sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Natal que eu quero


30.11.2008, Daniel Sampaio


Ninguém me pediu opinião, eu sei. Na escola é costume não ligar muito ao que pensam os alunos. Mas eu gramo a escola, gosto dos meus amigos e há uma data de professores que até são fixes.
Ando no 8.º, tenho bué de disciplinas, algumas não dá para entender. Estudo acompanhado para um gajo de 14 anos? Formação Cívica? Não percebo bem, é uma coisa de 90 minutos por semana em que o stôr, que é o director de turma (nós dizemos DT), está sempre a mandar vir, a dizer para nos portarmos bem. Da Matemática não me apetece falar, o stôr tem pouca pachorra para tirar dúvidas. História é um bocado seca e percebo mal o livro, faço confusão porque não contam a vida dos reis como o meu avô me explicava, por isso estudo para os testes e depois esqueço tudo.
Não, não pensem que venho aqui criticar a escola, já disse que gosto de lá andar. O problema é que aquilo anda mesmo esquisito, podem crer. Já o ano passado os stôres andavam às turras com a ministra e apareciam nas aulas chateados, um gajo mandava uma boca e levava logo um sermão, às vezes diziam mesmo para nos queixarmos à ministra, como se chibar fosse coisa que desse jeito. Mas este ano está bem pior: falamos com os professores nos intervalos, "olá, stôr!" e eles andam mesmo tristes, a minha stôra de Inglês, que eu curto bué, diz que está "desmotivada" e que está farta de grelhas de avaliação e de pensar em objectivos. Eu de grelhas não percebo nada e, quanto aos objectivos, os meus são divertir-me uma beca e passar o ano, não quero mesmo ficar para trás porque os meus pais dão-me nas orelhas e fico sem os meus amigos, que é uma das coisas porreiras que a escola tem.
Por isso peço a todos que se entendam. Ver os professores aos berros na rua é uma coisa que eu compreendo, têm todo o direito porque nós às vezes também andamos, o problema é que assim ainda há menos gente a preocupar-se connosco. Os nossos pais não têm tempo, andam sempre a trabalhar e ficam descansados porque estamos na escola a aprender e a lutar pelo nosso futuro, mas agora a coisa está preta, os nossos stôres estão cansados, o que é mau para nós: quem nos ajuda quando estamos aflitos? Eu sempre contei com um ou dois dos meus stôres, o ano passado quando me achava um monstro (cheio de borbulhas e a sentir que as miúdas não olhavam para mim) foi a stôra de Português que me chamou no fim da aula e conversou comigo, bastou ela ouvir com atenção e dizer que compreendia o que eu sentia para me sentir muito melhor. E quando o Tavares disse que se ia matar porque a rapariga com quem andava foi vista a curtir com um gajo qualquer, foi o nosso DT que falou com ele e lhe arranjou uma consulta no psicólogo.
Não percebo nada da guerra dos professores, só sei que deve ser justa porque eles esforçam-se muito, já pensaram no que é aturar a malta, sobretudo alguns que só querem fazer porcaria, põem-se aos berros nas aulas e não obedecem, às vezes até palavrões dizem para os stôres? Muitos de nós querem aprender, mas o barulho é grande e há muita confusão, há lá gajos, repetentes e isso, que só lá estão porque são obrigados, depois há outros que são de fora e não percebem bem português, outros ainda têm problemas em casa e passam mal, a Vanessa que tem um pai alcoólico e que chora quase todos os dias ainda por cima foi empurrada na aula por um colega que só lá está a armar confusão... o DT disse que nós devíamos ser responsáveis e que tínhamos de acabar com isso, mas eu acho que a ministra devia era dar força aos professores para serem melhores, o meu pai diz que ela às vezes está certa mas eu não concordo, se vejo todos, mesmo todos os stôres da minha escola contra ela devem ter razão, os professores às vezes erram mas são importantes para nós, precisamos de estudar para ver se nos livramos do desemprego, isso é que é verdade!
Por isso espalhem este mail, façam forward para quem quiserem. Digam aos que mandam para terminarem com as discussões que já estamos fartos e como na minha escola somos todos contra isso dos ovos (uma estupidez), digam à ministra e aos sindicatos que já chega! Façam uma escola melhor, ajudem os professores a resolver todos os problemas das aulas (ninguém pode fazer isso em vez dos stôres) e arranjem maneira de nós aprendermos mais, para ver se percebemos melhor o mundo e nos safamos, o que está a ser difícil.
Quem quiser dê opinião, o meu mail é brunovanderley@gmail.com, sou do 8.º E da Escola Básica 2/3 do Lá Vai Um.

Gang de bicicleta assalta filho do PM

Crime - Eduardo, 13 anos, e amigo ameaçados com facas

O telefone de José Sócrates tocou pouco depois das 23h00 da última sexta-feira. O filho mais novo, Eduardo Fava Pinto de Sousa, de 13 anos, ligava ao pai a contar que tinha acabado de ser assaltado. Quatro jovens, que iam de bicicleta, apanharam Eduardo e um amigo na rua Cipriano Dourado, junto ao Terminal do Campo Grande, Lisboa. Ameaçaram os menores com facas, e obrigaram-nos a entregar os telemóveis. »»»

E pergunto eu, que gosto de perguntar coisas, que andava a fazer na rua, às 23h00, acompanhado por um amigo que será supostamente da mesma idade ou semelhante, um menor de 13 anos de idade? Quem toma conta da criança? E a negligência onde fica?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A crise está em crise

Opinião

Ricardo Araújo Pereira






A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado



Ou estou fortemente enganado (o que sucede, aliás, com uma frequência notável), ou a história de Portugal é decalcada da história de Pedro e o Lobo, com uma pequena alteração: em vez de Pedro e o Lobo, é Pedro e a Crise.
De acordo com os especialistas – e para surpresa de todos os leigos, completamente inconscientes de que tal cenário fosse possível – Portugal está mergulhado numa profunda crise. Ao que parece, 2009 vai ser mesmo complicado.
O problema é que 2008 já foi bastante difícil. E, no final de 2006, o empresário Pedro Ferraz da Costa avisava no Diário de Notícias que 2007 não iria ser fácil. O que, evidentemente, se verificou, e nem era assim tão difícil de prever tendo em conta que, em 2006, analistas já detectavam que o País estava em crise. Em Setembro de 2005, Marques Mendes, então presidente do PSD, desafiou o primeiro-ministro para ir ao Parlamento debater a crise económica. Nada disto era surpreendente na medida em que, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, entre 2004 e 2005, o nível de endividamento das famílias portuguesas aumentou de 78% para 84,2% do PIB. O grande problema de 2004 era um prolongamento da grave crise de 2003, ano em que a economia portuguesa regrediu 0,8% e a ministra das Finanças não teve outro remédio senão voltar a pedir contenção. Pior que 2003, só talvez 2002, que nos deixou, como herança, o maior défice orçamental da Europa, provavelmente em consequência da crise de 2001, na sequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos. No entanto, segundo o professor Abel M. Mateus, a economia portuguesa já se encontrava em crise antes do 11 de Setembro.
A verdade é que, tirando aqueles seis meses da década de 90 em que chegaram uns milhões valentes vindos da União Europeia, eu não me lembro de Portugal não estar em crise. Por isso, acredito que a crise do ano que vem seja violenta. Mas creio que, se uma crise quiser mesmo impressionar os portugueses, vai ter de trabalhar a sério. Um crescimento zero, para nós, é amendoins. Pequenas recessões comem os portugueses ao pequeno-almoço. 2009 só assusta esses maricas da Europa que têm andado a crescer acima dos 7 por cento. Quem nunca foi além dos 2%, não está preocupado.
É tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que está mais bem preparado para fazer face às dificuldades.

