coitado do puto...
Um ponto de encontro. Um espaço de cultura. Um local onde falamos do concelho de Oeiras, de Portugal e do Mundo.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Na minha estante
As três irmãs monstruosas: as górgones
Experimentam-se continuamente modelos novos. A escola regressou ao princípio da economia da troca directa. O desconhecimento da língua e da literatura nacionais podem ser compensados por educação física, e as lacunas em matemática por religião e moral. Os pontos obtidos nas disciplinas nucleares escolhidas pelo aluno têm o dobro do peso dos pontos conseguidos nas disciplinas regulares. Tudo isto faz da escola um mercado, onde se negoceiam notas e onde os alunos regateiam com os professores pontos decimais. O facto de tudo poder ser combinado com tudo, de tudo ser permutável e passível de ser compensado, conduziu à consagração da terceira irmã górgone: a grande aleatoriedade.
O seu domínio fez com que se esfumasse a ideia do valor cultural e impermutável de cada disciplina, dependente do respectivo conteúdo. O princípio fundamental de qualquer ordenamento hierárquico dos diversos conteúdos do saber foi posto de parte: a distinção entre o essencial e o acessório, entre o central e o periférico, entre o dever e a escolha, entre as disciplinas nucleares e as facultativas.
O mito e a cosmologia ensinam-nos: quando o desenvolvimento bate no fundo, é tempo de arrepiarmos caminho. A noite mais longa é, ao mesmo tempo, o solstício; após a descida ao inferno segue-se a ressurreição. Por isso são horas de acabarmos com o domínio das três irmãs que são a grande insegurança, a grande confusão e a grande aleatoriedade. Uma das górgones mitológicas é a Medusa, cujo o olhar é mortífero; se a confrontamos com um espelho, ela mata-se a si própria. Comecemos pois por aí.
Jantar-Tertúlia 27-02-2009
Os Encontros Espaço e Memória têm início já no próximo dia 27 de Fevereiro, sexta-feira, com um Jantar-Tertúlia no restaurante "A Quinta", em Oeiras.
Assinalamos que a ementa será constituída por:
Entradas: queijinhos e salgadinhos.
Duas opções de prato principal: Arroz de Cherne com Gambas ou Cabrito Assado no Forno.
Bebidas: Vinho branco e tinto, água, cerveja e sumos.
Sobremesa: Fruta ou doce.
Café.
Os digestivos serão por conta de quem os solicitar.
Quem pretender uma dieta é favor informar rapidamente.
Para mais pormenores consulte o documento abaixo:
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É Carnaval
A história está aqui relatada, via Educação do Meu Umbigo.
Eles não sabem... nem sonham!
Nas grutas de Leceia sobrevivem duas pessoas na mais extrema forma de exclusão social.
Espelham a privação múltipla em todos os domínios das suas necessidades básicas.
Espelham a perda de identidade social e do sentimento de pertença à sociedade.
Espelham a descrença na capacidade de ultrapassar a situação.
Espelham o conformismo e a ruptura dos laços familiares e afectivos.
Espelham um nível de aspirações tão baixo, que o sonho se reduz a que a CMO lhes permita nas próprias grutas, fazer umas paredes, a que chamariam casa.
Espelha até a insensibilidade social dos políticos destes país, e deste concelho.
Vejam os 11 minutos da reportagem e lembrem-se que a cidadania não se resume a votar de 4 em 4 anos. Construir a cidadania é construir novas relações e consciências. É no quotidiano que exercitamos a nossa cidadania, através das relações que estabelecemos com os outros, com a coisa pública e o próprio meio ambiente. A cidadania é sinónimo de solidariedade, democracia, direitos humanos, ecologia, e acima de tudo ética.
E já que há fanfarronices na praça... Recordar não faz mal...

