domingo, 17 de outubro de 2010

Vão roubar para a estrada!

Descontos dos recibos verdes vão aumentar em 2011 - Economia - DN


O Orçamento do Estado define que a entrada em vigor do novo Código Contributivo, em Janeiro, faça subir a taxa paga pelos trabalhadores independentes dos actuais 24,6% para 29,6%.


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E que dizer do ROUBO do pagamento por conta? Mesmo os contribuintes que não ultrapassam o limite da verba não colectável* - 9.999 euros no caso das Artes Plásticas, Design, Publicidade e afins - são anualmente obrigados a três pagamentos por conta do IRS do ano seguinte. Se isto não é ROUBO então o que é?

Acresce que não podemos apresentar despesas. Nem de material - telas, tintas, diluentes, lápis, pasteis de óleo e outros, pinceis, trinchas, espátulas, cavaletes, etc. - nem despesas de transporte. E, a menos que se pinte em telas tamanho A4 - que não é o meu caso! - uma pequena viatura ligeira não é suficiente para transportar telas de grande dimensão. Ou se conhece alguém que empresta uma carrinha ou há que pagar um serviço de estafeta.

Para ajudar ao cenário ninguém paga a menos de 60 dias. Neste preciso momento a Joana Vasconcelos está na "sic mulher" a falar de problemas que tem, ou teve, com pessoas menos sérias. Afinal não sou só eu!

11 comentários:

Anónimo disse...

No gamar é que está o ganho. O melhor para Portugal é chumbar o OE. Este Governo perdeu TODA a credibilidade.

Helder Sá disse...

Solidário com todos os que trabalham com o dito cujo "recibo verde".

Isabel Magalhães disse...

Helder Sá;

Obrigada.

mcnuno disse...

... começa a ser tempo de pensar em partir. Ou então descobrir uma maneira de reconstruir toda a estrutura de um país e limpar formulas gastas e inócuas de correntes que vão passando.

Eu, como muitos, somos obrigados a trabalhar em regime de recibos verdes, e confesso que até nem me queixo por isso, pois reconheço que é um reflexo da sociedade que vivemos e uma maneira de para ela contribuir ... mas gostava de ter e ver melhores condições por ser obrigado a trabalhar assim de forma Conveniente e Precária. Ser reconhecido por uma vida incerta, com fim-do-mês irregular, não poder assumir compromissos; por ser trabalhador a recibos e intermitente.

RR

Anónimo disse...

Estou solidário com os explorados dos "recibos verdes". Durante 12 anos fui vendedor comissionista, só recebia os meses que trabalhava e se tirasse férias nada recebia. A empresa para quem trabalhava, em regime de exclusividade, retia-me 20% em sede de IRS sobre o rendimento bruto, só podia deduzir 50 no VA do gasóleo, nada nas refeições e estadias. Sei o que é ser explorado pelo Governo/DGCI, sei o que é ser explorado pelos "patrões", tendo-se chegado ao cúmulo de, quuanto mais vendesse a determinado cliente (ou esse cliente mais comprasse) a percentagem da comissão baixava, ou seja, para manter os mesmos rendimentos tinha de vender mais. Fartei-me. Em 2007 caí na asneira de durante 4 meses arranjar um part-time...as Finanças não me largaram, apesar de ter ter entregue IVA e em 2008 (referente a 2007) ter sido penalizado em sede de IRS. Nunca mais tenho 2 empregos, que vão roubar outros. Agora trabalho por conta de outrem, acabaram os biscates. Trabalhar 12/14 horas por dia e pagar mais IRS? Acabou, já dei para esse peditório.

Isabel Magalhães disse...

Rui;

Quem não tem raízes e é jovem deve aproveitar e partir. Ía a escrever 'isto já deu o que tinha a dar' mas de facto 'isto' nunca deu nada, com algumas excepções, claro!

Isabel Magalhães disse...

Caro Leitor das 21:15;


O meu caso é diferente; não tenho um patrão mas as Galerias não me pagam sem passar recibo.

Por outro lado o fisco pede-me três pagamentos por conta do IRS do próximo ano, com base no IRS do ano passado, sem se preocupar se este ano pinto e vendo, se não pinto, se não vendo...

Anónimo disse...

Se vende, passar recibo é obrigaçaão

Isabel Magalhães disse...

Ó senhor anónimo das 8:41;


Conte-me qualquer coisa que eu não saiba e não pratique.

Mas vá lá dizer a mesma coisa a todos os que prestando serviços de reparação de electrodomésticos, canalização, electricidade, construção civil, reparação de soalhos, reparação de estores (podia ficar aqui a enumerar muitos outros casos) e que chegam a cobrar 40 euros/hora mais deslocação, mesmo que o 'estaminé' seja ao fim da rua, se recusam a passar recibo. E se 'convidados' a fazê-lo acrescem o iva ao preço contratado.

Um dos pontos em questão é o pagamento adiantado de um imposto sobre vendas que posso não ter feito com base num IRS do ano anterior. Trata-se de um trabalho esporádico que o fisco assume como garantido. Capice?

Anónimo disse...

É verdade, D. Isabel: esqueci-me de referir os tais 3 pagamentos por conta que, curiosamente, têm a mesma sigla, com significado diferente mas que vai dar ao mesmo: PEC - Pagamento Especial por Conta, inventado por Manuela Ferreira Leite, que o PS afirmou que extinguiria assim que chegasse ao Governo. Vê-se mesmo que o extingiu. Quanto ao anónimo das 8:41 só pode tratar-se de uma provocação ou ignorância. A economia paralela baseada nas atividades que a Sra. enunciou, tendo-se esquecido dos mecânicos e eletricistas auto, muito deles com empregos nas marcas ou oficinas autorizadas e que com os seus biscates dos quais não passam recibo, prejudicam os que descontam e pagam e concorrem deslealmente com a entidade patronal que lhes paga. Muitos debitam sentenças sem saberem do que falam.

Isabel Magalhães disse...

Caro Leitor [12:36];

Não me esqueci; estão incluídos no parenteses. A lista dos que o fazem é looonnnga! Podemos acrescentar as senhoras da limpeza doméstica que se recusam a trazer a documentação necessária para a Segurança Social. Depois de muito instadas a fazê-lo dizem 'tout court' que não querem descontar ou... desaparecem!

Quanto ao 'provocador' - ou ignorante - faz parte dos nossos 'leitores de estimação'! ;)