Visão – 11-12-2008

TRICAS


Paula Teixeira da Cruz, Advogada

Da Vida Real

Tricas

Com os Estados Unidos da América em recessão, foi de pronto anunciado um megaplano de investimentos em infra-estruturas, o maior dos últimos cinquenta anos naquele país. A situação impõe responsabilidade a democratas e a republicanos. Vai-se ao essencial sem tricas nem desculpas. Obama sem medo de sombras.

Nós vamos a caminho da terceira recessão em oito anos e continua a não haver plano algum. Finalmente Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, certificou a dita recessão. Custou mas foi, como se a dita não se sentisse neste Inverno de desconforto, vento e frio.

Ironicamente, quando se celebram os sessenta anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, o Mundo está mais longe dela do que esteve após as guerras do século passado. A Declaração era suposto ser um ponto de partida para uma espécie de ‘harmonia universal’. Hélas, cavaram-se os fossos culturais e só o ‘comércio’, na pior acepção e com as piores consequências, parece ‘juntar’ os povos para desgraça de todos. Dos Direitos propriamente ditos fez-se o caminho da restrição em nome de um securitarismo inconsequente e perverso.

Até mesmo o projecto europeu está hoje tão longe do espírito dos founding fathers quanto um asceta de um novo-rico.

E uma paralisia desculpante tolhe a iniciativa e a capacidade de cada um de nós.

Se temos modelos a reinventar vamos lá a isso e quanto mais depressa melhor: dos políticos aos económicos, não esquecendo os cívicos e a responsabilidade que cada um de nós também tem nisto tudo. E responsabilize-se. Cultive-se a responsabilidade que é coisa que anda ausente. Ninguém se sente responsável. São sempre os outros. Mentalidades.

Pois neste pano de fundo esperar-se-ia exemplo de responsabilidade dos principais agentes políticos e da sociedade em geral. E menos tricas. E menos ausências.

Mas é precisamente neste contexto que a inflexibilidade do Governo para com o Presidente é particularmente desastrada e pouco inteligente. É a última altura a escolher para provocar fissuras em nome de pequenas tácticas que, sobretudo em momentos difíceis, não compensam e se pagam caro. E pior ainda se for em nome de geometrias eleitorais. Como é a pior altura para o Parlamento se desrespeitar a si próprio.

Se a sociedade portuguesa quiser continuar a ter o direito ao disparate, terá o retorno.

Tal como em Lisboa, continuaremos atulhados em lixo.


Correio da Manhã - 11 Dezembro 2008

RATS - PEARL JAM



Rats Pearl Jam Boston 05-24-2006 3 cam mix

they don't eat, don't sleep
they don't feed, they don't seethe
bare their gums when they moan and squeak
lick the dirt off a larger one's feet
they don't push, don't crowd
congregate until they're much too loud
fuck to procreate till they are dead
drink the blood of their so called best friend
they don't scurry when something bigger comes their way
don't pack themselves together and run as one
don't shit where they're not supposed to
don't take what's not theirs, they don't compare
they don't scam, don't fight
don't oppress an equals given rights
starve the poor so they can be well fed
line their holes with the dead ones bread
they don't scurry when something bigger comes their way
don't pack themselves together and run as one
don't shit where they're not supposed to
don't take what's not theirs, they don't compare...
they don't scurry when something bigger comes their way
don't pack themselves together and run as one
don't shit where they're not supposed to
don't take what's not theirs, they don't compare...
rats...they don't compare
rats...they don't compare
ben, the two of us need look no more
ben, the two of us need look no more

DESINCENTIVOS AO TRANSPORTE PÚBLICO



PONTOS DE VISTA


Acreditamos que a resolução de alguns problemas de ordem ambiental e de desgaste físico e psíquico que nos afectam, toldando a nossa qualidade de vida, passa pelo incremento do transporte público. A par de melhores condições de serviço dos diversos meios empregues, impõe-se uma redimensionação das vias de comunicação, hoje obsoletas e incapazes de proporcionar uma eficaz drenagem do trânsito. Tudo o que se fizer, sem agarrar o problema de fundo, não ultrapassa a dimensão de panaceia, de remendo. E a questão agrava-se, malgrado as intenções…
Entretanto, o discurso oficial não se cansa de propalar a necessidade de se incrementar a utilização do transporte público. Mas mais nos parece uma oratória de circunstância, vazia, sem calor e força dinamizadora.
Concretamente, não há incentivos que cativem uma mudança de hábitos dos potenciais utilizadores nem uma eficácia que satisfaça aqueles que não têm alternativa.
Os desincentivos são mais que muitos!...
Apenas um caso que chegou ao nosso conhecimento recentemente:
O caminho-de-ferro de Cascais, que é, apesar de tudo, um dos mais regular meios de transporte que serve os concelhos de Cascais e Oeiras, regista insuficiências que dificilmente se entendem. É o caso da estação de Caxias, onde existe uma só bilheteira que encerra à hora do almoço, apesar de, como é óbvio, a circulação de comboios continuar a efectuar-se. Poder-se-á alegar que existe o recurso à máquina de bilhetes – também apenas uma! E quando esta se avaria?... E não se pense que esta situação é remota. Ainda, pelo menos, sem referir vezes anteriores, nas manhãs dos dias 27 de Novembro e de 2 de Dezembro (tão próximo uma da outra!), tal se verificou. Neste último dia, para além do movimento habitual acrescia coincidir com o limite para a necessária renovação do passe e havendo somente o recurso à única bilheteira, a bicha era enorme e várias foram as pessoas que perderam o comboio em que deveriam embarcar!
Também não se entende por que as máquinas fornecem bilhetes de extensão de percurso e as bilheteiras não o podem fazer!
Estas pequenas falhas de funcionamento têm o efeito de desincentivo à utilização do transporte público. Remam contra a maré e revelam o desinteresse e negligência dos responsáveis.

Jorge Miranda
jorge.o.miranda@gmail.com

O Oeiras Local agradece ao Autor e ao Jornal Costa do Sol a cedência do artigo assim como à revista municipal Oeiras Actual pelo uso da foto.

Nem tudo o que parece é!

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Nesta semana, não sei se repararam, publiquei intencionalmente uma série de posts. Coisas da nossa terra, dirão alguns, pois é um blog temático dedicado a Oeiras, dirão outros. Alguns até se atreverão a dizer que é um blog do PSD.

Mas nada disso me motivou. Para que fique claro, não sou apoiante de Isaltino nem tão pouco do PSD.

O objectivo era ver mais para além do que o post dizia, problematizar o nosso quotidiano, percebendo que, mesmo nas coisas mais simples, a complexidade é uma constante. E nem tudo o que parece é.

Posto isto, o que eu me apetece dizer-vos é que o poder não é uma aptidão inata, pessoal, nem uma qualidade de um grupo. O poder apenas existe no âmbito de uma relação social ou dito de outra forma, o poder é uma relação social estruturada em termos de dominação/submissão.
Mas duvidam?

O poder de Isaltino Morais exerce-se dominando uma possível oposição, seja ela qual for, e "partilhando alegremente contributos". Lembrem-se que este ganhou as eleições e, a oposição ao seu exercício e programa (e estes dois vectores eram fundamentais para a distinção de águas) passou-se em bloco para o seu lado, salvo raras e honrosas excepções.

Donde, Isaltino Morais dominou/subjugou a oposição, e esta com motivações que não sabemos muito bem identificar,"embarcou". Quiçá, também eles queriam partilhar o poder esquecendo-se que não foi para isso que foram eleitos, mas sim para utilizar os seus conhecimentos individuais, culturais, económicos e sociais, para desmontar este tipo de dominação. Desmontar apostando na transparência e na alternativa.

Reparem, como é que pode dizer numa visita a uma entidade privada - Centro Paroquial de Miraflores - que a CMO dará meio milhão de euros para financiar inclusive a casa do pároco? Que critérios está a utilizar? A que população se destina? Como pode dispor dos impostos de todos nós, a seu belo prazer? Que tipo de alternativas se podem pôr para atingir os mesmos objectivos? Porquê a Igreja e não uma outra qualquer entidade? E porque a oposição está tão silenciosa?