2009 – Algés – 9



Estes restos de construções – dizem que são propriedade privada – estão a tornar-se lixeira e inserem-se num parque de estacionamento que em Setembro de 2006 sofreu obras de algum aparato, e até lá queriam construir um auto-silo. (Lembram-se ?) Mas o problema dos restos das casas e sua envolvente nunca mais é resolvido.
Apela-se que ao menos se mantenha limpa a área envolvente. Já agora uma pequena pergunta: se têm imaginação para planear grandes obras e encontrarem caminhos para ultrapassarem tantas dificuldades que dizem que enfrentam no dia a dia, não seria possível resolverem este problema? É que este aglomerado fica a poucos metros do tal sítio onde vai (?) ser construído o Centro de Saúde.
Pensamento: "Água mole em pedra dura tanto dá até que fura": - pode ser que te oiçam.
Fotos: Maria Clotilde Moreira
sábado, 21 de fevereiro de 2009
"Cork – Forest in a Bottle"

Salários

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Já não há “Charme” no Palácio dos Arcos?
No Jornal Público de hoje – secção Local pag. 22 – ficamos a saber que a empresa municipal Fortaleza de Cascais vai formalizar a adjudicação da concessão para a reabilitação e exploração da Cidadela ao Grupo Pestana, pelo que este Grupo já comunicou à Câmara de Oeiras a sua desistência ao concurso para adaptação hoteleira do Palácio dos Arcos, em Paço de Arcos, (aqui) por ter sido o único concorrente à Cidadela.
Lembram-se da noticia que era junto à linha do comboio? Parece que há mais concorrentes e não será esta desistência que fará com que a Autarquia coloque aquele património ao serviço da comunidade apesar das muitas e avisadas sugestões.
Mas, entretanto, mesmo em frente da entrada do Palácio está uma memória desta Vila – a antiga escola do professor Coelho – abandonada. Foi há dias que entrei em Paço de Arcos pela Rua Costa Pinto vindo da Marginal e ao ver o que vi – há quantos anos não passava ali? – deixei que os olhos se enchessem de tristeza. Recordações. Hei-de voltar a esta zona para ver se ainda lá está aquela papelaria do Campos Pereira...
Nota - Para saber mais sobre o Palácio dos Arcos aceda a 'Pesquisar no Blog'.
"É CARNAVAL E NINGUÉM LEVA A MAL "
Mas parece que o Ministério Público levou a mal, e após queixa de uma senhora puritana, resolveu censurar qual lápis azul de má memória, umas imagens minúsculas e ridículas de uma senhoras um pouco destapadas, que ninguém daria por elas, não fora o douto despacho.
Não deixa de ser curioso que a censura tenha chegado no Governo do sr. Sousa com o hiper protegido material de propaganda, o tão amado Magalhães.
O sr. Sousa e o PS devem estar com o coração nas mãos. É que já não é a primeira vez que nesta época de Carnaval um governo inicia a sua gloriosa queda . Querem lá ver que a história se repete ?
Eu cá não levo a mal ... se isso voltar a acontecer, ainda fico fã do Carnaval .
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
O horror do vazio

Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.
Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche. A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer. Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã. E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.
Opinião - Jornal de Notícias
Crónica de Ricardo Araújo Pereira

O PS e o PSD querem falar connosco. Primeiro foi a crise, agora é este súbito interesse dos dois maiores partidos em falar com os portugueses. 2009 é, definitivamente, o ano das más notícias.
Há uma semana, Manuela Ferreira Leite anunciou o Fórum Portugal de Verdade, uma iniciativa que pretende resolver os problemas que preocupam os portugueses, designadamente com soluções que preocupem de outra maneira os portugueses. Depois, José Sócrates, na qualidade de candidato a secretário-geral do PS (que é uma pessoa muito parecida com o primeiro-ministro, só que enfrenta uma oposição mais forte), declarou que o partido iria levar a cabo um grande debate nacional com o objectivo de definir a plataforma eleitoral com que o PS se apresentará às eleições para continuar a política que gerou a necessidade deste grande debate nacional.
