museu do Azulejo.

FRANCISCO LARANJO

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Durius I, 1993, óleo s/tela, 200x320 cm

DEMITIDA DIRECTORA DO MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA

Museus:
PSD quer Ministra da Cultura no Parlamento para explicar saída de directora do Museu de Arte Antiga


Lisboa, 03 Ago (Lusa) -
O PSD anunciou hoje que entregou um requerimento na Assembleia da República pedindo a presença da ministra da Cultura para explicar em comissão parlamentar a saída da Directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), Dalila Rodrigues. ...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Ainda o Alto da Boa Viagem

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Fonte: Mamarracho dos Poetas
Recebido por email


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JOSÉ AFONSO

Zeca

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AVEIRO
2 AGOSTO 1929
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