Porque estamos a falar da Igreja e esta tem uma influência muito grande.

E aqui a segunda distinção: o poder não pode confundir-se com influência, dado que essa é a capacidade que se tem de modificar o comportamento de quem exerce o poder através da persuasão. É isso que a Igreja fez e faz. Usou a sua influência e condicionou o comportamento do PCMO. Que dá em troca? (não é preciso eu dizer ... já lá chegaram!)

Com este exemplo pequeno eu só quero dizer que, quem exerce o poder tem sempre uma atitude subjacente em relação ao mesmo: defender o próprio poder que exerce e assim mantê-lo "ad eternum" (no caso de Isaltino "ad nauseum").

Agora, porque é que o PSD e PS estão esfrangalhados e este senhor domina o concelho de Oeiras...? Pois será outro post . Uma coisa de cada vez.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

CANDIDATURA PSD À CMO

[Clique na imagem para ampliar]
Jornal de Oeiras, 9.12.2008

Unidade Residencial da Outurela


Tem sido notícia o Centro de Dia / Unidade Residencial Assistida da Outurela. Este edifício de linhas modernas tem no seu piso 0 o Centro de Dia, o 1º piso está preparado para residência de cidadãos dependentes e nos pisos superiores os apartamentos estão destinados para aluguer a idosos não dependentes. Visitei este edifício em 14 de Novembro quando do Seminário "A Casa e a Habitação".

Por dentro encontramos uma construção arejada de 4 pisos, servida por elevador e por escadas amplas. A ligação dos vários apartamentos é feita por corredores tipo “varandas”.

Porém, embora bonito à primeira vista, certos aspectos pareceram-me desconfortáveis e que, penso, a utilização pode vir a confirmar e a corrigir noutras edificações que dizem estar em projecto. A sala do Centro de Dia está voltada a Norte – naquele dia havia sol mas ali não entrava, e aquela arquitectura arejada tornava fria aquela tarde.

Como será em dias de frio verdadeiro que se estão a aproximar? Haverá algum sistema de aquecimento? A cozinha pareceu-me que devia estar a Norte e está encosta ao lado Sul. E os caixotes de separação de lixo estavam na parte da frente do edifício. E nos dias de ventanias chuvosas de Inverno, a intempérie fará concerto barulhento nas paredes de vidraça.

Faço sinceros votos que rapidamente esta Unidade esteja em pleno e feliz funcionamento.

Presidência Aberta! Bolsa Aberta!

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Correio de Oeiras n.º13

O sr. Isaltino está a fazer uma presidência aberta. Foi logo visitar a freguesia de Algés e Linda-a-Velha com duas obras: O Centro Paroquial de Miraflores e as obras na Damião Góis.

Das obras na Damião Góis estamos conversados, e embora se afirme a "pés juntos", que dia 13 ou 14 estão prontas, eu desconfio muito. Já agora, como presidência aberta poderia ter informado o custo das mesmas, que a Tiazoca continua curiosa porém, nem uma palavrinha para a imprensa.

Fiquei a saber que o Centro Paroquial de Miraflores, edifício de três andares, se destina a uma Igreja, apartamento para o pároco (realojamento divino e canónico), salas polivalentes (para a catequese e escuteiros) e como é habitual nestas estruturas, um Centro de Dia para idosos.

Mas, neste caso perguntaram o valor da obra. Segundo o Jornal, o edifício anda à volta do milhão de euros.

Desengane-se, se pensa que a história fica por aqui. Nesta matéria de dinheiros públicos existe sempre uma confusão subjacente, e nunca os jornalistas perguntam o que devem perguntar, com o objectivo de esclarecer o cidadão.

Diz o artigo que o pároco arranjou 160 mil euros, nas minhas contas só falta a módica quantia de cerca 840 mil euros, quantia perfeitamente aceitável para a Igreja Católica que sempre foi rica.

Porém, acrescentam que Isaltino dará metade da quantia.

Mas de qual quantia é que a CMO entra com metade ? Dos 160 mil euros ou do milhão de euros?

Querem ver que eu estou aqui cheia de curiosidade e o donativo é a título particular do sr. Isaltino Morais. Sim, porque a mim mete-me muita confusão como é que o Presidente da CMO consegue assim, sem mais nem menos, dispor dos dinheiros públicos.

Mas isso não interessa nada... Isaltino está em movimento numa presidência aberta... e espera que lhe retribuam a atenção a seu tempo e com os devidos agradecimentos.

Isaltino! O PSD perdoa-te!

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Correio de Oeiras nº.13

Este senhor é o candidato do PSD à Câmara Municipal de Oeiras. Adivinha-se uma luta renhida pelo último lugar, em disputa acesa com o candidato ainda desconhecido do PS, mas que em breve conheceremos.

O filho pródigo faz-se independente, agora que tem duas casas a reclamarem o seu regresso, mesmo que subtilmente. É caso para dizer: Isaltino tem dois amores, em nada são iguais, mas não têm a certeza de qual ele gosta mais.

Calhando Marco Paulo é o cantor que abrilhantará a Campanha para as Autárquicas e o hino, como se depreende, já está escolhido. Ninguém irá segurar o povo... Viva Nha Isaltino!

Deputados "da Nação" ?

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Não sei qual foi a surpresa da dra. Manuela Ferreira Leite por 30 dos "seus" deputados (pois é das direcções partidárias que os deputados são, não "da Nação") terem faltado a uma votação. Pelos vistos, a líder do PSD não faz a mínima ideia daquilo em que se tornou a AR.

Não faltaram só os 30 do PSD; faltaram ainda 13 do PS, 3 do CDS, 1 do PCP e 1 de "Os Verdes". Numa sexta-feira véspera de fim-de-semana prolongado, até foram poucos. Se aos deputados (gente, essa sim, com privilégios) se aplicasse o modelo de avaliação dos professores, e também eles tivessem que definir objectivos individuais, ter intervenções assistidas e ser julgados pelos "resultados", quantos aprovariam? Dir-se-á que são julgados de 4 em 4 anos. Não são. No meio das listas partidárias todos os gatos (mais rigorosamente, todos os ratos) são pardos, e sabem lá os eleitores em quem votam. O único critério de avaliação a que um deputado está hoje sujeito é o da obediência acrítica. Um acto de honestidade intelectual e política como o dos 6 do PS que pensaram pela própria cabeça pode custar-lhes o lugar. Se não, veremos.
Artigo de Opinião - Manuel António Pina

domingo, 7 de dezembro de 2008

Cascais - agenda cultural 35

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Com agradecimentos à CMC pelo envio do exemplar Nov/Dez 2008

CTT abrem a sua rede à solidariedade


Combate à pobreza

"Os CTT vão pôr a sua rede à disposição do combate à pobreza e à exclusão social. A partir de 1 de Dezembro próximo, os Correios de Portugal põem em marcha um projecto que, durante os próximos meses, permitirá a qualquer pessoa ajudar quem mais precisa de forma gratuita."

Estejam atentos às vossas caixas de correio pois irão receber uma informação como podem colaborar. Haverá uma lista de entidades que irão ser apoiadas – é só nós escolhermos. Depois, os CTT disponibilizam uma embalagem para colocarmos dentro o que desejarmos, entregamos numa estação dos CTT e… pronto os nossos donativos chegarão ao seu destino.

Coisas de Algés – XXXI


BASTA UM PEQUENO GESTO!

a) - Vamos ajudar o comércio tradicional: um pequeno esforço – um ensaio até ao fim do ano. Vamos direccionar algumas compras do nosso dia-a-dia para a lojinha da nossa rua. Além da compra damos dois dedos de conversa com o lojista e um sorriso.

b) - A Junta de Freguesia da Algés está a promover um Concurso de Montras de Natal de Algés 2008; um processo simples conforme informação nas vitrinas da Junta de Freguesia. Os comerciantes aderentes inscreveram-se até 5 do corrente.