Os grandes debates possuem características específicas que não só os distinguem dos pequenos debates como os tornam encantadores. Em primeiro lugar, os grandes debates são inúteis. A melhor maneira de lançar Portugal no caminho do desenvolvimento não é ouvir os portugueses, é ouvir os noruegueses. Falemos com gente que sabe mesmo o que é desenvolvimento a sério. Trata-se de um povo que consegue desenvolver-se às escuras no meio do gelo. Pode ser que tenham sugestões importantes para dar a quem vive num clima em que o Verão dura mais de dez minutos.
Em segundo lugar, os grandes debates nacionais são sazonais. Só medram em ano de eleições. Desde os Estados Gerais do PS, em 1995, até ao Fórum Portugal de Verdade, todos os grandes debates nacionais decorreram no ano de eleições legislativas. Sempre que os cidadãos se dirigem à cabina de voto, os dois maiores partidos fazem muita questão em ouvi-los. Nos anos em que não vai às urnas, o povo, aparentemente, não tem nada de especialmente interessante para dizer.
Por último, os grandes debates nacionais são inquietantes. Os do PSD misturam Portugal e verdade, que são dois conceitos geralmente tidos como incompatíveis. Além de que, num ano como este, disporem-se a dizer a verdade aos portugueses parece ser uma crueldade desnecessária. A única mais-valia do debate proposto pelo PSD é avançar com a verdade um bom par de meses antes das eleições e, portanto, da campanha eleitoral – da qual a verdade costuma estar convenientemente afastada. Os grandes debates propostos pelo PS realizam-se no âmbito das Novas Fronteiras, o que pode ser trágico. Ao fim de um ano de governo, Sócrates foi às Novas Fronteiras declarar que o País começava a recuperar a confiança. Ao fim de dois anos foi dizer que era claro que o governo tinha um rumo. Ao fim de três anos foi garantir que o governo tinha conseguido fazer um trabalho notável no domínio da estabilidade e da confiança nas instituições. Tenho alguma curiosidade relativamente à comunicação deste ano, mas confesso que, se é para ouvir debates com intervenções sem nexo, prefiro o Fórum da TSF, que é mais animado.
Prémios na Administração Fiscal
Li nos jornais que os funcionários da administração fiscal vão receber em 2009 um suplemento de remuneração entre os 30 e 42 por centro do vencimento por terem conseguido ? cumprir aquilo que eu pensava que fazia parte das suas funções. Cobrar dívidas em execução. Parece que é para estimular ? a produtividade… Defendendo que os ordenados devem estar de acordo com as dificuldades e responsabilidades das tarefas a desempenhar fico com dúvidas destes suplementos e ainda mais quando a CHEFIA diz que é para estimular. Eu como trabalhador sentir-me-ia mal…
Lembrei-me que há anos, na minha empresa fomos informados que determinados directores - por terem conseguido atingir mais de 75% dos seus objectivos - iam ter e tiveram uns prémios pecuniários. Nessa altura perguntei: então o ordenado não é para cumprir 100% dos objectivos e só se se ultrapassar é que deverá ser encarada a hipótese de prémio? Não me responderam. Então, como protesto pacífico, escrevi e afixei na vitrina dos Trabalhadores estas palavras:
O P R É M I O
Quem faz a estrada? o projectista
e a casa? o arquitecto
e a ponte? o engenheiro
Quem faz a fábrica? o patrão
e a empresa? o empresário
Quem manda? o presidente
Quem governa? o ministro
E estão sós? NÃO, mas pensam que sim.
QUEM tem calos nas mãos
E os ossos dobrados ao peso da picareta
E os olhos piscos da luz intensa
E as rugas das noites de vigília
E os pulmões cheios de pó
E os pés sangrando das grandes caminhadas
E a voz rouca do sol abrasador
E a chalaça cantante das lágrimas contidas
E a presença firme na hora do perigo
E o braço estendido
E a mão aberta
E o coração pronto
para os outros que com ele fizeram esta TERRA?