As urnas estão colocadas na Junta de Freguesia, na sede da ACECOA, no Mercado Municipal de Algés e nos supermercados Pingo Doce da Baixa de Algés, Modelo Bonjour e Centro Comercial Dolce Vita.

O júri será constituído por cinco elementos: Presidente e Secretário da Junta de Freguesia, representante da Câmara Municipal de Oeiras, representante da ACECOA e um munícipe a convidar pela Junta de Freguesia representando o voto expresso pela população para este efeito.

A entrega dos prémios decorrerá no dia 10 de Janeiro de 2009, pelas 16h no Centro Cultural de Algés (da Junta de Freguesia de Algés, sito na Av. da República n.º 75- C) numa cerimónia que tem por objectivo prestar uma simbólica homenagem da Junta de Freguesia de Algés a todos os comerciantes que tanto têm dignificado a freguesia e o Concelho.

Não encontrei ainda o boletim para votarmos e ainda não me decidi por nenhuma das monstras que vi. Parece-me que ainda não estão aprontadas para nos impressionarem.

Vamos estar atentos e ajudar esta pequena iniciativa da Junta de Freguesia de Algés e dar alento aos nossos comerciantes.

Jazz no OL

e.s.t.

The Esbjörn Svensson Trio with Schleswig-Holstein Chamber Orchestra

"Round Midnight"

Biografia

Autárquicas: Donativos guardados após votação nas urnas

"Cinco partidos e três candidatos independentes às eleições autárquicas de 2005 depositaram no banco donativos superiores a 1,1 milhões de euros em data posterior ao acto eleitoral de 9 de Outubro. O acórdão do Tribunal de Contas sobre as Autárquicas, a que o CM teve acesso, identifica oito candidaturas com receitas de angariação de fundos e/ou donativos pecuniários depositados em data posterior ao acto eleitoral: BE, MPT, PH, PSD, PS, Grupo de Cidadãos Eleitores por Tomar, Grupo de Cidadãos Eleitores-Isaltino e Grupo de Cidadãos Eleitores Valentim-Gondomar no Coração." in Correio da Manhã

A notícia refere ainda que a candidatura de Isaltino Morais depositou 52.650 euros, tendo a auditoria do TC identificado diversas acções relativamente às quais não foi possível localizar as receitas e as despesas. Exemplo: concerto do Toy. A não apresentação de todos os documentos de prestação de contas é uma das falhas mais comum a todos os 17 partidos e movimentos aos quais foram detectadas irregularidades.

Ler notícia aqui

sábado, 6 de dezembro de 2008

Instituto Português de Oncologia de Lisboa

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COMUNICADO DE IMPRENSA

“Movimento Pijaminha”


O Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil, E.P.E., tomou conhecimento que, mais uma vez, se encontra a ser efectuada uma acção de recolha de pijamas para os seus doentes da Pediatria, no que se apelida de “Movimento Pijaminha”. Perante este facto, esclarece-se que não foi realizada nenhuma solicitação pelo IPO de Lisboa e que a mesma representa um uso abusivo do seu nome. Com o objectivo de prevenir o eventual aproveitamento da situação por entidades que pretendam obter proveitos ilegítimos, solicita-se que se tenha em conta o presente esclarecimento.
Aconselhamos que no futuro, por uma questão de precaução, seja confirmado sempre junto da Instituição quaisquer campanhas realizadas em nome do IPO”.



Para mais informações por favor contactar:
secretaria.geral@ipolisboa.min-saude.pt
*Telf. 217229814 Fax. 21 7229840

PSD esconde faltosos



Educação: Deputados saíram mais cedo para fim-de-semana prolongado

O PSD recusou ontem revelar o nome dos trinta deputados que faltaram à votação do projecto do CDS-PP que recomendava ao Governo a suspensão do processo de avaliação dos professores. O projecto foi "chumbado" por elevada ausência de deputados da Oposição. Após uma recontagem, recebeu 101 votos contra, 80 a favor e uma abstenção.


O PSD foi o partido que registou mais ausentes numa votação que decorreu às 12h00 de uma sexta-feira que antecede um fim-de-semana alargado. Dos 75 deputados, trinta faltaram à votação. Se 22 destes deputados tivessem comparecido, perante a divisão no PS, a Oposição teria conseguido aprovar o projecto. O desaire do grupo parlamentar do PSD levou a presidente do partido, Manuela Ferreira Leite, a chamar o líder da bancada, Paulo Rangel, para saber quem faltou à votação.

'Quis saber quem são os deputados que se ausentaram quando não se poderiam ter ausentado. Considero isso inaceitável e considero que é alguma coisa que não se pode tornar a repetir', referiu Manuela Ferreira Leite à Rádio Renascença. 'Há deputados que se calhar foram lá, assinaram e foram-se embora. Isto não é admissível em circunstância alguma na função do deputado', criticou. Ao contrário dos restantes partidos da Oposição, o PSD recusou avançar a lista dos ausentes. Contudo, o CM apurou 13 dos 30 ausentes. Entre eles está Pedro Santana Lopes.
(...)
SETE DESAFIARAM MAIORIA SOCIALISTA

Foram sete os deputados socialistas que desafiaram a tendência de voto socialista. Manuel Alegre, Teresa Portugal, Matilde Sousa Franco, Eugénia Alho, João Bernardo e Júlia Carré votaram ao lado da Oposição a favor do projecto do CDS-PP. Por sua vez, Odete João absteve-se. Na bancada socialista faltaram 13 deputados. »»»

Jorge Pedreira equipara os professores a ratos numa reunião de professores socialistas!

Jorge Pedreira equipara os professores a ratos numa reunião de professores socialistas! Explicando porque não pode ceder o ministério às exigências dos professores: *«Quando se dá uma bolacha a um rato ele a seguir quer um copo de leite!»*
Um relato na primeira pessoa. António Galrinho

Nos últimos dias recebi SMSs de diversos colegas alertando para a presença do Jorge Pedreira, secretário de estado da educação, numa palestra a realizar em Setúbal, no dia 16 de Novembro às 17h. A palestra era subordinada ao tema "Política de Educação",
(...)
Na plateia reconheci de imediato o Humberto Daniel, ex-presidente da junta de freguesia de S. Sebastião, e o Paulo Pedroso, deputado do PS.
A palestra foi um misto de operação de charme e de apalpar o pulso aos militantes sobre o assunto em causa.
O secretário de estado falou durante 50m, ininterruptamente e sem recurso a qualquer tópico escrito. Trazia, natural e obviamente, a lição mais do que sabida. Disse essencialmente disparates, mentiras e até ofendeu os professores. Aquelas coisas que estamos fartos de ouvir: os professores trabalham poucas horas, nunca foram avaliados, não querem ser avaliados, os sindicatos assinaram e agora não cumprem com o que assinaram, os professores eram uns privilegiados porque progrediam automaticamente nas carreiras, o excessivo abandono escolar, a falta de hierarquias, o premiar do mérito, etc., etc., etc.
Depois houve inscrições para expor opiniões. 27 pessoas se inscreveram, entre as quais eu, que falei mais ou menos a meio. Pensei que a generalidade dos militantes aproveitasse a ocasião para tecer elogios às virtudes do ECD e do seu modelo de avaliação, mas não foi isso que aconteceu. Começou por falar o militante Chocolate Contradanças (é esse o seu nome) que foi professor e se disse desgostoso por ver o estado de desmotivação em que a sua mulher está, ela ainda professora, e referiu que o PS iria perder a maioria absoluta devido a esta ME; foi aplaudido. O Humberto Daniel teve uma intervenção bombástica ao começar por dizer que "por muito menos o Correia e Campos foi para a rua"; foi aplaudido. Outros militantes se seguiram. O Paulo Pedroso teceu críticas ferozes, também preocupado com os resultados eleitorais. Disse "a Escola está agora pior" e, referindo-se a uma passagem do discurso do secretário de estado em que este dizia que os últimos dez anos foram uma barafunda (não me lembro se a palavra foi esta ou outra idêntica) nas escolas, Pedroso lembrou que "o PS esteve 7 desses 10 anos no governo"; foi muito aplaudido. Seguiram-se outras intervenções, de professores, alguns membros de conselhos executivos, ex-professores e militantes do PS, cada uma apontando aspectos diferentes das fraquezas deste modelo de avaliação, raramente se apontando virtudes.
Chegou a minha vez e quis partir mais alguma loiça, pois estava revoltado sobretudo com uma frase dita pelo secretário de estado e que não havia sido ainda comentada por ninguém. No final do seu discurso ele havia dito, referindo-se às negociações com os sindicatos, que não estava na disposição
de ceder nem de renegociar. Coroou o seu raciocínio com o provérbio chinês *"Quando se dá uma bolacha a um rato, a seguir ele quer um copo de leite." Assim, sem tirar nem pôr!*

Depois de me apresentar, esclareci que sabia o que era uma metáfora mas que não podia ficar indiferente à contextualização dada àquele provérbio, onde os professores eram comparados aos ratos, e salientei:
- Um professor pode até aceitar uma bolacha e pode até beber um copo de leite, mas também sabe desmontar uma ratoeira; Tensão na sala, com muitos olhos em cima de mim, de pé, com o microfone na mão. Mas não fraquejei e achei que devia ser ainda mais contundente. Depois de referir as fraquezas deste modelo, a má-fé e as reais intenções que estão por trás dele disse:
- Isto é uma palhaçada!
Continuei dizendo que o ME está sempre a passar à opinião pública que os professores trabalham poucas horas e que têm muito tempo de férias. Lembrei que:
- Em relação às horas, não sei como chegam a essa conclusão, pois eu nunca trabalho menos de 40h por semana, e é frequente trabalhar bem mais. Quanto às férias e às paragens, como nos podem atirar isso à cara se nos limitamos a cumprir o calendário estipulado pelo ministério? Até parece que os professores andam a roubar alguma coisa a alguém.
Sabia que estava a pisar terrenos argilosos, mas arrisquei de novo:
- Isto é uma palhaçada!
Às tantas o Vítor Ramalho interveio e disse que não podia admitir esta linguagem, que se tratava de um encontro de militantes do PS onde as pessoas se respeitavam. Eu, que vejo na generalidade dos políticos pessoas que são tudo menos sérias, estive-me nas tintas para os seus pruridos. Perguntei-lhe se os não-militantes não podiam intervir. Ele disse que sim. Perguntei-lhe se me deixava continuar e concluir a minha opinião. Disse de novo que sim, e eu continuei. Para concluir lembrei-me de uma série de ataques que o secretário de estado fez aos professores e às suas formações. A esses ataques respondi:
- Todos os professores têm formação média, superior ou equiparada, alguns têm mestrado, outros têm doutoramento. Fizeram profissionalização dentro dos moldes estipulados superiormente. Fazem acções de formação e actualização com regularidade. Como nos podem atirar também isso à cara? *Lembro que mais de 90% dos professores têm habilitações académicas superiores às do primeiro-ministro*.
- Aí é que foram elas! Não se podia falar mal do ai-jesus de todos eles, ali. Pateadas da mesa e de muitos dos presentes na plateia.
Ainda perguntei, por duas vezes:
- Estou a dizer alguma mentira? Ninguém me disse que não. Sentei-me; ninguém bateu palmas. Ouvi atentamente as intervenções seguintes. Um psicólogo referiu que a ministra tem, à partida, qualquer coisa contra os professores, e que isso é notório nas suas intervenções. O último a falar foi um colega que referiu conhecer como funcionam as coisas noutros países da Europa, onde esteve várias vezes em trabalho, e de não saber de nenhum onde os professores sejam divididos em duas carreiras. Questionava ele a que país, afinal, tinha ido o ME inspirar-se.
Para terminar, foi dada a palavra ao secretário de estado, que voltou a falar das virtudes deste modelo de avaliação e da importância de o levar à prática. Foi um discurso circular, onde muito pouco se reflectiram as preocupações colocadas pela plateia.
Foi assim a minha aventura de quatro horas numa palestra promovida pelo partido que suporta o governo que está a destruir o ensino público no nosso país.
António Galrinho
Publicado por JoaoTill

O PODER DA ARTE

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HUNDERTWASSER
Tree Tenants Do Not Sleep
Tree Tenants Wide Awake

técnica mista, 38 x 38 cms, Tunes, 1973

As árvores que crescem dentro e sobre as casas pagam regularmente a sua renda fornecendo valores reais como o óxigénio, o belo e o silêncio, absorvendo a poeira e regularizando o clima.
Foto: Taschen

Na minha estante



UM ADEUS PORTUGUÊS

Nos teus olhos altamente perigosos

vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada

Mas tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
que medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira

onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à virgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta cama comigo

em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo

à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces

esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira

da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

*

Nesta curva tão terna e lancinante

que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti .

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Tanto barulho para quê?

Opinião

João Cândido da Silva








O conflito entre Governo e professores por causa do modelo de avaliação arrisca transformar-se numa batalha tão acesa quanto inútil. A receita para o impasse inclui um pouco de tudo o que pode ajudar a traçar o caminho mais rápido entre o ponto de partida e um beco sem saída.

Desde uma entrada agressiva do Governo no terreno de jogo, a medições de força na rua, com manifestações, greves e, pelo meio, as indispensáveis pitadas de intransigência, os ingredientes foram-se misturando em doses "quanto baste" para aprofundar o ambiente de crispação. Atingiu-se um ponto em que, entre sindicatos e Ministério da Educação, já ninguém pode sair bem da contenda. Por um simples motivo: em vez de saírem beneficiadas, as escolas só têm perdido com uma refrega para a qual não se vê a possibilidade de um ponto final.

O sinal de que tudo poderá transitar de mal a pior vem agora dos estudantes. Animados pela capacidade de mobilização e de bloqueio evidenciada pelos sindicatos de professores, ensaiam a sua vez de acrescentar lenha à fogueira ateada pela crescente fragilização política do Governo na matéria. E, no entanto, surgida por entre o facilitismo que decreta a degradação do nível de exigência nos exames para operar o milagre estatístico da melhoria do rendimento dos alunos, a avaliação dos professores era, e continua a ser, uma causa que merece ser objecto de um sério empenhamento político.

O currículo nacional em matéria de qualificação dos recursos humanos é o que as comparações internacionais indicam: muito mau. O país surge invariavelmente classificado no clube dos piores e a competitividade fica dependente de uma mão-de-obra indiferenciada, sujeitando Portugal ao critério do custo da mão-de-obra quando se trata de dirimir argumentos para atrair projectos de investimento. O diagnóstico já é velho e também se sabe que a mobilização de recursos financeiros crescentes para corrigir aquela desvantagem tem resultado num retrato de lamentável ineficiência. Gasta-se muito dinheiro, para que tudo fique na mesma.

A introdução de um modelo de avaliação dos professores não resolve todos os problemas. Mas, na educação como na generalidade das organizações públicas ou privadas, é um pilar incontornável para obter melhores resultados a partir dos mesmos recursos. Pode criar os incentivos necessários à melhoria do desempenho e um sistema de compensações que premeie o mérito. Entre as medidas previstas no programa da actual maioria, esta seria, à partida, das mais consensuais, o que não significa que seria isenta de espinhos na concretização.