Então se aqueles não estão sós,
porque levam o prémio que também é destes?
M.
PONTOS DE VISTA por JORGE MIRANDA
PROTAGONISMO
Já aqui referimos a proposta da secção do PSD de Oeiras de que Pedro Simões seja o seu cabeça de lista para a câmara, nas eleições autárquicas que se avizinham. Esta seria a candidatura que conviria ao independente Isaltino Morais, se, como as sondagens indicam, este for eleito. É crível que não encontraria em Pedro Simões um opositor obstinado, irredutível.
A direcção nacional do PSD ainda não se pronunciou sobre esta candidatura e, ao que supomos, aguarda a oportunidade azada para, publicamente, anunciar a sua recusa. Ao que julgamos saber, também a secção de Algés, que se manteve à margem do processo, e a sua líder, a deputada Helena Lopes da Costa (ex-vereadora da Câmara de Lisboa, no mandato de Santana Lopes), não a apoiam.
Neste quadro, a candidatura de Pedro Simões estará comprometida; será uma causa perdida. Mas ainda decorrerá muito tempo até à necessidade de uma clarificação…
Pedro Simões é um autarca desconhecido para a maioria dos munícipes. Só neste mandato ocupou o lugar de vereador, primeiro, sem pelouro distribuído (por decisão unânime dos edis do PSD) e, depois, cedendo à “pressão” de Isaltino Morais, já com pelouro. E a sua prestação tem-se desenvolvido sem aparente relevância.
Talvez, por isso mesmo, tenha entendido necessário assumir algum protagonismo que lhe desse visibilidade e especialmente no terreno do “inimigo” – em Algés.
Sem pôr em cauda a justeza da reivindicação, com a qual estamos de acordo (em breve escreveremos uma nota sobre a questão), é a Pedro Simões que se deve a iniciativa da petição, que até circula na net, de contestação à construção de instalações da Administração do Porto de Lisboa no litoral de Algés.
Dado o atentado ao património paisagístico que tal representa e a importância da causa, não seria preferível a acção partir do grupo de vereadores ou das secções locais do PSD? Ou mesmo da própria câmara? Não teria assim mais força?
Jorge Miranda
jorge.o.miranda@gmail.com
2009 – Algés - 8
Os peões que entram no Largo Com. Augusto Madureira/Rua Conde Rio Maior vindos da Av. dos Bombeiros só têm passeio do lado do parqueamento da Ribeira. Passeio moderno com pavimento que parece traves recuperadas de alguma linha férrea desactivada, bordeada por arranjos florais. Depois emboca num passeio estreito de pedras normais e lá se começa a subir a Rua Conde Rio Maior.
Este arranjo foi inaugurado a 25 de Abril de 2008 com a pompa que tal parqueamento exigia. Mas como mostram as fotos os postos de iluminação ficaram no meio da passagem.
Pequenos “nada” que parecem – parecem – que há falta de atenção pois são empecilhos para, em dias de chuva, duas pessoas com um guarda chuva, ou para pessoas em cadeira de rodas… Não teria sido mais correcto encostá-los ao lado do parqueamento?
Pensamento: Com paciência havemos de endireitar este Município.
Fotos: Clotilde Moreira / Algés
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Pedro Santana Lopes - Equinócios e Solstícios
14 February 09 12:00 AM
Verticalidade
Campanhas negras?
Sempre tenho defendido que não devem existir aproveitamentos políticos de processos que correm os seus termos na Justiça. Principalmente, quando nada têm a ver com o exercício de funções públicas. Mas a regra deve valer sempre. Porque, de contrário, são os julgamentos feitos por políticos e por jornalistas em vez de o serem pelos juízes.
Lembro-me de um deputado do PPD/PSD, Cruz Silva, que sempre lutou por não suspender o mandato sem ser julgado. Mas foi muita a pressão da opinião difundida, a tal ponto que o homem foi mesmo afastado.