Sucede que o Governo geriu mal o arranque da questão. Na relação com os professores, como noutros confrontos que comprou no início de mandato, quis ter a opinião pública do seu lado. Para isso, deixou que o discurso resvalasse, logo de início, para a mensagem de que a culpa dos males do sistema de ensino seria exclusiva dos professores e que isso se deveria a falta de profissionalismo e a abusos como o absentismo. No fundo, a classe em geral seria constituída por gente indolente, apenas interessada num salário certo e seguro a troco de pouco trabalho.

A estratégia revelou-se um desastre. De recuo em recuo, a ministra da Educação já só tenta um qualquer apaziguamento que, perante os sinais de fraqueza transmitidos, dificilmente conseguirá alcançar. Na hora de fazer o ponto de situação, fica a pergunta: tanto barulho para quê?

JORNAL DE NEGÓCIOS – 05-12-2008

FUNDAÇÃO MARQUÊS DE POMBAL

Programação Dezembro 2008

Exposição
Exposição/Venda de Natal Fátima Granadeiro
De 8 a 21 de Dezembro
Segunda a Sexta 15.00h ás 19.00h
Sábados e Domingos 15.00h ás 19.00h
Inauguração: dia 8, segunda, pelas 16.00h
Concerto de Blue Note Jazz Trio
(Pedro Baião – Piano, Michael Margarian – Bateria e Raul Pires – Baixo eléctrico)

Fundação Marquês de Pombal
Palácio dos Aciprestes
Av. Tomás Ribeiro, 18
Linda-a-Velha

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

ESTAMOS TÃO BEM?







PONTOS DE VISTA





O momentoso problema da qualidade do ar esteve em equação no dia 20 de Novembro, na Universidade Atlântica, em Barcarena, com a realização do fórum “Que Ar Respiramos na Cidade?”. A iniciativa partiu da Oeinerge – Agência Municipal de Energia e Ambiente, em parceria com aquele estabelecimento de ensino e a autarquia, e reuniu gestores, técnicos e investigadores com competências na área do ambiente.
No decurso dos trabalhos foi apresentada a “Carta da Qualidade do Ar de Oeiras”, onde se escalpeliza a situação e se identifica a natureza e localização dos problemas.
A abordagem do tema em causa reveste-se de grande importância no presente. Da qualidade do ar depende, em grande parte, o equilíbrio ecológico e, consequentemente, a qualidade de vida das populações. Diz, portanto, a todos nós, assim como exige o concurso de todos.
Apesar do interesse que o tema motiva em nós, não nos foi possível estar presente, por razões de ordem profissional. Mas acompanhámos o acontecimento através da comunicação social
No concelho de Oeiras, o maior responsável pela poluição atmosférica é, sem qualquer dúvida, o intenso tráfego rodoviário. É sobretudo ao longo das grandes vias de penetração, como a estrada marginal e a auto-estrada, que se registam os maiores índices de poluição. Mas longitudinalmente, abre-se também uma larga zona de oscilante e desigual intensidade. E isto apesar da situação privilegiada do território em relação ao estuário do Tejo e aos frequentes ventos que o “lavam”.
Segundo lemos, em conclusão, “é considerado bom o ar em Oeiras”.
Mas já se aferiu a qualidade do ar, mesmo no interior, como em Barcarena, na Rua Felner Duarte, especialmente nas horas de ponta? Este é apenas um local, entre outros, aqui apontado a título de exemplo.
Sem a redução da pressão rodoviária, o problema não terá solução. E esta passa pelo incremento (com a contrapartida da eficiência e frequência) dos transportes públicos e a interdição ao trânsito (pelo menos num sentido) de algumas vias de comunicação (como a citada Rua Felner Duarte).

Jorge Miranda
jorge.o.miranda@gmail.com
Com os nossos agradecimentos ao Autor do artigo, ao Jornal da Costa do Sol e à revista municipal Oeiras Actual pelo uso da foto.

Não chames à estagnação estagnação






Opinião
Ricardo Araújo Pereira


Solicitaria apenas ao banco que estou a administrar sem o saber que me enviasse os lucros, se os houvesse, ou o dinheiro proveniente da ajuda do Estado, caso tivéssemos tido a sorte de falir.

Tenho seguido atentamente a actualidade económica e estou em condições de avançar com uma informação que me parece relevante: a economia portuguesa está estagnada em todo o lado menos na agência Lusa. Não sei que microclima económico se vive na redacção da agência de notícias, mas o certo é que, a fazer fé nos jornais (prática que, no entanto, não recomendo), os seus jornalistas foram proibidos de usar a palavra «estagnação» para descrever o que parece claramente ser uma estagnação. Para todos os que se queixam de falta de imaginação no jornalismo, a medida tem algum interesse. Parece um exercício de escrita criativa: descreva a estagnação económica actual sem recorrer às palavras «estagnação» e «económica». O que se perde em rigor, ganha-se em fantasia.
Como sempre que alguém impõe uma proibição sobre o discurso dos outros, levantaram-se imediatamente vozes que, por tolice ou maldade, bradam, à primeira oportunidade «censura!» Trata-se, evidentemente, de uma conclusão precipitada. Proibir alguém de dizer determinada palavra não é necessariamente um acto de censura. Pode ser uma tentativa, aliás bastante nobre, de zelar pela urbanidade do trato. Por exemplo: «Não se diz estagnação, que é feio.» Quem sabe se, na evolução do latim «stagnare» para o português «estagnar», a palavra não sofreu um metaplasmo qualquer que a torna obscena? Por detrás da proibição imposta aos jornalistas da Lusa pode estar um subtil linguista que encontrou estragação na estagnação.
Outra hipótese: superstição. Como no caso daquelas pessoas que receiam dizer o nome de certa doença, também aqui pode haver o medo de que, se falarmos em estagnação, ela nos apareça – logo a nós, que estamos tão longe dela. Seria azar, convenhamos.
Há ainda outra possibilidade. Hoje em dia, toda a actividade económica parece decorrer num ambiente de ignorância. Greenspan não sabia que estava a preparar uma crise de dimensões históricas. O Banco de Portugal não sabia que as contas do BPN não batiam certo. Os administradores do BPN não sabiam nada. Eu próprio desconheço, por completo, o que se passa nos bancos portugueses e, à primeira vista, todos os seus gestores me parecem pessoas de bem. É possível, por isso, que eu seja administrador de um banco sem que o saiba. Tenho o perfil e a doce inconsciência que o cargo, aparentemente, exige. Solicitaria apenas ao banco que estou a administrar sem o saber que me enviasse os lucros, se os houvesse, ou o dinheiro proveniente da ajuda do Estado, caso tivéssemos tido a sorte de falir. Em todo o caso, a palavra-chave é «desconhecimento». Quanto menos se chamar «estagnação» à estagnação, menos perceberemos o que se passa. E essa, pelos vistos, é a maneira correcta de estar na economia.

Coisas de Algés – XXX

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Eu compro os legumes quase sempre na praça de Algés (agora chamam Mercado). Desde 1964 que compro na mesma banca. Primeira foi a mãe, depois a irmã e agora é Ela. Quando Ela não está compro ao lado; já me conhecem. Muitas vezes, deixo o carrinho, uma lista das coisas que preciso, vou tomar um café e quando chego tenho a abóbora descascada, o feijão verde cortado… Infelizmente esta disponibilidade também é fruto do pouco movimento que estas bancas têm.

Por isso, para que não acabe este comércio lá vou abastecer-me e também passo pelo lugar e pela lojinha dos congelados e as minhas poucas compras são divididas pelas lojas da minha Freguesia.

Aqui em Algés há lojas para tudo com a vantagem de nos irmos conhecendo e sabendo dos nossos vizinhos.

Também vou ao super… mas o Comércio Tradicional tem mais sabor.