Nunca privei com ele e limitámo-nos a trocar algumas palavras, duas ou três vezes. Soube, há tempo, que Cruz Silva tinha sido absolvido das acusações que lhe eram feitas. Mas ninguém, ou quase ninguém, difundiu isso. Encontrei- -o nos corredores da Assembleia, aqui há uns meses. Com um ar distante e algo irónico. Compreensivelmente.
Mas, se não deve haver aproveitamento político por parte dos outros, muito menos deve existir por parte da pessoa visada. Aí, entramos no domínio do abuso: os adversários do visado nada diriam para não pôr em causa as boas regras – mas teriam de arrostar com as acusações do próprio, para se livrar de uma situação embaraçosa.
Campanhas negras em Portugal? Já houve. Falei aqui, na semana passada, dos ataques a Paulo Portas. Durante esse tempo, José Sócrates tinha um debate comigo na RTP todos os domingos. Seria bom que mostrasse agora palavras suas da época, demarcando-se das posições do PS. Campanhas negras? E Leonor Beleza? E Miguel Cadilhe? Para não falar de Francisco Sá Carneiro.
O Partido Socialista costuma falar da campanha contra Ferro Rodrigues e do processo Casa Pia. José Sócrates é capaz de se recordar que, na altura, em directo, na televisão, expressei a minha solidariedade sincera para com o então secretário-geral do PS e mostrei repulsa por aquilo que estava a passar-se. Ora seria interessante Sócrates mostrar o que disse sobre esse processo de ataque a Paulo Portas. Até porque poderia credibilizar o que hoje defende sobre essas matérias.
Já agora, se me permitem, tenho uma leve ideia do que são campanhas dessas. Desde há muitos anos – mas, especialmente, desde 2004. Aliás, a campanha foi tão negra que as pessoas até tinham vergonha de me contar algumas das inacreditáveis histórias que a central de intoxicação que existia à época pôs a circular.
José Sócrates, na sua campanha para secretário-geral do PS, deu logo o tom, com um tema ainda ‘suave’.
Numa conferência de imprensa atacou-me por eu, enquanto primeiro-ministro, ter nomeado cerca de vinte secretárias pessoais… Só que, como o acusador sabia, era o mesmo número dos que me antecederam no exercício dessas funções. E como sucedia antes, era para todo o gabinete: Só duas eram para o próprio primeiro-ministro.
Campanhas negras existem quando as acusações se baseiam em invenções ou falsidades. Sem dúvida. E eu, que julgava que a verdade vinha sempre ao de cima, aprendi que às vezes não é fácil – porque só vem depois do que a justiça da verdade impunha.
Congratulations!

Mas esses 96% não incidem sobre a totalidade dos militantes socialistas.
Nem correspondem a 96% dos militantes socialistas com as quotas em dia.
Correspondem, isso sim, a 96% de 36% dos militantes socialistas com as quotas em dia.
Infelizmente não se sabe quantos são os militantes socialistas com as quotas em dia.
Não obstante, façamos contas:
- Em cada 100 do total de militantes socialistas, uma % ignorada (1) tem as quotas em dia;
- Em cada 100 com as quotas em dia, foram votar 36, isto é, pouco mais de 1/3;
- Desses 36, votaram nele 96%;
- Significa isto que, em cada 100 militantes socialistas com as quotas em dia, que correspondem a uma percentagem ignorada do total de militantes, 34,5 votaram no homem.
Deve ter sido uma enchente... Pallettes de gente atropelada lá pelos corredores, na ânsia de meter o votinho na urna.
Parabéns!
Para terminar, uma perguntinha de algibeira:
E se o que estivesse para ser metido na urna não fosse algo como o voto, mas um algo que não sabe falar com ninguém sem ser aos gritos e sempre que vai à AR temos "peixeirada"? O resultado seria o mesmo?
_________________
(1)
Em qualquer dos cinco partidos portugueses de maior expressão, 60% dos militantes com as quotas em dia é considerado altíssima performance.