No reino do faz de conta


"As famílias portuguesas, em 2009, podem esperar ter melhor rendimento disponível que advirá da baixa da euribor e da baixa das taxas de juro, terem uma inflação mais baixa e portanto, ganharem poder de compra. Relativamente aos funcionários públicos, considera até que irão ganhar poder de compra como já não ganhavam há muitos anos». José Sócrates in TSF

Ó Sr. Sousa, desculpe qualquer palavrinha mais mal dita, mas hoje o que o senhor disse é uma enormidade, que pode até ser considerado um delírio.


Reconheço que os seus melhores defeitos são as suas piores qualidades porém, uma barbaridade destas quando estamos em recessão? Não me parece bem!


Eu sei que errar é humano e atirar as culpas para a crise internacional ainda é mais, mas excedeu-se. Quer dizer, entusiasmou-se com a sonoridade dos seus comentários .


Querem lá ver que, 20% de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza é apenas maledicência do PSD; 8% de desemprego na população activa é mau-feitio do Bloco de Esquerda; a precariedade de emprego é mais uma treta do PCP; o aumento do custo de vida é uma expressão "Kitch" do CDS/PP.

Só falta dizer que 94% de adesão de professores à greve, é uma manifestação cívica de apoio às políticas da sua ministra "urbano-depressiva".


Por acaso Vexa não se quer ir tratar? É que já se está a tornar uma constante essas fugas à realidade, e esses delírios convictos e inabaláveis que produz amiúde, embora incompreensíveis e absurdos para aqueles que neste cantinho à beira-mar plantado vivem.

O senhor não anda bem...


Acho até que Vexa só se coíbe de dizer que descobriu o "caminho ferroviário" para o Brasil, com medo que o pessoal o atire borda fora num qualquer apeadeiro!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Foi em 1956!

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O disco rígido de computador, em 1956, era assim.
Até parece mentira!

Socialismo de casino

Opinião


Noticia a AFP que, para poder obter do Estado americano um crédito salvador, a Ford vai reduzir o salário do seu presidente executivo para 1 dólar… por ano. Henry Ford tinha dito em 1934, em plena Grande Depressão: "Deixem-nos falir a todos. Se eu ficar sem nada com o colapso do sistema financeiro, recomeçarei do princípio e construirei tudo de novo".
75 anos depois, num país distante (não, não é de África), não só os gestores de bancos falidos continuam a ganhar milhões, como um governo socialista entrega o dinheiro dos contribuintes como garantia para salvar as fortunas de meia dúzia de milionários que fizeram um banco para especular na Bolsa e investir em aplicações de alto risco que deram para o torto. "Servir a nossa economia e as famílias", foi o motivo com que Sócrates justificou os apoios do Estado à banca. O BPP não tem balcões nem dá crédito a particulares ou empresas, apenas gere fortunas de uma elite financeira com nomes como Rendeiro, Ferreira dos Santos, Saviotti, Balsemão, Vaz Guedes, Júdice, etc.. São as fortunas de tais "famílias" que os nossos impostos vão agora garantir.
JN

Professores em Greve

"Tão cedo, não vai haver paz no Ensino em Portugal.
A situação está diabolizada o suficiente para se perceber
a quem está destinado o papel de má da fita".

José Pinto Leite, "Jornal de Notícias", 03-12-2008
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SPORT ALGÉS E DAFUNDO


Lembro aos sócios que vai haver reunião extraordinária da Assembleia Geral na sede, em Algés, no dia 5 de Dezembro pelas 20h00

O.T.
1 – Apreciação, discussão e votação do Orçamento relativo ao ano 2009
2 – Apreciação dos resultados da Comissão de Estudo e Planeamento das Novas Instalações Sociais e Desportivas do Sport Algés e Dafundo.

Era bom que viesses!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Linda-a-Velha promove Feira da Solidariedade


A Junta de Freguesia de Linda-a-Velha vai realizar no próximo dia 8 de Dezembro a Feira de Solidariedade que tem como objectivo apoiar famílias carenciadas e entidades que na noite de Natal estarão ao serviço da comunidade.

Esta acção de solidariedade social tem como objectivo apoiar famílias carenciadas e entidades que na noite de Natal estarão ao serviço da comunidade, através da angariação de bens alimentares e contribuições para a constituição de 100 ceias de Natal.

Nesta acção, a Junta de Freguesia de Linda-a-Velha apela a todas as pessoas que possam contribuir para esta festa que visitem a Feira de Solidariedade, no antigo Quartel de Linda-a-Velha.

Entre as 100 ceias, 30 destinam-se a famílias carenciadas e as restantes 70 à Polícia, Bombeiros, Protecção Civil e Serviços de Saúde que estarão de prevenção nessa noite.

A entrega será feita pelo presidente da Junta de Freguesia de Linda-a-Velha e por um grupo de voluntários que se disponibiliza a fazer a entrega no dia 24 de Dezembro.

Teresa Maia, responsável por esta iniciativa de excelência, afirma: «O objectivo desta nossa acção é, simplesmente, poder acarinhar a reconhecer as pessoas que a bem da comunidade se privam de uma Noite de Natal em família».

Para mais informações contacte:

Junta de Freguesia de Linda-a-Velha

jfreglindavelha@netcabo.pt

Tel.: 21 414 1895

Colorida Galeria de Arte


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Dia Mundial da Sida


"Portugal está entre os quatro países europeus onde a taxa de novas infecções por HIV quase duplicou entre 2000 e 2007, segundo um relatório da EU e da ONU". in JN

Esconde-se o problema, reduz-se a zero a prevenção e o combate à Infecção, porém anuncia-se com pompa e circunstância que os testes serão gratuitos no SNS.

Srª. ministra essa medida já existia em Portugal, havendo até Centros de rastreio anónimo espalhados pelo país, pelo que não disse nada de novo.

Agora, o que se desejava era que VEXA anunciasse humildemente, que todos somos poucos para combater a Infecção por VIH, e como tal, devia financiar um programa de prevenção, transversal a todos os ministérios e envolvendo a sociedade civil. ( bastava para isso transferir as verbas gastas pelo seu governo em propaganda). Mas, o Governo de que faz parte, não sabe o que é prevenção, e só reconhece mesmo a propaganda governamental, esquecendo-se que essa, não educa as pessoas a não ter comportamentos de riscos.

É aterrador perceber que Portugal está entre os quatro países europeus com mais novos casos de infecção devido à falta de acções de prevenção.

Coisas de Algés – XXIX - continuação



O ELÉCTRICO 15 – começou a funcionar hoje embora ainda andem a rematar aqui e ali. E muitos, apesar de haver ainda barreiras, já começaram a estacionar encostados aos passeios. Como já comentei, o estaleiro que estava dentro do parque de estacionamento da Av. H. Melo Pereira, já tinha sido levantado; apenas lá ficaram uns restos de obras, que espero sejam retirados rapidamente.

O passeio junto à Pastelaria Nortenha está, na verdade, muito inclinado; quem sai do prédio ou da pastelaria fica mesmo em plano inclinado.

A circulação alternativa das camionetas continua pela rua do Pingo Doce que hoje estava cheia de carros estacionados, sem vigilância policial, e a confusão quase a fazer história.

Estou quase a acreditar que tudo estará limpo de trabalhos e máquinas no dia 15 como vi escrito algures. Será que vão aproveitar para fazer uma inauguração ou colocar uma placa evocativa de tal feito? O pior é que não tenho o fato novo pronto, pois não acreditei nos prazos. Mas pelo menos haverá uma visita de “trabalho” de responsáveis e assessores e fotos na comunicação social.

Agora fica no ar a tal de se acabar com estacionamento na Rua Damião de Góis pois vão fazer (estão a fazer???) um estacionamento subterrâneo onde é a bomba de gasolina. Terrenos de beira-rio a serem escavados, mais betão em zona alagadiça. Vamos a ver.