Por gentileza de RUVASA
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
O monstro tóxico

Cozido à portuguesa – Domingos Amaral
O monstro tóxico
Ao assistir ao espectáculo televisivo das últimas semanas lembrei-me de um velho provérbio português, que diz: "Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão." Assim parece ir o Mundo e Portugal. Na América, o novo secretário de Tesouro de Obama ralha com a China porque mantém a sua moeda desvalorizada. Obama, por sua vez, ralha com os banqueiros. Os trabalhadores ingleses, esses, ralham com o seu governo, e com os trabalhadores portugueses também, pois não os querem em Inglaterra. O governo inglês, obviamente, ralha com os seus bancos por eles não darem crédito. Já os economistas, premiados com o Nobel ou não, ralham com os políticos e com os bancos. Por cá, o PSD, o PP, o Bloco e o PCP ralham com o Governo, em especial com Sócrates, que ralha por sua vez com os jornalistas e com as "forças ocultas" e manda Santos Silva ralhar com o Bloco e o PCP. Com a crise a agravar-se a olhos vistos, aumentou exponencialmente o uso mundial do ralhete. Toda a gente ralha com toda gente, sinal de que a frustração e a impotência são gerais.
A originalidade alarmante desta recessão mundial é a sua aparente imunidade aos remédios tradicionais propostos nos manuais de economia. No passado, as graves crises ensinaram que os bancos centrais têm de baixar as taxas de juro para facilitar o crédito e evitar a falência da Banca; e que os governos têm de gastar mais para contrariar a recessão. E isso tem sido feito: na América e na Inglaterra, as taxas de juro estão próximas de zero e mesmo na Europa estão muito baixas; os governos têm-se multiplicado em pacotes, anunciando investimentos. Contudo, como disse Krugman, a política económica "não tem tracção". É como se o carro continuasse a patinar na lama, os pneus afundando--se cada vez mais.
A realidade é evidente e frustrante: hoje, governos e bancos centrais são impotentes para controlar uma crise planetária. A globalização financeira foi tão profunda que gerou um monstro internacional que nenhum país consegue domesticar. O monstro, descontrolado e tóxico, é um colossal fogo que arde sem se ver e que lentamente vai asfixiando as economias. A sua fúria cega engrossa o desemprego e alimenta uma frustração generalizada, que a prazo pode pôr tudo em causa: o comércio internacional, o euro, a Europa Social, os regimes políticos, os partidos, os consensos sociais e até, quem sabe, as próprias democracias. Casa onde não há pão...
Domingos Amaral, Director da GQ
Betão de Luxo para Algés
Apesar do número de casa novas vazias, das pequenas casas abandonadas à espera de caírem, dos letreiros a dizer “vende”, a freguesia de Algés continua a ser invadida por betão, não havendo qualquer política de conservação e reabilitação obrigatórias.
Até a Quinta do Palácio Foz, ali na Rua Mestre de Avis, está à espera da aprovação neste semestre, para a construção e comercialização ocorrer até ao fim do ano. Este empreendimento – São José de Ribamar –“ é composto por 22 fracções das quais 12 correspondem a uma nova área a edificar e que se compõe por dois conjuntos de moradias em banda, todas elas com vista directa para o rio Tejo e com tipologias que variam entre o T4 e o T5 +1.“ O resto será dentro do convento do século XVI e na moradia do início do século passado. E não havia uma capela, o que lhe vão fazer?
A aprovação deste projecto será a morte e o abastardamento deste legado de séculos. Não haverá outra alternativa para revitalizar este palácio mantendo-o enquadrado na sua quinta e na sua história?
E como irão ser resolvidos os problemas de acesso e mobilidade na Rua João Chagas já saturada em muitas horas do dia?

Há mais informação em "São José de Ribamar"
[Texto publicado hoje em "Correio dos Leitores" do Jornal de Oeiras]