Relatório 'Sitemeter' 30.11.2008


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Estes são os professores do ano


Professor do ano foi aquele que, com depressão profunda, persistiu em ensinar o melhor que sabia e conseguia os seus 80 alunos.
Professor do ano foi aquela que tinha cancro e deu as suas aulas até morrer.
Professor do ano foi aquela que leccionou a 200 km de casa e só viu os filhos e o marido de 15 em 15 dias.
Professor do ano foi aquela que abandonou o marido e foi com a menina de 3 anos para um quarto alugado. Como tinha aulas à noite, a menina esperava dormindo nos sofás da sala dos professores.
Professor do ano foi aquele que comprou o material do seu bolso porque as crianças não podiam e a escola não dava.
Professor do ano foi aquele que, em cima de todo o seu trabalho, preparou acções de formação e se expôs partilhando o seu saber e os seus materiais.
Professor do ano foi aquela que teve 5 turmas e 3 níveis diferentes.
Professor do ano foi aquele que pagou para trabalhar só para que lhe contassem mais uns dias de serviço.
Professor do ano foi aquele que fez mestrado suportando todos os custos e sacrificando todos os fins-de-semana com a família.
Professor do ano foi aquele que foi agredido e voltou no dia seguinte com a mesma esperança.
Professor do ano foi aquele que sacrificou os intervalos e as horas de refeição para tirar mais umas dúvidas.
Professor do ano foi aquele que organizou uma visita de estudo mesmo sabendo que consideravam que ele estava a faltar.
Professor do ano foi aquele que encontrou forças para motivar os alunos depois de ser indignamente tratado pelos seus superiores do ME.
Professor do ano foi aquele que se manifestou ao sábado sacrificando um direito para preservar os seus alunos.
Professor do ano foi aquele presidente de executivo que viveu o ano entre o dever absurdo, a pressão e a escola a que quer bem, os colegas que estima.
Professor do ano... tanto professor do ano.
Professores do ano, todo o ano, fomos todos nós, professores, que o continuamos a ser mesmo após uma divisão absurda.
Professor do ano... tanto professor do ano em cada escola, tanto milagre em cada aluno.
Somos mais que professores do ano.

Somos professores sempre!

(Recebido por e-mail. E pareceu-me uma homenagem justa!)

A Restauração da Independência de Portugal (1640)


A Restauração da Independência Portuguesa (1640)


[D. João IV ]

Dá-se o nome de Restauração ao regresso de Portugal à sua completa independência em relação a Castela em 1640, depois de sessenta anos de regime de monarquia dualista (1580-1640) em que as coroas dos dois países couberam ambas a Filipe II, Filipe III e Filipe IV de Castela. Nos anos imediatamente anteriores a 1640 começou a intensificar-se o descontentamento em relação ao regime dualista em parte dos membros da classe aristocrática, dos eclesiásticos (principalmente os jesuítas, que exploraram nesse sentido as crenças sebastianistas – e, em geral, «encobertistas») e acaso também entre os interessados no comércio com as províncias ultramarinas do Atlântico. (…) A má administração do governo espanhol constituía uma grande causa de insatisfação dos Portugueses em relação à união com Castela. Dessa má administração provinha o agravamento dos impostos. (…) A 6-VII-1628 era expedida a carta régia que, sem o voto das Cortes (por tradição, indispensável para que se criassem novos tributos), mandava levantar, por meio de empréstimo forçado, as quantias necessárias para a defesa, durante seis anos, de todos os lugares dos nossos domínios ameaçados pelos estrangeiros. A população mostrou logo a sua má vontade. (…) A tensão agravou-se quando o clero (cujos privilégios o isentavam de tais imposições) se viu também incluído na colecta geral. (…) Também no Ultramar surgiram protestos. (…) Em 1635 era estendido a todo o reino o imposto do «real de água», bem como o aumento do das sisas. Em 1634 confiava Olivares o governo de Portugal a uma prima co-irmã de Filipe IV, a princesa Margarida, viúva de Vicêncio Gonzaga, duque de Mântua. Ao mesmo tempo (fins de 1634) Miguel de Vasconcelos era transferido do seu posto de escrivão da Fazenda para as elevadíssimas funções de secretário de Estado, em Lisboa, junto da duquesa, cargo em que teve ensejo de desagradar muito aos Portugueses não partidários de Castela. (…) Num escrito editado em 1641, sob o título Relação de tudo o que se passou na felice aclamação, declara-se que D. António de Mascarenhas «fora a Évora a amoestar aos cabeças daquela parcialidade que não desistissem do começado e que, para que a empresa tivesse bom sucesso, pedissem amparo à Casa de Bragança». Era no duque, com efeito, que se pensava para chefe da insurreição e futuro monarca de Portugal independente; mas ele não achava oportuno o momento para tão grande aventura, e tratou de dar provas públicas de que reprovava a ideia. É de notar, todavia, que aos incitamentos internos se acrescentava um exterior, provindo da França, (…) então em luta com a Espanha, [que] se empenhava em impelir Portugal e a Catalunha contra o governo de Madrid. (…) Em 1638 tomou o conde-duque uma outra resolução que descontentou a nossa gente: a pretexto de os consultar sobre uma projectada reforma
da administração do nosso País, convocou a Madrid grande número de fidalgos, e ordenou levas de tropas para servir nas guerras que a monarquia espanhola sustentava, sangrando assim Portugal das suas maiores forças. (…) O que veio dar mais impulso à ideia da independência foram as novas exigências do conde-duque. Em Junho de 1640, com efeito, insurgia-se a Catalunha, e Olivares pensou em mandar portugueses a combater os catalães revoltados, ao mesmo tempo que se anunciavam novos impostos. (…) Aderiram à conjura o juiz do povo, os Vinte e Quatro dos mesteres e vários eclesiásticos, entre os quais o arcebispo de Lisboa, D. Rodrigo da Cunha. Deram também a sua colaboração o doutor Estêvão da Cunha, deputado do Santo Ofício, e D. António Telo. Em Outubro realizou-se uma reunião conspiratória no jardim do palácio de D. Antão de Almada, a S. Domingos, em Lisboa. Assistiram, além dele, D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo, Jorge de Melo, Pêro de Mendonça e João Pinto Ribeiro. (…) Teve também influxo na resolução a mulher do futuro Monarca, D. Luísa de Gusmão. (…) Chegado a Lisboa a 21-XI-1640, João Pinto Ribeiro convocou os conspiradores para uma reunião num palácio que o duque tinha em Lisboa e onde ele, João Pinto, residia. Decidiu-se estudar em pormenor o plano do levantamento, amiudando-se as reuniões. Por fim, marcou-se o momento de sublevação: 9 horas da manhã de sábado, 1.º de Dezembro. Na noite de 28 para 29 surgiram complicações, por haver quem julgasse que eram poucos os conjurados; mas João Pinto Ribeiro, a quem quiseram encarregar de transmitir ao duque o intuito de se adiar, opôs-se tenazmente a tal ideia, numa discussão que se prolongou até as 3 horas da manhã. (…) O dia 1.º de Dezembro amanheceu de atmosfera clara e muito serena. Tinham-se os conjurados confessado e comungado, e alguns deles fizeram testamento. Antes das 9 horas foram convergindo para o Terreiro do Paço os fidalgos e os populares que o padre Nicolau da Maia aliciara. Soadas as nove horas, dirigiram-se os fidalgos para a escadaria e subiram por ela a toda a pressa. Um grupo especial, composto por Jorge de Melo, Estêvão da Cunha, António de Melo, padre Nicolau da Maia e alguns populares, tinha por objectivo assaltar o forte contíguo ao palácio e dominar a guarnição castelhana, apenas os que deveriam investir no paço iniciassem o seu ataque. Estes rapidamente venceram a resistência dos alabardeiros que acudiram ao perigo e D. Miguel de Almeida assomou a uma varanda de onde falou ao povo. Estava restaurada a independência…



Bibliografia: In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Limitada, Vol. 25, Lisboa/Rio de Janeiro, 1978, pp. 317-319.